O veterano deputado estadual Theodorico Ferraço não será candidato a nada este ano, mas pretende participar intensamente das eleições municipais por todo o Espírito Santo. Oficialmente, a presidente estadual do Democratas (DEM) é a deputada federal Norma Ayub, mulher de Ferraço. Mas o “presidente de fato”, aquele que conduz todas as articulações políticas, é mesmo o ex-prefeito de Cachoeiro de Itapemirim e ex-presidente da Assembleia. Falando em nome do DEM, Ferraço já definiu o candidato lançado ou apoiado pelo partido de norte a sul do Estado, de Colatina a Cachoeiro, passando pela Grande Vitória.
REGIÃO METROPOLITANA
Em Vila Velha, Ferraço afirma que vai “caminhar com Max Mauro”. Ele fala assim mesmo, usando o nome do ex-governador, de quem já foi forte aliado no passado. O que ele quer dizer, no caso, é que o DEM caminha para apoiar a reeleição do prefeito Max Filho (PSDB).
Na Serra, Ferraço confirma que o DEM tem apoio apalavrado ao secretário estadual de Trabalho e Assistência Social, Bruno Lamas (PSB), caso ele viabilize sua candidatura a prefeito.
Em Cariacica, o DEM terá candidato próprio: o deputado estadual Euclério Sampaio, colega de quatro mandatos de Ferraço na Assembleia. Filiado ao partido em fevereiro, Euclério está determinado a ser candidato à sucessão de Juninho e conta com o endosso de Ferraço para isso.
Em Guarapari, sempre de acordo com Ferraço, o DEM apoiará a reeleição do prefeito Edson Magalhães (PSDB), que já figurou nos quadros do partido.
Já em Vitória, Ferraço lança na mesa uma carta inesperada: o ex-prefeito e atual diretor-presidente do Instituto Jones dos Santos Neves, Luiz Paulo Vellozo Lucas, filiado ao Cidadania. Segundo o deputado, Luiz Paulo viria conversando com o presidente da Câmara de Vitória, Cleber Felix, que acaba de trocar o PP pelo DEM na atual janela partidária (na qual vereadores podem trocar de sigla livremente). E mais: o ex-prefeito poderia até se filiar ao DEM, diz Ferraço.
“Clebinho está conversando com o Luiz Paulo, e espero que eles se entendam para formar uma grande frente em Vitória. Queremos formar uma candidatura forte em favor de Vitória, que pode ser a do Luiz Paulo ou a do Clebinho. O Luiz Paulo, neste momento, está se colocando como pessoa disponível para entrar no partido.”
NORTE DO ESTADO
No Norte do Estado, Ferraço também já definiu apoiamentos. Em Linhares, garante, o apoio do DEM ao deputado estadual Marcos Garcia (PV) está praticamente fechado. “Vamos apoiá-lo, sim. Só depende dele.”
Já em Colatina, outro colega de Ferraço no plenário da Assembleia contará com o auxílio do DEM. “Estamos fechados com o Renzo Vasconcelos (PP).”
Em Barra de São Francisco, se Enivaldo dos Anjos (PSD) realmente tentar retornar à prefeitura da cidade, os dois já têm acordo apalavrado. “Nós o apoiaremos tranquilamente”, assevera Ferraço. Enivaldo foi o 1º secretário da Mesa Diretora na última presidência do demista na Assembleia, de fevereiro de 2015 a janeiro de 2017.
E NA TERRA DE FERRAÇO?
O DEM acaba de lançar a pré-candidatura do advogado Diego Libardi Leal a prefeito de Cachoeiro. Ele foi assessor de Roberto Valadão na Prefeitura de Cachoeiro e secretário de Meio Ambiente de Marataízes na administração de Jander Nunes Vidal, o Doutor Jander. Atualmente, é superintendente do Ibama no Espírito Santo. “Os companheiros e até pessoas de fora do partido entendem que ele é um dos bons nomes e que significa renovação”, argumenta Ferraço.
Na capital secreta do mundo (agora não mais tão secreta por culpa de Paulo Guedes), o atual prefeito, Victor Coelho (PSB), pleiteará a reeleição. Ferraço já decidiu que, haja o que houver, o DEM estará em um palanque oposto ao da situação.
Na realidade, Ferraço idealiza a formação de uma grande frente em Cachoeiro, que unifique alguns dos pré-candidatos hoje postos na cidade em torno de um nome de consenso. A ideia é unir forças para enfrentar o atual prefeito, que terá a máquina municipal a seu favor.
Nos planos de Ferraço, essa frente, além de Diego Libardi, reuniria Jonas Nogueira, pré-candidato do PSL; a advogada Fayda Belo, pré-candidata do PP; o presidente da Câmara de Cachoeiro, Alexon Cipriano, que pode filiar-se e candidatar-se pelo Republicanos; a vereadora Renata Fiório, pré-candidata do PSD; e o professor Bruno Ramos, pré-candidato do PMN.
Tirando o nanico PMN (difícil definir), todos os partidos dos pré-candidatos citados por Ferraço são de centro-direita ou direita, incluindo o DEM. Já o prefeito Victor Coelho é do PSB (centro-esquerda). Mas Ferraço rejeita a tese de que essa “frente” sonhada por ele seja orientada por qualquer critério ou fator ideológico.
“Essa frente não conta com o prefeito, mas é sem qualquer ódio e sem qualquer rancor. É a frente Cachoeiro. Nosso partido é Cachoeiro”, define Ferraço, à la Bolsonaro.
Outra observação necessária é que, em todos os municípios elencados, o DEM de Ferraço lançará ou apoiará candidatos a prefeito que são aliados do governo Casagrande, exceto justamente em Cachoeiro. O próprio Ferraço, hoje, mantém uma relação fria com o governo - não é nem base nem oposição na Assembleia. Mas por que ele decidiu enfrentar o Palácio Anchieta logo em sua cidade?
“O Palácio Anchieta ainda não é candidato aqui em Cachoeiro”, rebate o deputado.
E QUANTO A NORMA?!?
Curiosamente, muito assertivo ao falar sobre os planos do DEM em todos os maiores municípios, Ferraço só se esquiva de comentar uma pré-candidatura: precisamente a da sua esposa, Norma Ayub. Por acaso a deputada federal mantém a pré-candidatura a prefeita de Marataízes?
“Aí, sobre a Norma, você tem que falar com ela”, responde o deputado.
Nos bastidores, circulam comentários de que Norma, ex-prefeita de Itapemirim, estaria repensando a candidatura em Marataízes.