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Eleições 2020

Com ou sem eleição, Câmara de Vitória segue sendo palco de barracos

Na sessão desta quarta-feira (21), o líder do prefeito (que apoia Gandini) e o presidente da Casa (apoiador de Pazolini) tiveram briga feíssima após produtora cultural criticar da tribuna a gestão de Luciano

Publicado em 22 de Outubro de 2020 às 19:59

Públicado em 

22 out 2020 às 19:59
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

Cleber Félix, o Clebinho, presidente da Câmara de Vitória
Cleber Félix, o Clebinho, presidente da Câmara de Vitória Crédito: Câmara de Vitória
É inacreditável, mas nem a temporada eleitoral interrompeu a sucessão de cenas lamentáveis de que a Câmara de Vitória tem sido palco desde o ano passado. Ao contrário: o período eleitoral, no qual quase todos os atuais vereadores buscam a reeleição, parece ter acentuado as tensões e sensibilidades na panela de pressão que já era o plenário. De um lado, o presidente, Clebinho (DEM), e seus aliados políticos; do outro, o grupo político do prefeito Luciano Rezende (Cidadania).
A última discussão acalorada, muitos tons acima do normal, foi protagonizada por Clebinho e pelo líder de Luciano no plenário, Luiz Emanuel Zouain (Cidadania), ambos candidatos à reeleição, na sessão desta quarta-feira (21). “O senhor não tem envergadura para sentar nessa cadeira, presidente!”, chegou a dizer a Clebinho o líder do prefeito.
O entrevero começou por causa da aplicação de recursos da Lei Aldir Blanc, destinada a artistas e produtores culturais Brasil afora.
Como representante da Comissão de Monitoramento e Aplicação da Lei Aldir Blanc na Região Metropolitana, a jovem Lara Oliveira Toledo discursou da tribuna. Ela é produtora cultural, cineclubista e integrante da Organização Cineclubes Capixabas.
A fala dela não estava prevista inicialmente, nem era dia da Tribuna Popular. Mas ela foi autorizada a subir à tribuna por Clebinho, como presidente da Casa, atendendo a um pedido do vereador Roberto Martins (Rede), também candidato à reeleição. “Ela entrou oficialmente como convidada do presidente”, explicou Martins à coluna.
A oradora, então, reclamou enfaticamente do atraso no cronograma de repasse dos recursos, por parte da gestão de Luciano. Ao fim da fala dela, o líder do governo, Luiz Emanuel, pediu ao presidente dois minutos para responder alguns pontos levantados por ela. Clebinho não lhe concedeu o tempo. Foi o estopim do bate-boca.
Chamando Clebinho de “irresponsável”, o líder do prefeito acusou o presidente de descumprir continuamente o Regimento Interno da Câmara e de usar a Casa “para fazer oposição ao prefeito e ao município”, com fins eleitorais. Exaltado, disse para Clebinho que ele desrespeita os vereadores e que estava permitindo que a oradora também os desrespeitasse. Mais calmo que o adversário, Clebinho retrucou que Luiz Emanuel estava sendo mal educado.
O líder do prefeito também dirigiu uma grosseria desmedida para a oradora, que, ainda da tribuna, em meio à ríspida discussão entre os dois vereadores, afirmou: “Eu sempre achei que esta Casa fosse do povo e eu vim aqui representando o povo”. Luiz Emanuel rebateu: “E eu sempre achei que você devia ficar calada”. Assim mesmo.
Com o circo já pegando fogo, a oradora convidada por Clebinho não contribuiu muito para acalmar os ânimos. Disse a Luiz Emanuel que em nenhum momento quis ofendê-lo, mas também lhe dirigiu uma provocação. Ao ter o tempo para réplica negado por Clebinho, o líder do prefeito disse a ela: “Eu só queria continuar conversando com você, e o presidente não quer deixar”. Recebeu dela uma resposta desaforada: “Conversa a gente conversa num bar. Aqui é uma Casa de legislação”.
Neste momento, outros vereadores da base de Luciano se uniram a Luiz Emanuel no coro de que o presidente não poderia permitir esse tipo de desrespeito a vereadores dentro do plenário, enquanto Roberto Martins pediu desculpas à oradora por ela estar presenciando aquela cena.
Na eleição a prefeito de Vitória, Clebinho apoia Lorenzo Pazolini (Republicanos) e Luiz Emanuel apoia Gandini (Cidadania), enquanto Roberto Martins está com Sérgio Sá (PSB).
Procurada, a assessoria de imprensa da Câmara de Vitória informou que o presidente da Casa concedeu o espaço de fala para a produtora cultural em cumprimento ao artigo 35, inciso 7, alínea D, do Regimento Interno, que especifica, entre as atribuições do presidente: “conceder a palavra aos vereadores, a convidados especiais, visitantes ilustres e representantes de signatários de projetos de iniciativa popular”.
Em todo caso, a conclusão é inevitável: independentemente da eleição, a CMV continua sendo sigla de “Casa de Múltiplos Vexames”. Não é possível…

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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