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Eleições 2020

Quem é quem na eleição a prefeito de Cachoeiro?

Victor Coelho com certeza é candidato à reeleição, e a oposição ao prefeito está fragmentada. Há muitos candidatos de direita, o que favorece o atual inquilino do Palácio Bernardino Monteiro

Publicado em 25 de Julho de 2020 às 06:00

Públicado em 

25 jul 2020 às 06:00
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas Vitor Vogas
Victor Coelho, Joana D'Arck Caetano e Jonas Nogueira estão na disputa a prefeito de Cachoeiro
Victor Coelho, Joana D'Arck Caetano e Jonas Nogueira estão na disputa a prefeito de Cachoeiro Crédito: Amarildo
A coluna deste sábado (25) traz o cenário da disputa pela Prefeitura de Cachoeiro de Itapemirim. A primeira pergunta é: o atual prefeito, Victor Coelho (PSB), será candidato à reeleição? Resposta: com certeza será.
Victor, por enquanto, não assume a candidatura. Tampouco a desmente. Evita o tema, na verdade. Procurado pela coluna, foi sucinto: “Não estou tratando de eleições ainda”. Ainda. Mas, no mercado político de Cachoeiro, ninguém tem dúvida de que será candidato, nem faria sentido algum ele não ser, até porque manter o controle da maior cidade do Sul do Estado é questão estratégica para o PSB de Renato Casagrande – pensando, inclusive na reeleição do governador em 2022.
O presidente do PSB em Cachoeiro, Paulo Miranda, abre o jogo que Victor esconde: “Victor é o candidato legítimo do PSB. Com certeza será candidato à reeleição”. Para isso, contará com o apoio, seguramente, de pelo menos quatro outros partidos que fazem parte da atual administração, inclusive com cargos na prefeitura: o PV, o PCdoB, o Podemos (que tem a secretária de Assistência Social, Márcia Bezerra) e o Cidadania (que tem a secretária de Meio Ambiente, Andressa Louzada). As quatro siglas também estão no governo Casagrande.
O palanque de Victor ainda pode contar com o reforço de três outras siglas que não pertencem, pelo menos não integralmente, ao governo Casagrande: o MDB, o Republicanos e o PSL.
No caso da primeira, o apoio é praticamente certo. Atualmente, o MDB no Espírito Santo se divide em um grupo mais pró-Casagrande (o de Marcelino Fraga) e outro mais afastado do Palácio Anchieta (o de Lelo Coimbra). O MDB de Cachoeiro é o do ex-prefeito Roberto Valadão, mais próximo a Marcelino e, portanto, do governo Casagrande.
Além disso, desde janeiro, o presidente do MDB de Cachoeiro, Rogério Athayde, está no governo estadual, como chefe do Procon/ES. Já o vice-presidente municipal do MDB, Osvaldo de Souza, é o chefe da Coordenadoria do Procon em Cachoeiro, de modo que o partido também está na gestão de Victor. Athayde confirma que o MDB vê com muito bons olhos o trabalho do prefeito e tem muita simpatia pela ideia de apoiar sua reeleição.
Quanto ao PSL, o presidente municipal do PSB tem mantido conversas diretamente com o presidente do partido de direita no Estado, o deputado Alexandre Quintino, que tem aproximado o PSL do governo Casagrande e confirma a possibilidade de aliança com Victor em Cachoeiro.
Já o Republicanos tem o atual presidente da Câmara, Alexon Cipriano. Ele chegou a ensaiar candidatura a prefeito, já abortada. O partido de Amaro Neto prioriza a eleição de vereadores e pode apoiar o atual prefeito na disputa majoritária.
Aí vêm os demais. E não são poucos. Hoje, porém, as candidaturas consideradas mais prováveis são as do PL, do PT, do DEM, do PSD e do PSDB.

JONAS NOGUEIRA (PL)

Também na máquina (mas não tanto assim), o vice-prefeito Jonas Nogueira é candidatíssimo. Eleito vice de Victor pelo PP em 2016, ele rompeu com o prefeito no ano seguinte. Muito ligado a Carlos Manato, filiou-se ao PSL quando o ex-deputado federal presidia o partido no Estado, com a intenção de concorrer à prefeitura pela então sigla de Bolsonaro. Estabelecido como o candidato mais “bolsonarista” em Cachoeiro, chegou a participar de eventos pela fundação do Aliança pelo Brasil.
Com a saída em peso de Manato e seu grupo do PSL no início do ano, além da chegada de Quintino ao comando estadual em março, Nogueira ficou sem espaço e sem legenda garantida. Por isso, migrou para o PL, de Magno Malta (que também começou a carreira política em Cachoeiro). O presidente municipal do PL, Vasni Barbosa, confirma: “Ele é o nosso pré-candidato”.

