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Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente, informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

Veja o cenário completo da eleição para a Prefeitura de Cariacica

Casagrande, Jaqueline Moraes, Juninho, Euclério Sampaio, Joel da Costa, César Lucas, Saulo Andreon, Amaro Neto, Sandro Locutor… Veja quem é quem na imprevisível disputa pelo cargo de prefeito de Cariacica

Publicado em 19/07/2020 às 06h00
Atualizado em 19/07/2020 às 13h41
Renato Casagrande, Euclério Sampaio, Jaqueline Moraes, Joel da Costa e Juninho
Renato Casagrande, Euclério Sampaio, Jaqueline Moraes, Joel da Costa e Juninho. Crédito: Montagem de Vitor Vogas

Correção: Na primeira versão deste texto, publicada às 6 horas deste domingo (19), afirmamos que o ex-vereador Adilson Avelina é o presidente do PSC em Cariacica. Na verdade, embora Avelina seja influente nas articulações eleitorais da sigla, o presidente municipal é Elcimar Fantone.

A coluna de hoje apresenta ao leitor como está o cenário da eleição a prefeito de Cariacica, passando pelos vários atores envolvidos, a começar por Renato Casagrande (PSB). Com mais de um aliado concorrendo ao mesmo cargo, o governador não deve entrar pessoalmente nessa campanha local. Mas isso não se aplica ao seu partido nem a outras figuras da cúpula do governo. Dirigentes do PSB estão realmente determinados a lançar o professor e ex-vereador Saulo Andreon e trabalham para viabilizar a candidatura dele.

Para isso, contam com o reforço da vice-governadora Jaqueline Moraes (PSB), que, diferentemente de Casagrande, está participando intensa e pessoalmente das articulações eleitorais, em nome do partido e do governo.

O PAPEL DE JAQUELINE NESSE JOGO

Enquanto Casagrande opera na retaguarda, evitando se expor em demasia e preservando sua “imagem institucional”, a vice-governadora tem cumprido o papel partidário que o governador ou não pode ou prefere não cumprir. Jaqueline tem atuado na linha de frente como cabo eleitoral, articuladora política e “porta-voz do Palácio Anchieta” nas discussões e negociações sobre formação de chapas.

Quando a campanha começar oficialmente, no fim de setembro, ela, também ao contrário do chefe, deverá subir em palanques, levando a marca e “a cara” do governo. “Jaqueline é um coringa. É um bom pivô. Cumprirá para nós o papel partidário. Onde o PSB estiver, ela estará”, resume um calejado dirigente socialista.

Em Cariacica, onde já foi vereadora, a presença de Jaqueline na eleição deve ser ainda mais forte, até por ser a terra dela. Pensando em seu crescimento político e na eleição de 2022 (poderá candidatar-se a deputada federal), é importante para a vice um bom resultado na eleição em Cariacica este ano, apresentando-se como fiadora de uma candidatura vencedora.

O PAPEL RESERVADO A CÉSAR LUCAS

Lado a lado com Jaqueline e em grande sintonia com ela, um líder político de Cariacica está operando para aglutinar forças e articular uma frente eleitoral de centro-esquerda na cidade. É o presidente da Câmara, César Lucas, vereador com Jaqueline na legislatura 2013/2016. Assim como seu partido (PV), Lucas está muito integrado ao movimento político-eleitoral liderado pelo Palácio Anchieta.

Considerado nos bastidores um bom estrategista político, o presidente da Câmara tem ajudado Jaqueline a amarrar uma coligação com PSB, PV, PDT e PCdoB (todos sócios do governo Casagrande). Desse bloco só deverá sair uma candidatura a prefeito, que pode ser ou não a de Saulo Andreon.

O próprio Lucas chegou a ser cotado, mas deve vir à reeleição, ou como vice de alguém. Está disponível para qualquer missão, jogando na posição em que puder contribuir mais para o projeto conduzido pelo Palácio Anchieta.

Nessa possível frente, PDT e PCdoB têm, respectivamente, as pré-candidaturas do vice-prefeito Nilton Basílio e do médico Heraldo Lemos, mas estas poderão ser retiradas por decisão das respectivas direções estaduais (leia-se Sérgio Vidigal e Givaldo Vieira), muito afinadas com Casagrande.

O PAPEL DE ADILSON AVELINA

Hoje num bloco com PSD, PL e DC, o Partido Social Cristão (PSC) também pode engrossar o “palanque do Palácio Anchieta” e se juntar ao PV no apoio a Saulo Andreon. Na cidade, o PSC tem a pré-candidatura a prefeito do ex-vereador Adilson Avelina, que por acaso vem a ser o marido de Jaqueline Moraes.

