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Comissionados

Arnaldinho dá cargo para 28 candidatos derrotados em Vila Velha

Prefeito nomeou 27 candidatos a vereador não eleitos em 2020 pela sua coligação (sendo 11 do seu partido). Também abrigou um vereador não reeleito, o pai de um vereador e a irmã de uma vereadora

Públicado em 

10 fev 2021 às 02:00
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

Arnaldinho deu emprego para pelo menos 28 candidatos a vereador derrotados em 2020
Arnaldinho Borgo deu emprego a pelo menos 28 candidatos a vereador derrotados em Vila Velha no pleito de 2020 Crédito: Amarildo
Alair de Santa Rita, Enfermeira Elizangela, Gracinha do Moqueca, Sargento Belenda, Wilson Serralheiro, Marcos Gaudêncio Mágico… Estão todos lá. Desde que tomou posse no dia 1º de janeiro, o prefeito Arnaldinho Borgo (Podemos) nomeou pelo menos 28 candidatos a vereador derrotados na eleição municipal de 2020 para ocupar cargos comissionados diversos na administração municipal de Vila Velha, com salários que vão de R$ 1,1 mil a R$ 9,4 mil, pagos pelo contribuinte. Cargos comissionados são aqueles preenchidos livremente pelo prefeito.
Usamos a expressão “pelo menos” pois é possível que haja outros, mas esses 28 nós conseguimos comprovar de maneira irrefutável, cruzando dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com os atos publicados no Diário Oficial de Vila Velha desde a posse do prefeito eleito em novembro do ano passado.
Do total apurado em nosso levantamento, 27 foram candidatos a vereador por um dos três partidos que fizeram parte da coligação eleitoral de Arnaldinho em 2020: o Podemos, o Solidariedade e o Partido Trabalhista Cristão (PTC).
Seis deles foram candidatos pelo Solidariedade, partido do vice-prefeito, Victor Linhalis. Outros dez foram candidatos pelo PTC. E nada menos que 11 dos novos comissionados foram candidatos pelo Podemos, o partido de Arnaldinho. Isso sem contar o vereador Anadelso, reeleito pelo Podemos, mas nomeado secretário municipal de Serviços Urbanos no início de janeiro.
O Podemos se destaca na lista por outros motivos. Na eleição municipal de 2020, o partido lançou chapa completa em Vila Velha, com 25 candidatos a vereador. Como dois deles conseguiram se eleger (Bruno Lorenzutti e Anadelso), estamos falando de um rol de 23 candidatos pela sigla de Arnaldinho que não tiveram êxito nas urnas.
Desses 23, nada menos que 14 foram nomeados para algum cargo por Arnaldinho desde que ele tomou posse. Além dos 11 que ganharam algum cargo comissionado na prefeitura, três deles foram designados como representantes em conselhos intersetoriais.
Portanto, mais da metade dos correligionários de Arnaldinho que disputaram a eleição à Câmara no ano passado foram favorecidos (ou recompensados) com alguma nomeação na prefeitura em pouco mais de um mês de mandato.
Considerando os três partidos que se uniram nessa chapa majoritária em Vila Velha (Podemos, PTC e Solidariedade), a coligação de Arnaldinho lançou 75 candidatos a vereador em 2020. Contando os 27 agora comissionados e os três agora titulares em conselhos, podemos afirmar que 30 deles já foram nomeados para algum espaço na máquina, ou seja, 40%.
Isso significa que, de cada cinco candidatos pela coligação, dois já foram acomodados em algum espaço na máquina.
A lista inclui Anderson de Oliveira Almeida, o Andinho, nomeado no início de janeiro para o cargo de ouvidor-geral da prefeitura (equivalente ao de subsecretário), com o maior salário de todos nessa relação: R$ 9.412,48. Vereador de 2013 a 2016 pelo MDB, Andinho foi candidato pelo PTC em novembro passado, mas não conseguiu voltar para a Câmara Municipal.
Outro ex-vereador que ganhou um espaço na gestão de Arnaldinho foi Waldomiro Montebeller. Conhecido pelo apelido de Mirim, ele foi vereador na legislatura passada (2017-2020). Em novembro, não conseguiu se reeleger. Concorreu pelo PSL – portanto fora da coligação de Arnaldinho. Mesmo assim, foi agraciado com o cargo de assessor adjunto na Secretaria Municipal de Obras, com remuneração bruta de R$ 4.471,39.
Tudo isso está comprovado e ilustrado na tabela a seguir.

IRMÃ DE VEREADORA, PAI DE VEREADOR...

Parentes de vereadores eleitos também obtiveram um encaixe na Prefeitura de Vila Velha. Com salário de R$ 1.721,63, Priscila Crizanto da Silva foi nomeada pelo prefeito para o cargo de assessora técnica da Secretaria Municipal de Saúde. Ela é irmã da vereadora Patrícia Crizanto (PSB), reeleita em novembro.
Já Edvaldo da Silva Vaz tornou-se assessor adjunto na Secretaria Municipal de Saúde, ganhando R$ 4.471,39 brutos por mês. Ele é o pai do vereador D’orleans Sagais (PV), eleito em novembro para o primeiro mandato.
Curiosamente, no dia 19 de janeiro, o pai de Sagais chegou a ser nomeado para outro cargo: assessor técnico na Secretaria Municipal de Serviços Urbanos, com remuneração de R$ 2.607,38. Mas logo no dia seguinte foi passado para o outro cargo, com um salário maior.
É importante registrar que a prática de nomear correligionários e apoiadores eleitorais em cargos de livre indicação política dentro da administração municipal não é nova nem foi inaugurada por Arnaldinho. Seu antecessor, Max Filho (PSDB), fez isso, assim como os antecessores dele no cargo. Trata-se, na verdade, de uma prática antiga e tradicionalíssima na política brasileira.
Cumpre ressaltar, entretanto, que o prefeito Arnaldinho Borgo foi eleito com discurso de promover a renovação política em Vila Velha, varrendo a “velha política” da cidade e introduzindo novas práticas.

“Pessoas técnicas, com capacitação profissional e grau de instrução para isso”

Procurada na tarde desta terça-feira (9) para se manifestar a respeito da lista de nomeações reproduzida acima, a assessoria de imprensa da Prefeitura de Vila Velha emitiu a seguinte nota oficial:

“O primeiro escalão do governo foi todo composto por pessoas técnicas, especialistas em suas áreas, que contribuirão com a gestão com suas experiências profissionais em funções bem-sucedidas. Eles atuarão em conjunto, em perfeita consonância com o prefeito e o vice, para sanar demandas reprimidas que impediam a cidade de atingir patamar de desenvolvimento social, econômico e logístico.

As demais camadas de hierarquia foram e estão sendo preenchidas, dentro do limite reduzido proposto pelo prefeito, por pessoas técnicas, com capacitação profissional e grau de instrução para isso, servidores inclusive com mestrado ou especialização em andamento na área afim, entre elas educadores, profissionais da saúde, engenheiros, administradores, operadores do direito. Outros que vão exercer a participação e diálogo com as comunidades dentro da gestão. Funções de confiança, que estão previstas no Art. 37 da Constituição Federal.”

Outro lado

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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