ASSINE
Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

Câmara de Aracruz dá cargo para ex-vereador que aprontou em motel

E mais: Ivan Carlini na bronca com Arnaldinho; Max Filho conversa com Casagrande; candidatos derrotados são nomeados no governo; e o mais novo “climão” na Câmara de Vitória

Publicado em 13/02/2021 às 02h00
Atualizado em 13/02/2021 às 02h04
Câmara de Aracruz nomeou ex-vereador que aprontou altas confusões em motel
Câmara de Aracruz nomeou ex-vereador que aprontou altas confusões em motel. Crédito: Amarildo

Câmara Municipal de Aracruz nomeou como assessor de gabinete da presidência um ex-vereador que chegou a ser processado pela própria Câmara no mandato passado, por envolvimento em uma enorme confusão em um motel que resultou em B.O. e acabou na delegacia.

Vereador de 2017 a 2020 pelo Republicanos, Alberto Lopes, conhecido em toda a cidade como Beto Negreiro, não disputou a reeleição no ano passado, mas em janeiro deste ano foi nomeado para ocupar o cargo comissionado na Casa, com remuneração bruta mensal de R$ 3.214,64, além de vale-alimentação e plano de saúde (tudo pago com dinheiro público).

O ato de nomeação é assinado pelos três membros titulares da Mesa Diretora, incluindo o presidente da Câmara de Aracruz, vereador Lula (DC), de quem Beto agora é assessor.

Em 2017, Beto envolveu-se em uma briga com um casal em um motel de Aracruz, com direito a quebra-quebra e drogas ilícitas encontradas pela polícia no local. O episódio ganhou ampla repercussão na cidade e levou à instauração de uma comissão processante contra ele na Câmara, aprovada em plenário por unanimidade, por quebra de decoro parlamentar.

“PROPOSTA INDECENTE”

No dia 20 de agosto daquele ano, como registra reportagem de A Gazeta publicada à época, o então vereador dirigiu-se a um motel acompanhado de um casal. Beto teria oferecido a quantia de R$ 800,00 ao marido, caso o homem deixasse sua esposa fazer sexo com ele. Porém, já no motel, o vereador teria se descontrolado e promovido um quebra-quebra.

A Polícia Militar foi chamada pela gerência do motel para apartar a briga e, de acordo com o boletim de ocorrência, o quarto ficou completamente danificado.

Segundo a versão do casal, quando os três chegaram ao quarto do motel, o então vereador ficou enciumado ao vê-los juntos e deu início, então, à confusão. Ambos alegaram que Beto tentou agredi-los e quebrou objetos. Além disso, os dois contaram à polícia que Beto os ameaçou caso tentassem sair do motel, dizendo-lhes que portava uma pistola calibre 380 no carro.

Aos policiais, Beto contou uma versão diferente: afirmou que convidou o casal para ir com ele ao motel e que, chegando lá, os dois tentaram matá-lo. Por isso, ele teria promovido a briga, buscando tão somente se defender.

DROGAS APREENDIDAS

Os policiais que atenderam à ocorrência levaram o trio para a delegacia e fizeram buscas no veículo, mas não encontraram nenhuma arma. Em compensação, no quarto e no carro do então vereador foram encontradas embalagens com drogas, apreendidas pela polícia.

Instaurada pela Câmara de Aracruz um mês depois do ocorrido, a comissão processante poderia até ter cassado o mandato parlamentar de Beto Negreiro, mas não houve nenhuma punição.

Na verdade, ele agora leva um “prêmio”, “continuando” na Câmara sem ter concorrido à reeleição, mas como assessor da presidência.

FALANDO EM PRÊMIOS...

Além da nomeação de Tayana Dantas (Cidadania) para cargo comissionado na Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia, o Diário Oficial do Estado trouxe nesta sexta-feira a nomeação de dois ex-vereadores e candidatos a prefeito derrotados no mesmo município em 2020: um do PSB, partido de Renato Casagrande, e a outra do Republicanos, o mais novo “melhor aliado” do governo.

