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BC decreta liquidação do Banco Pleno, que fazia parte do conglomerado Master

BC decreta liquidação do Banco Pleno, que fazia parte do conglomerado Master

Anteriormente chamada de Voiter, instituição enfrentava problemas de liquidez e buscava um investidor para seguir operando; Augusto Lima, dono da instituição, foi preso durante a Operação Compliance Zero em novembro

Publicado em 18 de fevereiro de 2026 às 10:55

SÃO PAULO E BRASÍLIA - O BC (Banco Central) decretou nesta quarta-feira (18) a liquidação extrajudicial do banco Pleno (ex-Voiter), que já pertenceu ao conglomerado do Banco Master, investigado por supostas fraudes financeiras.

O Pleno fazia parte do conglomerado Master até julho de 2025, mas seu atual dono, Augusto Lima, deixou a sociedade com Daniel Vorcaro e ficou com o banco. Ambos foram presos no âmbito da Operação Compliance Zero, sendo posteriormente liberados sob uso de tornozeleira eletrônica.

Banco Pleno  Crédito: Reprodução /Banco Pleno

O Pleno enfrentava dificuldades de liquidez e buscava um investidor para continuar operando. Por determinação do BC, o banco estava proibido de emitir novos CDBs (Certificados de Depósito Bancário) para se financiar. No mercado secundário, os títulos chegaram a ser negociados a 165% do CDI ao fim de 2025.

Segundo as últimas informações disponibilizadas na base do BC, referentes a junho de 2025, o ex-Voiter tinha um patrimônio líquido de R$ 672,6 milhões e um lucro líquido de R$ 169,3 milhões. Na outra ponta, porém, o passivo era de R$ 6,68 bilhões. Dessa dívida, a maior parte é de CDBs , que correspondiam a R$ 5,4 bilhões.

Em nota, o BC informou que o conglomerado do Pleno detém 0,04% do ativo total e 0,05% das captações totais do Sistema Financeiro Nacional.

Sem se financiar pela emissão de novos CDBs, o pagamento de compromissos do banco se tornou mais difícil.

Em 18 de novembro, foi anunciada a liquidação do Master, do Master de Investimento, da Master Corretora e do Letsbank. Nos dias 15 e 21 de janeiro, foram liquidados a administradora de fundos Reag e o Will Bank, respectivamente.

Os problemas do Pleno o acompanham há anos, desde a época em que o nome era Indusval e tinha outros controladores. Voltado ao financiamento de empresas e do agronegócio, o banco passou por várias reestruturações em meio a prejuízos. Em 2019, passou a se chamar Voiter, num plano de transformação digital.

Sem sucesso, a Capital Consig fez uma oferta para adquirir o Voiter em 2023. A operação não foi para frente e, em fevereiro de 2024, o Master levou a instituição.

Em julho de 2025, o BC aprovou a transferência do Voiter para Lima, que mudou o nome da instituição para Pleno, no momento em que analisava a venda do Master para o BRB, o banco estatal de Brasília. Quatro meses depois, o banqueiro foi preso.

A autorização ocorreu mais de um ano após a saída de Lima do Master —ele havia deixado o banco no fim de abril de 2024, quando vendeu a sua participação na holding para o próprio Vorcaro.

Quem é Augusto Lima

A trajetória de Augusto Lima é marcada por uma rápida ascensão. Em menos de uma década, a partir da criação do Credcesta, em 2018, saiu da Bahia, ganhou espaço na Faria Lima, expandiu o negócio do consignado por 24 estados e 176 municípios. Em novembro de 2025, foi preso na Operação Compliance Zero, que investiga a suspeita de fraudes em carteiras de créditos que o Master vendeu ao BRB (Banco Regional de Brasília).

Segundo reconstituição da Folha de S.Paulo, com base em documentos e relato de pessoas próximas ao empresário, a trilha que colocou Lima no centro do maior escândalo financeiro em décadas inclui estruturas empresariais opacas, teias societárias complexas e costuras políticas.

Nesse caminho, Lima utilizou muitos fundos em seus negócios e criou fortes laços com a Reag, instituição de fundos de investimento que foi alvo em agosto de 2025 da Operação Carbono Oculto, por suspeita de operar para o PCC, e foi liquidada pelo Banco Central.

A PKL One, empresa dona do Credcesta, recebeu aumento de capital de um fundo chamado Reag 34, depois rebatizado de Diamond. Esse fundo detém o controle da empresa e está sob a gestão da WNT, que foi citada na segunda fase da operação Compliance Zero.

Lima também declarou ganhos milionários em operação envolvendo ações da Akaa Empreendimentos e cotas do Murrien 41, que receberam investimentos do Hans 95, um dos fundos que foram alvo da Carbono Oculto.

Nascido em uma família de classe média de Salvador, Guga, como é chamado entre amigos, cursou economia em uma universidade particular. Trabalhou com venda de abadás até entrar no setor financeiro com a Terra Firme da Bahia, fundada em 2001 para atuar como correspondente de instituições financeiras.

Nos anos seguintes, fundou outras empresas neste segmento e ajudou a criar as associações de servidores Asteba e Asseba, que prestavam serviços, inclusive financeiros, aos funcionários públicos.

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