JOANA D’ARCK (PT)

Para defender o legado de Carlos Casteglione, prefeito de 2009 a 2016, e também marcar posição visando ao retorno do partido ao governo federal, o PT com certeza lançará a ex-vereadora Joana D’Arck Caetano, que tem o próprio ex-prefeito como mentor e padrinho político.
Casteglione a apoiou na disputa interna do PT (espécie de prévia para a escolha do candidato) e, durante a campanha, seu papel será múltiplo. Como confirma à coluna, além de principal apoiador, ele é o coordenador do plano de governo da aliada, que foi secretária de Cultura em seu segundo mandato. “Terei uma participação ativa. Com certeza, vou para a rua fazer campanha para ela.”
O PT se prepara para vir numa chapa puro-sangue, mas mantém conversas que podem resultar em alianças com partidos de esquerda, como o PDT, cujo pré-candidato a prefeito é o líder comunitário e ex-vereador Fabrício do Zumbi, como se chama o bairro mais populoso de Cachoeiro, com cerca de 20 mil habitantes.
Uma possível carta na manga é o apoio do senador Fabiano Contarato (Rede), com quem Casteglione tem mantido diálogo, por intermédio do ex-deputado estadual e ex-petista Roberto Carlos, hoje filiado à Rede e assessor de Contarato no Senado.

DIEGO LIBARDI (DEM)

Pelo DEM, o deputado estadual Theodorico Ferraço, presidente estadual de fato do partido, lançou a candidatura a prefeito do advogado Diego Libardi Leal, ex-superintendente do Ibama no Espírito Santo e, desde esta sexta-feira (24), presidente de direito da sigla no Estado.
Prefeito por quatro mandatos, Ferraço já apresenta o afilhado como seu candidato a prefeito, assim como Libardi já fala publicamente como o candidato de Ferraço. Ele deve contar com o apoio da advogada Fayda Belo (PP), que chegou a esboçar pré-candidatura.

RENATA FIÓRIO (PSD)

Correndo firme em outra raia, está a vereadora Renata Fiório (PSD). Garantindo que sua candidatura é irreversível, ela já tem o apoio assegurado do PMN, cujo presidente municipal, o empresário Bruno Ramos, chegou a ensaiar candidatura, mas recuou em favor dela.
Advogada e comerciante, Renata exerce seu primeiro mandato eletivo. Antes de chegar à Câmara, em 2016 (já no PSD), ela foi secretária-geral da subseção cachoeirense da OAB-ES por dois triênios, de 2010 a 2015.
Única mulher na Câmara de Cachoeiro, entre 19 vereadores, Renata enfatiza a importância da participação das mulheres na política, o que inclui a ocupação de mais espaços de poder em cargos majoritários. Apostando muito nesse discurso, ela buscará ser a primeira mulher da história a governar Cachoeiro.
“Não sou laranja. Minha candidatura não é para cavar uma vice, não. É para ser candidata a prefeita mesmo. Se queremos que tenha mulher na política, não adianta eu ficar empurrando e incentivando outras mulheres se eu não passar por esse processo”, afirma a vereadora, que ainda busca o apoio de siglas como o MDB e o PTB.

IZAIAS JUNIOR (PSDB)

Também na disputa, o PSDB, com certeza lançará uma chapa puro-sangue, tendo como candidato a prefeito o advogado Izaias Corrêa Barboza Junior, presidente municipal do partido, e como vice o Capitão Tadeu da Silva (oficial da reserva da PMES em Cachoeiro).

BRENO ROBLES (PROS)

O PROS tem a pré-candidatura do professor universitário Breno Robles, com o apoio da Democracia Cristã (DC). Ele é presidente municipal da sigla e ex-presidente do PSL em Cachoeiro.

