Eleição a prefeito de Colatina vira teste de força para bolsonarismo
Pesquisa Ibope/Rede Gazeta
Eleição a prefeito de Colatina vira teste de força para bolsonarismo
Hoje, Guerino Balestrassi tem 26 pontos percentuais de vantagem sobre Luciano Merlo. Para ultrapassar o líder, este depende mais que nunca do voto bolsonarista em uma cidade muito conservadora
A vantagem diminuiu, mas, hoje, essa “boca de jacaré” estaria longe de se fechar. Para acelerar a “mordida”, isto é, ultrapassar Guerino em espaço de tempo tão curto, Merlo terá que reeditar em Colatina algo intensamente observado na eleição estadual de 2018. Naquela ocasião, de sábado para domingo, levados pela “onda Bolsonaro”, muitos eleitores tomaram decisões em cima da hora e despejaram votos em massa em candidatos bolsonaristas.
Um exemplo de candidato beneficiado por esse fenômeno de última hora foi o ex-deputado federal Carlos Manato (então no PSL), que, até a véspera do domingo do 1º turno, não aparecia tão forte nas pesquisas, mas por pouco não chegou ao 2º turno com um impulso de última hora dado por eleitores de Bolsonaro, em quem anexou a sua campanha para o governo do Estado.
Agora, Merlo segue estratégia parecida. O diretor da Faculdade Castelo Branco tem feito uma campanha que aposta muito na marca de “candidato bolsonarista” e na sua identificação política com o atual presidente da República.
Isso incluiu viagem para Brasília em plena campanha, para colecionar fotografias dele mesmo ao lado do próprio Bolsonaro, de ministras como Damares Alves (Direitos Humanos) e Tereza Cristina (Agricultura) e de ícones nacionais do bolsonarismo, como a deputada federal Bia Kicis (PSL). Tudo publicado com o devido destaque em suas redes sociais.
De igual modo, Merlo conta com o apoio declarado de alguns políticos e empresários também muito identificados com Bolsonaro e com o pensamento político do presidente, no Espírito Santo. Entre eles, o próprio Manato, que aderiu à campanha, e o ex-presidente da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes) Marcos Guerra.
Presidente do Republicanos em Colatina, Guerra chegou a pedir registro como candidato a vice-prefeito na chapa de Merlo, mas depois renunciou à candidatura, dizendo que pretende se lançar à Câmara dos Deputados em 2022.
A grande questão que resta, a ser respondida pelos eleitores colatinenses no domingo, é: até que ponto o bolsonarismo terá forças para embalar Merlo e levá-lo a ultrapassar o hoje favorito Guerino Balestrassi? O quão forte e o quão numeroso será esse “voto bolsonarista”, dado por eleitores de direita em Colatina?
De certo modo, não é exagero dizer que essa eleição a prefeito de Colatina será uma espécie de prova de fogo para a própria corrente bolsonarista no Espírito Santo, hoje colocada em xeque por um acúmulo de resultados negativos que se desenham no horizonte em outros grandes municípios. Na verdade, de acordo com a série Ibope/Rede Gazeta, levando em conta os candidatos que são mesmo apoiadores de Bolsonaro convictos e declarados, o único que no momento possui alguma chance de vitória para prefeito é o próprio Merlo, em Colatina.
É importante lembrar que, a julgar pelo desempenho de Bolsonaro na eleição presidencial de 2018, Colatina é um colégio eleitoral bastante bolsonarista, pelo menos a priori. Contando as sete maiores cidades do Espírito Santo, englobadas na série Ibope/Rede Gazeta, Colatina foi a segunda que deu mais votos para Bolsonaro em 2018, atrás somente de Cachoeiro.
Por outro lado, isso é muito relativo. Como já demonstramos aqui, essa tese da “transferência de votos” e da transposição da eleição de 2018 para as presentes disputas locais pode não funcionar na prática. No Espírito Santo, prova maior disso é a própria cidade de Cachoeiro, que, embora muito pró-Bolsonaro em 2018, está prestes a consagrar novamente o prefeito Victor Coelho (não bolsonarista e filiado a um partido de esquerda, o PSB).
Ao mesmo tempo, a pesquisa Ibope/Rede Gazeta traz uma notícia meio boa e meio ruim para Merlo. Em Colatina, a avaliação positiva do trabalho do presidente Bolsonaro ainda supera a negativa. Mas piorou desde outubro.
Em 23 de outubro, Bolsonaro era bom ou ótimo para 46% dos colatinenses e ruim ou péssimo para 30% (16 pontos de diferença).
Agora, é bom ou ótimo para 40% e ruim ou péssimo para 34% dos entrevistados na cidade (seis pontos de diferença).
Vitor Vogas é jornalista com atuação na imprensa capixaba há quase 20 anos. Cobriu várias eleições. De 2008 a 2021, trabalhou na Rede Gazeta, como repórter e colunista de Política. Também foi comentarista da CBN. Em 2026, após passagens por veículos da Rede Capixaba e do Grupo Sim, voltou a assinar esta coluna. Aqui, diariamente, você encontra informações de bastidores e análises em profundidade sobre o cenário político do Espírito Santo.