Formado em engenharia civil pela Ufes, pós-graduado em Finanças pelo IBMEC-MG e com mestrado em Administração pela Fucape, geriu o clube de investimentos Investvix entre 2011 e 2015. É assessor de Investimentos na Valor Investimentos desde 2016

O custo invisível: por que o Brasil ficou tão caro?

Carga tributária elevada, burocracia e decisões estruturais ajudam a explicar por que o custo de vida no Brasil pesa cada vez mais no bolso do consumidor

Publicado em 02/03/2026 às 09h28

Se você tem a sensação de que o seu poder de compra derreteu nos últimos anos, você não está sozinho. A percepção de que "tudo está caro" no Brasil não é apenas fruto da inflação global ou do aumento nos preços dos alimentos. Boa parte do custo de vida mais alto é resultado direto de escolhas estruturais da nossa sociedade e do peso desproporcional que o Estado impõe sobre a produção.

O Brasil tributa como um país desenvolvido, mas entrega serviços que deixam a desejar em quase todas as áreas como saúde, educação, infraestrutura, segurança pública. Quando o Estado opta por manter uma máquina pública inchada e pouco eficiente, a conta é repassada via carga tributária. Cada produto que chega à sua prateleira carrega uma cascata de impostos que, muitas vezes, ultrapassa 40% do valor final. É o preço de sustentar um aparato estatal que consome muito e devolve pouco em competitividade. Nos últimos anos, esse cenário se intensificou.

Carrinho de supermercado, preços, inflação, consumo, alimentos
Carrinho de supermercado, preços, inflação, consumo, alimentos. Crédito: Imagem gerada pelo ChatGPT

Além dos impostos, escolhas como uma legislação ambiental mais rígida, embora às vezes necessária para a preservação, no Brasil, na maioria das vezes, se traduzem em burocracia excessiva e insegurança jurídica. Processos de licenciamento lentos e exigências draconianas elevam o risco Brasil e o custo de capital, inibindo investimentos que poderiam resultar, por exemplo, em energia mais barata. Todo o trabalho para lidar com a burocracia do Estado tem um custo, e este acaba chegando aos preços finais de tudo que adquirimos.

Recentemente, o debate sobre a redução da jornada de trabalho (como a proposta do fim da escala 6x1) ganhou fôlego. Do ponto de vista social, o desejo por mais bem-estar é legítimo. Contudo, na economia, boas intenções não anulam as leis de mercado.

Reduzir a jornada sem uma contrapartida direta em ganhos de produtividade significa, na prática, um aumento do custo unitário do trabalho. Se o empresário precisa contratar mais pessoas para manter a mesma entrega, ou se a produção cai mantendo os salários, o efeito é inevitavelmente inflacionário. O aumento de custos nas empresas não é absorvido por "mágica"; ele é repassado ao consumidor.

A máxima de Milton Friedman nunca foi tão atual. Cada benefício concedido pelo Estado, cada regulação que encarece o processo produtivo e cada redução de carga horária sem ganho de eficiência tem um endereço certo de cobrança: o seu bolso.

Ao final do dia, nós como sociedade precisamos decidir que tipo de país queremos. Se optamos por um Estado grande, quase onipresente, regulador, com proteções trabalhistas amplas, legislação ambiental severa, precisamos aceitar que o custo de vida será o reflexo dessas escolhas. No teatro da economia, as cortinas podem até esconder o processo, mas o preço do ingresso, o consumo final, sempre será pago por você.

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