Gedson Merízio (PSB) era subsecretário estadual de Turismo até se desligar para concorrer à Prefeitura de Guarapari em 2020. Agora volta para a máquina, no cargo comissionado de assessor especial da Secretaria de Estado de Governo. Já Fernanda Mazzelli (Republicanos), após também perder em Guarapari, assume o cargo comissionado de gerente da Secretaria de Estado de Trabalho, Assistência e Desenvolvimento Social.

FALANDO EM NOMEAÇÕES...

De acordo com as emissões, em baixíssima frequência, da “Rádio Vila Velha”, quem anda aborrecido com o prefeito Arnaldinho Borgo (Podemos) é o ex-presidente da Câmara, Ivan Carlini (DEM). Don Ivan VI, pelo que se comenta, está se sentindo abandonado, desprestigiado e desfavorecido pelo prefeito na partilha das centenas de cargos comissionados existentes na prefeitura. Tem visto Arnaldinho contemplando muitos aliados e apoiadores, mas resistindo em atender às suas indicações pessoais para o preenchimento de vagas.

Como é notório na cidade, Ivan era o rei do “emplacamento de apadrinhados em cargos comissionados”, na gestão passada de Max Filho (PSDB) e também nas anteriores. Em 2020, no entanto, Ivan Carlini não se reelegeu.

FALANDO EM NOMEAÇÕES, EM VILA VELHA E EM MAX...

Conforme prometido desde o início de janeiro, quando fez um primeiro contato com Max Filho, o governador Renato Casagrande já conversou pessoalmente com ele sobre a conjuntura política estadual após as últimas eleições municipais. Um possível convite de Casagrande a Max para integrar sua equipe de governo continua sendo especulado, mas não há nada definido sobre isso.

FALANDO EM LONGOS REINADOS...

Falando em longos reinados políticos como foi o de Ivan Carlini na presidência da Câmara de Vila Velha (2009-2020), o presidente da Assembleia Legislativa, Erick Musso (Republicanos), prometeu ao governo apresentar um projeto de resolução que na prática revoga os seus atuais “superpoderes” como presidente do Legislativo estadual. Mas, em entrevista logo após sua recondução ao cargo no dia 1º de fevereiro, disse que isso poderá ser feito só após o carnaval. Ganhou tempo, e a pergunta é por quê.

FALANDO EM HIPÓTESE:

Enquanto perdurar a regra atual, Erick não precisa da assinatura de nenhum secretário da Mesa para realizar qualquer ato administrativo (inclusive nomeações e exonerações). Bastam a firma e a vontade dele mesmo. Pois bem: com três deputados eleitos prefeitos, suplentes recém-empossados, uma nova Mesa recém-eleita e todos os acordos que conduziram a esse desfecho, está aberta a temporada de troca-troca nos mais de 300 cargos comissionados vinculados à Mesa Diretora.

Enquanto estiverem valendo os “superpoderes e Erick”, ele poderá mexer em tudo isso por conta própria, determinando quem sai e quem chega sem consultar os dois novos secretários da Mesa (Dary Pagung e Alexandre Quintino).

FALANDO EM MEXIDAS NA ASSEMBLEIA...

Desde que deixou o cargo de diretor-geral da Assembleia para se dedicar à campanha eleitoral no ano passado, o presidente estadual do Republicanos, Roberto Carneiro, foi coordenador da campanha de Lorenzo Pazolini (Republicanos) em Vitória, depois coordenador da equipe de transição e, agora, secretário municipal de Governo. Enquanto isso, a direção-geral da Assembleia segue, interinamente, a cargo da subdiretora-geral, Tatiana Soares de Almeida.

Mas não será surpresa se, mais à frente, Roberto voltar ao cargo de diretor-geral da Casa de Leis.

A Gazeta integra o

Saiba mais

Se você notou alguma informação incorreta em nosso conteúdo, clique no botão e nos avise, para que possamos corrigi-la o mais rápido possível

Para melhorar a sua navegação, A Gazeta utiliza cookies e tecnologias semelhantes como explicado em nossa Politica de Privacidade. Ao continuar navegando, você concorda com tais condições.

Bem-vindo

A Gazeta deseja enviar alertas sobre as principais notícias do Espírito Santo.