A HORA E A VEZ DE EUCLÉRIO SAMPAIO?

Fora dessa frente, mas também integradíssimo ao bloco liderado pelo governador, desponta o deputado estadual Euclério Sampaio. Este, sim, será candidato com certeza, pelo DEM.

Embora o partido dele não esteja organicamente na base do governo Casagrande, eventual vitória de Euclério, se a candidatura de Saulo não vingar, será um resultado satisfatório tanto para o PSB como para o Palácio Anchieta. Além de passarem a ter um aliado na prefeitura (o que o prefeito Juninho não é), os socialistas veriam Eustáquio de Freitas voltar à Assembleia, já que o ex-líder do governo é suplente da coligação de Euclério.

A candidatura do deputado está tão integrada ao movimento palaciano que agentes do PSB apostam até que César Lucas, o parceiro político de Jaqueline, pode ser acomodado como vice na chapa de Euclério, numa composição boa para todos os governistas.

Bom lembrar também que, quando Euclério migrou para o DEM, dois dos principais articuladores políticos do governo Casagrande compareceram ao seu ato de filiação, para reforçar o prestígio do deputado hoje em dia junto à cúpula palaciana: os secretários Tyago Hoffman (PSB), de Governo, e Davi Diniz, da Casa Civil.

MARCELO E EUCLÉRIO: VAI DAR “MARCÉRIO”?

Hoje, se o também deputado Marcelo Santos (Podemos) não vier candidato a prefeito, o pule de dez na cidade é que ele apoiará Euclério, até pelo longo vínculo político que une os dois. É tudo o que Euclério quer, considerando, sobretudo, seu apoio a Marcelo nas últimas três disputas em Cariacica (2008, 2012, 2016, todas de má sina para o filho de Aloízio Santos). Talvez seja chegada a hora da contrapartida.

Além disso, os dois têm perfil e eleitorado parecidos e, para muitos, “não caberiam” no mesmo pleito, brigando pelo mesmo espaço e anulando um ao outro na concorrência por votos.

Além do DEM, Euclério já conta com o apoio do PTB e do Avante (ambos também moradores da arca de Renato Casagrande). Está perto de garantir o PMN e trabalha para atrair também aquela frente de centro-esquerda em construção.

O QUE DIZ EUCLÉRIO

“Não recuo de jeito nenhum. Só se Deus tirar minha vida. Minha candidatura é pra valer, não é uma aventura. Ainda mais quando Deus me coloca uma coisa no coração. Preciso do apoio de todos. Cariacica só é viável se tiver o apoio de todos.”

A NOIVA IDEAL PARA SAULO

Como vice de Saulo Andreon, socialistas sonham com uma mulher. “Uma Jaqueline”, definiu um dirigente do PSB. Mas que seja, de preferência, uma profissional ligada à área de saúde. Assim, em plena pandemia, casariam saúde e educação (pois Saulo é professor de inglês).

E AMARO NETO?

Hoje próximo a César Lucas (e, por extensão, a Jaqueline Moraes), o deputado federal Amaro Neto (Republicanos) também deve ser um cabo eleitoral importante em Cariacica, sobretudo na periferia, principalmente se não for candidato a prefeito da Serra e ficar liberado para apoiar aliados em várias cidades. Em Cariacica, o seu partido não possui candidatura própria, diferentemente de Vila Velha (Hudson Leal) e Vitória (Lorenzo Pazolini).

Na eleição a federal em 2018, Amaro foi o candidato mais votado em Cariacica (35.407 votos), superando até Helder (32.605 votos) e atingindo mais de três vezes a votação do 3º colocado, Sandro Locutor (11.485 votos).

LOCUTOR: QUESTÃO DE SOBREVIVÊNCIA

Falando no ex-deputado estadual, Sandro Locutor também deve ser mesmo candidato a prefeito pelo PROS. Ele é presidente estadual do partido, que também apoiou Casagrande em 2018 e faz parte do atual governo. Muito próximo de Juninho num passado recente, o próprio Locutor avalia que, hoje, tem relação mais estreita com Casagrande.

Independentemente do resultado, é importante para Sandro disputar essa eleição até por uma questão de sobrevivência política. Sem mandato, precisa manter-se vivo na mente do eleitor de sua cidade, tendo em vista possível retorno à Assembleia na eleição de 2022.

