Aproveitando o período da janela partidária – até o dia 3 de abril –, o vereador Davi Esmael está com as malas prontas com destino ao Partido Social Democrático (PSD). Filiado ao PSB desde 2006, Davi está sem espaço no partido do governador Renato Casagrande e vive um problema pessoal com o presidente da sigla em Vitória, Juarez Vieira, que prefere ver o vereador fora do PSB, como já declarou à coluna.
“Há uma aresta com o presidente municipal do PSB. Se resolvermos essa aresta, eu fico. Se não resolvermos, eu saio”, resume Davi, confirmando que o PSD é seu destino provável.
O ex-deputado estadual Esmael de Almeida, pai de Davi Esmael, já está filiado ao PSD. O vereador reconhece que essa questão familiar influirá em sua decisão. “Facilita a minha ida para o PSD.”
Além disso, Davi destaca sua excelente relação com o também vereador de Vitória Mazinho dos Anjos, filiado ao PSD. Os dois fazem mandato crítico à administração do prefeito Luciano Rezende (Cidadania), na Câmara de Vitória.
Como Mazinho pretende ser candidato a prefeito de Vitória e não à reeleição na Câmara, os dois não terão que concorrer entre si, e abre-se um espaço na chapa de vereadores do PSD para Davi Esmael, considerado muito competitivo, não só por já ter mandato, mas por sua boa votação em 2016.
Apesar do problema com Juarez Vieira, Davi ressalta que tem boa relação pessoal com o governador Renato Casagrande, de quem chegou a ser assessor no Senado. Casagrande foi senador de 2007 a 2010. Davi chegou à Câmara de Vitória, já no PSB, em 2013. Antes de se filiar ao PSB, ele chegou a pertencer ao Partido Liberal (PL), que depois virou Partido Republicano e, recentemente, voltou a se chamar PL.
NATHAN PODE IR PARA O PDT PARA SER VICE DE GANDINI
Licenciado desde o início de 2019 para comandar a Central de Serviços de Vitória, o vereador Nathan Medeiros é outro que está praticamente decidido a deixar o PSB, para viabilizar sua candidatura a vice-prefeito na chapa a ser encabeçada pelo deputado estadual Fabrício Gandini (Cidadania), candidato à sucessão de Luciano Rezende (Cidadania) apoiado pelo prefeito.
Nathan confirma que quer ser vice de Gandini. Mas, pelo PSB, isso é muito improvável hoje, já que o partido do governador trabalha com um pré-candidato próprio à prefeitura – oficialmente, o vice-prefeito Sérgio Sá.
Nathan deve se filiar, então, a um dos partidos cujo apoio a Gandini já está bem encaminhado em Vitória. Uma possibilidade forte é o PDT, chefiado no Estado pelo deputado federal Sérgio Vidigal. Gandini e Vidigal têm conversado muito sobre essa aliança na Capital, que passa por uma contrapartida na Serra, onde o Cidadania deve apoiar a candidatura de Vidigal a prefeito.
No entanto, o presidente do PDT em Vitória, Júnior Fialho, afirma que ainda não há conversas específicas sobre filiação de Nathan ao partido. O dirigente confirma, porém, que há grande probabilidade de o PDT apoiar a candidatura de Gandini. “A aliança está bem encaminhada.”
Nathan pretende usar o limite do prazo que tem para trocar de partido (até 3 de abril) e para se desincompatibilizar do cargo de secretário de Serviços (4 de abril).
OITO PARTIDOS COM GANDINI
Além do PDT, a chapa do Cidadania, liderada por Gandini, já conta com a adesão de outros cinco partidos na eleição majoritária em Vitória: Avante, Podemos, PV, PSC e PTC. Há fortes chances também de fechamento de aliança com o PTB, comandado no Espírito Santo peldo deputado estadual Adilson Espindula. No total, com a confirmação do PTB, serão oito partidos na aliança.
Para Gandini, é importante conseguir formar uma grande coligação por um fator estratégico: tempo de televisão. A eleição em Vitória terá propaganda eleitoral gratuita em rádio e TV, com horário eleitoral e vinhetas ao longo do dia. Mas a bancada do Cidadania é muito pequena na Câmara Federal, e o tempo de TV é distribuído proporcionalmente entre os candidatos conforme o número total de deputados federais dos partidos que formam cada coligação.
PSL COM GANDINI E COM O GOVERNO CASAGRANDE?!?
O presidente estadual do PSL, Amarildo Lovato, nega que sairá da presidência estadual do PSL. Mas existe a possibilidade de ele ser substituído no cargo pelo deputado estadual Alexandre Quintino, por decisão do comando nacional da agremiação.
No último dia 3, conforme registramos na coluna do dia 7, Quintino conversou pessoalmente em Brasília com o presidente nacional do PSL, o deputado federal Luciano Bivar (PE). Voltou de lá dizendo que Bivar lhe deu poderes para agir como se fosse o presidente estadual de fato: "Ele [Bivar] me deu autonomia de presidente".
Se a troca no comando estadual for efetivada, isso pode acarretar duas consequências que seriam inimagináveis até o início deste ano: 1) o PSL pode vir a apoiar Gandini e se coligar com o Cidadania na eleição a prefeito de Vitória; 2) o PSL pode se aproximar do governo Casagrande e até entrar na base do governo.
Segundo Amarildo Lovato, essas duas hipóteses estão fora de questão, até porque o PSL é um partido de direita. Mas, com Quintino eventualmente na presidência, a coisa muda radicalmente de figura, já que o deputado tem excelente relacionamento político com Gandini e, principalmente, com o governador Renato Casagrande.
DA VITÓRIA SE ARTICULA COM QUINTINO POR COMANDO DO PSL-ES
O deputado federal Josias da Vitória (Cidadania) participou diretamente das articulações políticas para apresentar Quintino a Bivar e para aumentar a influência de Quintino sobre a direção do PSL no Espírito Santo. Em comum, Da Vitória e Quintino têm a mesma origem política – a Polícia Militar do Espírito Santo – e o fato de serem fiéis aliados de Renato Casagrande. Ou seja: os dois representam a “a ala casagrandista” na PMES.
Especula-se que Da Vitória pode ter interesse em preparar o terreno para trocar o Cidadania pelo PSL na janela partidária para deputados, em março de 2022. Eleito para a Câmara pelo partido de Luciano Rezende em 2018, Da Vitória pode almejar uma candidatura majoritária em 2022 – por exemplo, ao Senado –, mas pode ficar sem espaço no Cidadania, já que o próprio Luciano, eminência do partido no Espírito Santo, estará sem mandato e também já é apontado como possível candidato ao Senado daqui a dois anos.
DALTO TROCA UMA LETRINHA: DO PTB PARA O PTC
Enquanto isso, o vereador Dalto Neves afirma que há grande possibilidade de ele trocar o PTB pelo Partido Trabalhista Cristão (PTC), que deve ficar na coligação de Gandini.