PSC: PARRARO SCHERRER OU JOELMO PONTES

Já o PSC tem pelo menos dois pré-candidatos e vive uma disputa interna com corte ideológico: à esquerda, o radialista Parraro Scherrer (ex-PT); à direita, o empresário Joelmo Pontes.
O presidente estadual do partido, Reginaldo Almeida, confirma a situação: “Essa definição ficará para agosto, pois temos mais de uma candidatura e temos uma disputa interna”.
De maneira curiosa, essa definição do PSC pode influenciar na política de alianças de outros partidos. Por exemplo, se o pré-candidato do PSC for Parraro Scherrer, o PT buscará atraí-lo para a chapa de Joana D’Arck. Mas, se for Joelmo Pontes, aí quem buscará levá-lo para sua coligação é Renata Fiório.
Para aumentar a confusão, Jonas Nogueira teria tirado uma foto recentemente com Parraro. E então ninguém entendeu mais nada.

OPOSIÇÃO FRAGMENTADA

Como se pode constatar, a oposição a Victor Coelho em Cachoeiro está bastante fragmentada, o que tende a favorecer o candidato que já está na máquina municipal. Essa divisão se faz notar principalmente no campo da direita, onde há pelo menos três pré-candidatos sólidos: Jonas Nogueira (PL), Diego Libardi (DEM) e Renata Fiório (PSD).

DE NORMA PARA FERRAÇO

Tecnicamente, a presidente do DEM no Espírito Santo era a deputada federal Norma Ayub, esposa de Ferraço. Mas, nesta sexta-feira, ela se licenciou do cargo e deu lugar a Diego Libardi, que passa a ser, tecnicamente, o presidente. Na prática, todo mundo sabe que quem comanda mesmo o DEM no Espírito Santo chama-se Theodorico Ferraço.

CONEXÃO MARATAÍZES

Por falar em Norma, todo mundo também sabe que a prioridade de Ferraço na próxima eleição municipal é fazer de sua mulher a prefeita de Marataízes, cidade do Litoral Sul, vizinha de Cachoeiro.
No meio político cachoeirense, há quem avente que Ferraço pode ter lançado Libardi para criar alguma dificuldade extra a Victor e quem sabe, mais à frente, retirar a candidatura do DEM e até apoiar o atual prefeito em um acordo com o Palácio Anchieta, se obtiver, em troca, garantias de apoio total do governo Casagrande à eleição de Norma.

DIFICULDADE PARA RENATA

Dificuldade similar à de Libardi pode ser enfrentada por Renata Fiório: uma ala estadual do PSD, presidido no ES pelo ex-prefeito de Vila Velha Neucimar Fraga, quer se alinhar com o governo Casagrande. E a candidatura da vereadora contra Victor em Cachoeiro não contribui para isso aos olhos do Palácio Anchieta.
Por outro lado, mantendo a candidatura de Libardi, Ferraço talvez também possa facilitar a reeleição de Victor, na medida em que isso pode ajudar a pulverizar os votos da direita.

O TABU DO MDB CACHOEIRENSE

Embora deva figurar no palanque de Victor na disputa pelo Executivo, o MDB de Cachoeiro prioriza totalmente a eleição legislativa na cidade este ano, objetivando a quebra de um tabu muito incômodo: desde o pleito municipal de 2004, quando Valadão se elegeu prefeito pela última vez, o partido não elege um vereador ao menos em Cachoeiro!

TESTE PARA EX-PREFEITOS

Essa eleição testará não só a força política do atual ocupante do cargo como também o grau de influência remanescente dos três últimos prefeitos da cidade: Carlos Casteglione (PT), Roberto Valadão (MDB) e Theodorico Ferraço (DEM).

ESQUENTA ESSE PÉ, PREFEITO!

Piada corrente em Cachoeiro é que, apesar de ser do PSB, o prefeito Victor Coelho na verdade parece filiado ao PPF: o Partido do Pé Frio. O socialista está encerrando um mandato que foi quase uma releitura moderna do Apocalipse, incluindo a greve da PMES em fevereiro de 2017 (com direito a saques em Cachoeiro), a pior enchente do século no município em janeiro deste ano e, logo em seguida, a pandemia do novo coronavírus.

Vitor Vogas

Vitor Vogas Vitor Vogas

Vitor Vogas é jornalista com atuação na imprensa capixaba há quase 20 anos. Cobriu várias eleições. De 2008 a 2021, trabalhou na Rede Gazeta, como repórter e colunista de Política. Também foi comentarista da CBN. Em 2026, após passagens por veículos da Rede Capixaba e do Grupo Sim, voltou a assinar esta coluna. Aqui, diariamente, você encontra informações de bastidores e análises em profundidade sobre o cenário político do Espírito Santo.

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