Após a queda nos casos de homicídios dolosos em 2025, o Espírito Santo abriu o ano sob uma onda de violência que deixou 88 mortos em janeiro — uma média de quase três assassinatos por dia.
Houve um acréscimo de 11 mortes em relação a janeiro do ano passado. A alta é ainda maior se comparada ao último mês de dezembro, quando 72 pessoas foram assassinadas — uma diferença de 16 vidas perdidas.
O crescimento foi impulsionado pela guerra de facções, principalmente na Grande Vitória, e já avança sobre fevereiro, que registrou três mortes violentas em suas primeiras 24 horas, segundo dados do Observatório da Segurança Pública.
“Considerando o nível de acirramento destas disputas pelo mercado de drogas e por territórios, se não fosse a atuação qualificada das forças de segurança, poderíamos até ter números maiores”, avalia Pablo Lira.
Ele é diretor-presidente do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), órgão do Estado responsável por produzir e analisar estatísticas socioeconômicas, demográficas e geográficas.
Repetição
Mas a análise dos dados, segundo Lira, mostra que este comportamento de crescimento na estatística também ocorreu no ano passado.
“Fechamos 2024 com 856 homicídios, 60 deles em dezembro. Em janeiro de 2025 houve aumento, com 77 casos. Mas nos meses que se seguiram, com o trabalho das forças de segurança, houve diminuição dos casos e chegamos ao final do ano passado com 762 homicídios”, relata.
Mas há um fator novo em 2026 que pode dificultar o trabalho para a retomada do cenário de redução: a data do carnaval.
No ano passado, o período que atrai turistas e ocasiona um maior número de aglomerações nas cidades ocorreu em março, ao contrário deste ano, que será na segunda quinzena de fevereiro.
“No ano passado houve um respiro entre o fim da temporada de férias e o carnaval, período que requer uma atenção dobrada das forças de segurança”, observa Lira.
Desafio que se estenderá ao longo do ano por outros fatores, como a realização de jogos de futebol da Copa e as eleições. “As forças de segurança já estão atuando em uma repressão qualificada com o objetivo de reverter esta tendência de aumento dos homicídios dolosos e se preparam para os demais meses”, assinala.
Lira destaca que a tecnologia tem sido um aliado importante para reduzir a criminalidade, com uso de reconhecimento facial de criminosos, drones, cerco inteligente e totens, aliado aos investimentos em efetivo para as corporações.
“Mas, à medida em que vamos reduzindo o número de homicídios, o cenário vai ficando cada vez mais desafiador. Somos um dos poucos estados onde há disputas entre facções e com redução de mortes violentas”, finaliza.
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