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Curtas Políticas

Camila Valadão e Jackeline na volta da propaganda eleitoral de Coser

Nesta sexta-feira (20), Dia da Consciência Negra, a candidata a vice-prefeita do petista aparecerá no programa de reestreia. No dia seguinte, será a vez da vereadora eleita pelo PSOL

Publicado em 20 de Novembro de 2020 às 04:00

Públicado em 

20 nov 2020 às 04:00
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

Camila Valadão e Jackeline Rocha
Camila Valadão e Jackeline Rocha Crédito: Facebook / Assembleia Legislativa
Esta sexta-feira, 20 de novembro, é o Dia da Consciência Negra. Por coincidência, o dia também é marcado pelo reinício do horário eleitoral gratuito, isto é, pela propaganda dos candidatos de Vitória e Vila Velha que passaram para o 2º turno, em emissoras de rádio e TV. Para casar as duas coisas, a propaganda do ex-prefeito João Coser (PT), logo na retomada, será coestrelada por duas mulheres negras que estão entre seus principais aliados na disputa contra o deputado Lorenzo Pazolini (Republicanos): a sua candidata a vice-prefeita, Jackeline Rocha (PT), e a vereadora eleita Camila Valadão (PSOL).
Jackeline é a presidente estadual do Partido dos Trabalhadores, enquanto Camila é a primeira pessoa, mulher ou homem, a conseguir se eleger para um mandato pelo PSOL na história do Espírito Santo. As duas são mulheres negras, com idades muito próximas: respectivamente, 37 e 36 anos. Com a participação de Jackeline, o programa de reestreia de Coser, nesta sexta-feira, terá menção direta ao Dia da Consciência Negra. Uma inserção da chapa petista, veiculada ao longo da programação, também terá a presença da Jackeline.
No dia seguinte, será a vez de Camila Valadão marcar presença na propaganda de Coser, candidato apoiado por ela e pelo PSOL no 2º turno na Capital. Por sinal, a campanha do PSOL à Prefeitura de Vitória, com a chapa formada pelo historiador Gilbertinho Campos e pela socióloga Munah Malek, foi toda no sentido de dar ênfase ao movimento negro.

A SUB-REPRESENTAÇÃO

No cruzamento de gênero e etnia, mulheres negras são um segmento muito expressivo da população brasileira (na quantidade, mas não na representatividade política). Recém-eleita, Camila Valadão tem dito que será a primeira mulher negra na história da Câmara de Vitória, o que não é uma afirmação precisa. Neuzinha de Oliveira (PSDB) declara-se parda (portanto, negra), e está lá desde 2001. Pelos critérios do IBGE, a categoria "negros" engloba "pretos" e "pardos".
Inclusive, entre outros fatores, Pazolini chegou a convidar Neuzinha para ser sua candidata a vice-prefeita, a poucos dias dos pedidos de registro de candidatura, precisamente por ser uma mulher negra e, assim, “equilibrar” o seu perfil de homem branco (quase pálido). O convite de Pazolini não foi aceito, Neuzinha veio candidata a prefeita pelo PSDB, e o deputado escalou como vice outra mulher negra, a Capitã Estéfane Ferreira (Republicanos).
De todo modo, sai UMA mulher negra, entra UMA mulher negra, num universo de 15 vereadores.
A sub-representação continua.

GUERRA NA CÂMARA: VINÍCIUS E CLEBINHO

Desde que chegou à presidência da Câmara de Vitória, eleito em agosto de 2018, o presidente da Casa, Cleber Felix (DEM), passou boa parte do tempo envolvido em uma guerra política e jurídica com seu antecessor no cargo, o vereador Vinicius Simões (Cidadania). Não se pode carimbar que esse tenha sido o principal motivo, mas o desperdício de energia dos dois rivais batalhando entre si pode ter lhes custado caro. Nem Vinicius nem Clebinho conseguiram se reeleger.
O primeiro até chegou a ser o 7º mais votado, com 2.104 votos, mas não entrou por causa do quociente eleitoral. Já Clebinho teve votação ruim: com 677 votos, ficou de fora por muito.

ROBERTO MARTINS COM COSER

O professor e vereador de Vitória Roberto Martins (Rede), ex-PSOL, declarou seu voto em João Coser na noite desta quinta-feira (19). "Precisamos de um governo que, ao menos, respeite o Professor, e recupere o diálogo com a sociedade. [...] Conte comigo, João!", publicou ele em suas redes sociais.

DA VITÓRIA E MARCELO SANTOS

O deputado estadual Marcelo Santos (Podemos) passou as últimas semanas percorrendo o Estado de cabo a rabo e apoiou a candidatura de muitos prefeitos eleitos de norte a sul. Só não ajudou a eleger mais aliados que o deputado federal Josias da Vitória, um dos principais responsáveis pela eleição de muitos prefeitos do seu partido, o Cidadania, em cidades do interior. Para o coordenador da bancada capixaba no Congresso, essa "distribuição" de aliados por prefeituras é fundamental para pavimentar sua possível candidatura ao Senado em 2022.
Já para Marcelo Santos, há algum tempo, ter muitos prefeitos aliados espalhados pelo Estado tem sido importante para ajudá-lo a se perpetrar na Assembleia. Filho do falecido prefeito Aloízio Santos, Marcelo chegou ao Legislativo estadual e começou sua trajetória como um deputado urbano, com raízes muito fincadas em sua cidade natal, mas aos poucos foi expandindo seu raio de influência e pulverizando seus votos pelo território capixaba.

DERROTA EM CASA PARA ERICK

O presidente da Assembleia Legislativa, Erick Musso (Republicanos), sofreu nova derrota doméstica. Em Aracruz, seu reduto eleitoral, engajou-se bastante na campanha do vereador Alcântaro Filho (PSD) para a prefeitura municipal, mas não conseguiu eleger seu aliado na cidade. Por 162 votos, o candidato apoiado por Erick perdeu para o Dr. Coutinho, do Cidadania.

PELA LÓGICA, AMARO SÓ PODE IR COM VIDIGAL

Na eleição a prefeito da Serra, o deputado federal Amaro Neto (Republicanos) segue sem declarar apoio a ninguém, mas já definiu o seu voto no 2º turno. Pela lógica (e a política nem sempre segue a lógica), só faz sentido ele apoiar Sergio Vidigal (PDT), em detrimento de Fábio (Rede). Além de ser bom colega de Vidigal na bancada capixaba na Câmara dos Deputados, Amaro apoiou a candidatura dele a prefeito na eleição municipal passada, vencida por Audifax Barcelos (Rede).
O Republicanos, partido de Amaro, apoiou Alexandre Xambinho (PL) no 1º turno, mas decidiu caminhar com Vidigal no 2º. Finalmente, Amaro tem repetido desde o início do 1º turno que, na Serra, decidiria o candidato que teria o seu apoio em diálogo estreito com o governador Renato Casagrande (PSB). E, como todo mundo sabe, Casagrande prefere a vitória de Vidigal, um importante aliado para ele, a eventual triunfo do candidato de Audifax, potencial adversário dele na corrida ao Palácio Anchieta daqui a dois anos. 

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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