Por outro lado, ao decidir não pleitear a reeleição mesmo com altos índices de aprovação e ampla probabilidade de vitória, Meneguelli provou, acima de tudo, que é um político muito esperto. Basicamente, ele com isso "sai por cima". Soube a hora certa de parar, o que é muito raro na política: em geral, por apego ao poder, governantes já desgastados insistem em emendar mandatos, o que só faz desgastá-los ainda mais perante o eleitorado.
À parte todo o marketing e todo o mito construído em torno disso (em parte, por ele mesmo), Meneguelli pode não ser exatamente "o melhor prefeito do Brasil". Talvez não seja nem sequer o melhor do Espírito Santo. Mas, com esse seu movimento de sair de cena voluntária e temporariamente, demonstrou ser um dos políticos mais astutos em atividade no Estado.
Sim, Meneguelli soube a hora certa de parar… mas parar para poder continuar. Preserva, assim, o seu capital político-eleitoral, pois os próximos anos prometem ser extremamente difíceis para qualquer prefeito. Nessa conjuntura de pandemia e de pós-pandemia, ganhar a eleição e seguir no cargo poderia na verdade ser pior para ele do que passar dois aninhos sabáticos, sem mandato.
Com um segundo mandato muito difícil pela frente, bem mais difícil do que foi o atual, ele corria o risco de ver ruir o mito do "melhor prefeito do Brasil" (laboriosamente cultivado por ele mesmo), o que na certa prejudicaria seus planos futuros.
Agora, saindo bem avaliado e ficando livre nos próximos dois anos das cobranças e do "fardo" de ser prefeito nesse cenário tão desafiador, Meneguelli fica muito à vontade para construir sua próxima candidatura, em 2022, enquanto percorre o Brasil com seu roadshow de "melhor prefeito do Brasil", dando palestras e alimentando a sua "marca" e a sua imagem. Deixa intacta a sua popularidade e, daqui a dois anos, candidata-se, no mínimo, para deputado estadual.
E mais: se
Josias da Vitória (Cidadania) for candidato a senador em 2022 (como dizem que o deputado federal deseja ser), o caminho fica ainda mais aberto para Meneguelli chegar à Câmara dos Deputados, sem um concorrente local em Colatina nessa disputa daqui a dois anos.
É o que deve ter pensando Meneguelli ao ver seus números na pesquisa Ibope, em tributo à memória de sua amiga, Elke Maravilha.