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Fase de mudanças

Como economia digital integra finanças, inovação e empreendedorismo

Modelo econômico requer nova abordagem: finanças que valorizem os ativos intangíveis, inovação integrada ao cotidiano das empresas e empreendedorismo como fator de inclusão

Publicado em 04 de Novembro de 2025 às 08:20

Públicado em 

04 nov 2025 às 08:20
Vicente Duarte

Colunista

Vicente Duarte

Economia digital, finanças, tecnologia, inovação, inteligência artificial
Ecossistemas conectados a instituições de ensino, governos e empresas aceleram a disseminação tecnológica Crédito: Reprodução
A transição da economia industrial para a digital modificou a maneira como o valor é gerado. Antes baseada em capital físico e escala, agora a vantagem reside em conhecimento, dados e habilidades organizacionais. A produção em grande quantidade não é mais suficiente. É crucial produzir com excelência, unindo financiamento apropriado, adoção de tecnologias e uma base empreendedora capaz de transformar conceitos em soluções. Quando esses elementos se combinam, os investimentos se alinham, os obstáculos diminuem e a disseminação da produtividade se acelera, criando caminhos sustentáveis para o crescimento.
Os bancos evoluíram de meros intermediários de crédito para integradores de dados de fluxo de caixa e histórico transacional, permitindo uma avaliação de risco mais precisa e condições adequadas a cada fase do negócio. As modernas infraestruturas de pagamento reduzem custos, aumentam a segurança e encurtam o tempo entre investimento e retorno. Para micro e pequenas empresas, esse avanço é crucial: crédito previsível e inclusão financeira possibilitam investimentos em tecnologia sem comprometer o capital disponível. Além disso, um sistema bancário orientado por critérios de crédito responsável e educação financeira amplia o acesso a serviços essenciais e promove a formalização econômica, sustentando a difusão tecnológica com estabilidade.
Investimentos contínuos em pesquisa e desenvolvimento (P&D), digitalização de processos e qualificação elevam a produtividade total dos fatores ao redefinir a interação entre trabalho, capital e dados. Tecnologias acessíveis, como computação em nuvem, automação leve, análise de dados e inteligência artificial, geram benefícios cumulativos.
Na prática, a maioria das empresas progride por meio de inovações incrementais: melhorias pequenas em produtos, operações e marketing que se somam ao longo do tempo. Esse progresso fortalece a qualidade, reduz os desperdícios e encurta os ciclos de desenvolvimento, impactando a competitividade e a receita. Estudos da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e do Fundo Monetário Internacional (FMI) sugerem que investimentos consistentes em P&D e ativos intangíveis têm efeitos duradouros sobre a produtividade e o PIB real.
O empreendedorismo atua como elo entre a criação e o impacto econômico. Os empreendedores identificam problemas locais, testam soluções e criam empregos nas comunidades. Em ambientes com restrições de crédito, estratégias de baixo risco baseadas em melhorias contínuas sustentam as margens e ampliam a capacidade de investimento.
Programas de incubação e aceleração, compras públicas inovadoras e regulamentações simplificadas reduzem as barreiras à entrada no mercado e fomentam a competição. Dados do Global Entrepreneurship Monitor e do Sebrae indicam que ecossistemas com redes de apoio, educação empreendedora e acesso a financiamento têm maiores taxas de sobrevivência e crescimento para pequenos negócios.
A engrenagem do desenvolvimento funciona de forma mais eficaz quando finanças, inovação e empreendedorismo operam de maneira coordenada. O crédito flexível, baseado em dados, viabiliza investimentos não apenas em equipamentos, mas também em ativos intangíveis, essenciais na economia digital e frequentemente subfinanciados. A inovação incremental melhora a produtividade e a previsibilidade de caixa, reduzindo o risco para os financiadores e impulsionando novos ciclos de investimento.
Ecossistemas conectados a instituições de ensino, governos e grandes empresas aceleram a disseminação tecnológica, enquanto sistemas de pagamento interoperáveis e seguros ampliam a base de clientes formais. O resultado é um ciclo virtuoso: a inclusão financeira expande o mercado, a tecnologia aumenta a eficiência e o empreendedorismo transforma oportunidades em crescimento local.
A economia digital requer uma nova abordagem de desenvolvimento: finanças que valorizem os ativos intangíveis, inovação integrada ao cotidiano das empresas e empreendedorismo como fator de inclusão. Regiões que coordenam esses elementos colhem benefícios duradouros em produtividade, competitividade e bem-estar.
Para o setor público, as prioridades incluem manter a estabilidade macroeconômica, promover a concorrência, proteger dados e criar ambientes de teste para acelerar a adoção de tecnologias. Para o sistema financeiro, modelos de risco baseados em evidências e produtos alinhados com os ciclos de receita. Para as empresas, disciplina na gestão, métricas de desempenho e uma cultura de melhoria contínua. Integrar finanças, inovação e empreendedorismo não é apenas uma escolha estilística, mas sim uma condição essencial para transformar ideias em valor econômico e social em larga escala.

Vicente Duarte

Graduado em Economia pela Ufes, com MBA em Gestao Financeira e Controladoria pela FGV e MBA em Digital Business pela USP. Atua ha 15 anos no mercado financeiro e atualmente e diretor do Banestes.

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