Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

Dinheiro

Resultado positivo do PIB brasileiro não é motivo de otimismo

Se o número do Produto Interno Bruto divulgado pelo IBGE para o 1° trimestre foi considerado positivo, ainda não há perspectivas tão otimistas para os próximos períodos. Os investidores precisam estar atentos

Publicado em 03 de Junho de 2022 às 08:51

Públicado em 

03 jun 2022 às 08:51
Lélio Monteiro

Colunista

Lélio Monteiro

Um dos indicadores mais importantes da nossa economia, o PIB – Produto Interno Bruto – foi divulgado ontem pelo IBGE, com crescimento de 1% para o 1° trimestre de 2022, contra o 4° trimestre de 2021. O consenso dos analistas era de um número ligeiramente maior, de 1,2%, mas cabe ressaltar que o IBGE revisou os dados do trimestre anterior em 0,2% para cima, aumentando a base. Um PIB mais robusto significa, de uma forma geral, mais renda, mais empregos e maior bem-estar para a população.
Essa alta foi puxada principalmente por Serviços e em seguida pelo Comércio, ambos setores que haviam sido duramente castigados durante o período de pandemia. O retorno à (quase) normalidade vem contribuindo para isso, mesmo que existam algumas ameaças de retorno das restrições por conta do aumento de casos de Covid-19 em alguns estados.
Um dos fatores que anteciparam essa maior movimentação da economia foi o aumento na arrecadação de impostos, que totalizou 195 bilhões de reais em abril, em que pese o fato de que os combustíveis têm parcela importante neste número, devido ao aumento do petróleo.
Até pouco tempo, o relatório FOCUS apontava crescimento menor que 1% para o ano de 2022. As instituições financeiras já estão revisando esse número para cima, mesmo que de forma bastante modesta. No entanto, as perscpectivas do mercado para o PIB de 2023 e 2024 ainda são muito pessimistas.
Para os investidores, é importante entender que a Bolsa e o PIB têm uma grande correlação. Como o mercado de ações antecipa os movimentos econômicos, podemos observar que o retorno do Ibovespa reflete as perspectivas de crescimento econômico dos anos seguintes.
Se pensarmos o Ibovespa como um somatório dos retornos de diversas ações, podemos afirmar que este também reflete a soma de todas as expectativas de crescimento e lucro para cada uma das empresas que compõem o índice, algo que se realizará dentro da economia real e terá consequências para o crescimento econômico.
PIB
PIB do 1° trimestre foi considerado positivo, mas ainda não há perspectivas tão otimistas para os próximos períodos Crédito: A7 Press/Folhapress
O fato é que existe, neste momento, um cenário de incertezas. Não só pela proximidade das eleições no Brasil, mas também pelo cenário geopolítico conturbado e pelas dificuldades causadas pela pandemia, das quais ainda não nos recuperamos, e que incluem a inflação elevada ocasionada pela quebra das cadeias produtivas.
Por conta desse cenário, a Bolsa brasileira está barata na comparação histórica, com índice preço/lucro muito abaixo da média. A perspectiva de crescimento econômico baixo nos próximos anos certamente contribui para isso. As taxas de juros mais altas também diminuem a atratividade dos investimentos mais arriscados.
Fundos imobiliários estão bastante descontados, oferecendo yields altos, inclusive em fundos de “tijolo”, refletindo o custo de oportunidade mais alto e as perspectivas mais pessimistas. As taxas de juros longas estão também acima da média, principalmente dos títulos de inflação.
Pra quem quer se posicionar com visão de longo prazo, e deseja aproveitar os preços historicamente baixos e os bons prêmios em diversas classes de ativos, é um bom momento. O mercado hoje reflete um sentimento ruim em relação ao Brasil e ao mundo, com diversas incertezas no radar que acabam por penalizar os preços, o que não significa que seja uma precificação justa. É sempre possível que haja distorções e assimetrias, e é nesse momento que aparecem as oportunidades para que se obtenham os melhores retornos.

Lélio Monteiro

Administrador de Empresas (UERJ), pós-graduado em Engenharia Econômica (UERJ), certificado CFP® e Ancord. 21 anos de carreira no mercado financeiro, com passagens pelo atendimento Private, Alta Renda, Gestora de Recursos, Tesouraria e Educadoria Corporativa. Desde 2018, sócio da Pedra Azul Investimentos, escritório de assessoria de investimentos sediado em Vitória-ES.

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem de destaque
Com hematomas pelo corpo, homem é encontrado morto em apartamento em Vila Velha
Álbum de figurinhas da Copa
Lições que podemos tirar de um álbum de figurinhas
Imagem do jogo 'Subversive Memories'
Game de terror resgata memórias da ditadura militar no Brasil

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados