Outro ponto se trata do ciclo de aumento de juros pelo Banco Central (BC). É possível que haja mais uma alta da Selic, com a taxa ficando em 13,75% ao ano por um bom tempo. Se caso, pós-eleição, tudo ocorrer bem, somente a partir do segundo semestre de 2023 é que os juros de curto prazo da economia voltariam a ser cortados, chegando à casa dos 11% em dezembro.
A perspectiva que se desenrola é que serão dois anos de taxas muito altas no Brasil, ou seja, isso é bom para a renda fixa. Títulos públicos e bancários atrelados à inflação são alternativas cada vez mais atraentes.
Para este cenário se tornar crível, é preciso que o governo ganhe a confiança do mercado, mostrando qual será a nova âncora fiscal ao longo dos próximos anos. Isso quer dizer que o governo deverá responder qual a política econômica quer desenvolver para colocar a dívida pública numa sequência de queda, ano a ano.
Enquanto os juros de curto prazo, definidos pelo BC, norteiam os custos que o Tesouro Nacional paga para financiar a dívida pública, as taxas longas, que são o preço dado pelo mercado para as empresas levantarem recursos pelos próximos cinco, dez ou 20 anos, seguem elevadas.
Esse é o preço da incerteza, porque não se sabe qual a estratégia de ajuste fiscal do governo brasileiro no próximo ano, seja lá quem vai ocupar o cargo após a eleição de outubro.
As coisas caminham juntas. Segundo o Mansueto Almeida, ex-secretário do Tesouro Nacional, “se aumentar o risco fiscal, se não ficar claro que há responsabilidade, aumenta-se o prêmio de risco, levando a juros de longo prazo maiores, à desvalorização do câmbio e um cenário desafiador com impacto no curto prazo”.