QUEM SERÁ O CANDIDATO DE JUNINHO?

Hoje, há pelo menos três pré-candidatos dentro do arco de influência de Juninho: o vereador Joel da Costa (PSL), o mais votado para o cargo em 2016; o vice-prefeito Niltinho Basílio (PDT); e o pastor Ivan Bastos (MDB). “Juninho deve ficar de longe. Não vai querer ser o pai da criança, pelo menos não no nascimento da candidatura. Se esta vingar, poderá assumir a paternidade”, elabora uma raposa política de Cariacica.

COTAÇÃO MAIS ALTA PARA JOEL

O mercado político indica que, se Juninho decidir abraçar alguém, de maneira mais ou menos explícita, esse alguém tende a ser Joel da Costa. A balança pende para ele porque, além de ser considerado mais viável, Joel migrou do próprio Cidadania para o PSL, em abril, num movimento combinado, e deve manter o Cidadania (de Juninho) em sua coligação majoritária.

Sem o apoio do prefeito, as outras duas pré-candidaturas dificilmente deslancham.

JJ: JUNINHO COM JOSIAS DA VITÓRIA

Outro liame que “amarra” Juninho a Joel da Costa é que o prefeito tem se aproximado politicamente do deputado federal Josias da Vitória (Cidadania). Cabo da reserva da PMES, assim como Joel, Da Vitória foi o fiador da migração do vereador para o PSL.

O FUTURO POLÍTICO DO PREFEITO

Juninho precisa mesmo de “novos amigos” se quiser perseverar na política, pois, findo o atual mandato, passará pelo menos dois anos na planície. E sem a simpatia do governo Casagrande. Na eleição estadual de 2014, indo contra o próprio partido (Cidadania, então PPS), o prefeito apoiou Paulo Hartung contra Casagrande, o que deixou uma sequela política jamais superada com o atual governador. E, consequentemente, um distanciamento político com o atual governo.

Na cidade, comenta-se que Juninho pode se lançar a deputado federal em 2022 (cargo também “disputável” pela casagrandista Jaqueline Moraes).

JOEL: “SÓ SE EU MORRER”

Comentando a próprio pré-candidatura. Joel da Costa usa expressão parecida com a usada por Euclério: “Estou 100% firme. Só não serei candidato se eu morrer”. Ele confirma o provável apoio do partido do prefeito: “Saímos bem alinhados com o Cidadania. Isso foi construído no ato de migração”. Sobre a adesão pessoal de Juninho, o vereador opina: “O prefeito tem três pré-candidatos. Quem engrenar, ele vai colocar a mão para ajudar. Acredito que ele só subirá em palanque no 2º turno”.

SUBTENENTE ASSIS

Representante da direita mais bolsonarista, o Subtenente Assis (ex-PSL) também é pré-candidato a prefeito. Como militar, ele só precisa se juntar a um partido na convenção partidária (setembro). Pode ir para o PRTB, como já afirmou, ou para o Patriota. No PRTB, ficará sujeito a não participar de debates de emissoras de rádio e TV.

“ISOLAR OS EXTREMOS”

Aquela “frente de centro-esquerda” articulada por César Lucas, entre outros agentes, trabalha para isolar, de um lado do espectro, a candidatura de Assis; do outro, a de Célia Tavares, do PT.

CORRENDO POR FORA

Há, ainda, outras pré-candidaturas a prefeito, como a do ex-deputado estadual Marcos Bruno (Rede), a do médico Helcio Couto (PP), a do também médico Jovarci Motta (DC) e a do vereador Celso Andreon (PSD). Os dois últimos pertencem àquele já citado bloco com DC, PSD, PL e o PSC de Avelina.

E GILSON DANIEL, COMO FICA?

Por fim, bem avaliado na cidade vizinha, o prefeito de Viana, Gilson Daniel (Podemos), pode ter também alguma influência na eleição cariaciquense. Patrono da filiação de Marcelo Santos a seu partido, ele pretendia apoiar o deputado. Se Marcelo não for candidato, terá que partir para um plano alternativo.

REGISTRO: SÉRGIO BORGES

Na coluna deste sábado (18), comentamos que o conselheiro do TCES Sérgio Borges, segundo especulações do meio político, poderá se aposentar em 2022 para concorrer a deputado estadual, deixando vago um cargo muito cobiçado por muitos, inclusive por Marcelo Santos. Via assessoria do TCES, ele manda avisar que só se aposentará compulsoriamente, em janeiro de 2024, quando cumpre 75 anos.

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