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Decisão

Justiça do ES não afasta policial suspeito de vazar dados para o tráfico

Decisão diz que não há informações de continuidade das supostas práticas; advogada que também foi denunciada  continuará trabalhando

Publicado em 25 de Setembro de 2025 às 03:39

Públicado em 

25 set 2025 às 03:39
Vilmara Fernandes

Colunista

Vilmara Fernandes

faccção colatina
Crédito: Arte - Sabrina Cardoso com Microsoft Designer
A Justiça do Espírito Santo decidiu não afastar de sua função pública o policial civil Theruinter Zaché de Oliveira. Também foi negado o pedido de suspensão do exercício da atividade profissional da advogada Natália dos Santos.
O texto ministerial aponta ter havido comprometimento de uma operação policial, afetando o cumprimento de mandados judiciais, favorecendo a destruição de provas e a ocultação de materiais como armas, drogas, entre outros materiais (veja abaixo).
Em sua decisão o Juízo da 1ª Vara Criminal de Colatina argumenta que os fatos denunciados ocorreram entre novembro de 2022 e março de 2023. “Não havendo notícia de reiteração ou de continuidade das supostas práticas após essa data. Assim, a medida cautelar postulada não encontra respaldo em risco atual”.
O policial está atuando na Delegacia de Polícia de Marilândia. “Em município diverso, circunstância que reforça a desnecessidade da medida cautelar pleiteada”.
Os mesmos argumentos também foram utilizados em relação a advogada, acrescentando que impedi-la de atuar representaria "risco de indevida criminalização do exercício da advocacia; e o prejuízo direto aos clientes que constituíram a denunciada como defensora”. E foi negada a suspensão do exercício da advocacia.
Foram estabelecidas algumas medidas a serem cumpridas pelos dois. São elas:
  • Não se ausentar da cidade sem autorização
  • Manter o endereço atualizado e comparecer a todos os atos processuais quando convocado
  • Proibição de contato interpessoal como outro investigado e testemunhas
O nome dos denunciados está sendo divulgado porque o Juízo da 1ª Vara Criminal de Colatina suspendeu o sigilo que havia sobre o processo.

O que dizem as defesas

O advogado Gilberto Bergamini Vieira faz a defesa do policial civil. Por nota, informa que as condutas narradas pelo Ministério Público não são verdadeiras e que desconsideram informações presentes no processo. E cita que apurações realizadas pela Polícia Civil não indicaram indício de crime ou irregularidade administrativa praticada por Theruinter.
“Ressalta-se, inclusive, que a apuração administrativa em primeira instância, o isentou de qualquer responsabilidade e opinou pelo arquivamento dos autos”, informa.
Na sequência o advogado acrescenta que Theruinter é policial condecorado. “Com diversos elogios em sua ficha funcional, pelos excelentes serviços prestados à comunidade, continua inclusive desempenhando sua função pública em delegacia deste Estado”. E finaliza informando que sobre o conteúdo das acusações presentes na denúncia, irá se manifestar no processo.
Natália é representada pelo advogado Carlos Pagiola. Ele relata que a Justiça aceitou os argumentos da defesa para que não fosse suspenso o direito dela continuar advogando.
“Temos convicção da absolvição da Natália, que tem uma conduta ilibada. E temos informações de que uma investigação interna da Polícia civil constatou a inexistência de vazamento de informações”, disse Pagiola.
Também atuam na defesa de Natália as advogadas Emmanuelle Vieira Silva e Jamille Racanelli Nespoli.

Policial foi transferido

Por nota, a Polícia Civil informa que a investigação sumária segue em andamento na Corregedoria da instituição.
Acrescenta que no último dia 16, o servidor foi transferido para a Delegacia de Polícia (DP) de Marilândia. "Continua exercendo suas funções, uma vez que as investigações seguem em andamento".

O que aconteceu

A operação afetada pelo suposto vazamento de informações foi executada em abril de 2023. Na ocasião foram detidas 24 pessoas. A expectativa era de que fossem presas 30 pessoas em cumprimento de mandado de prisão, mas só 21 foram localizadas. Outras três foram presas em flagrante.
O relato ministerial é de que a divulgação das informações teria ocorrido entre 2022, quando a operação ainda estava sendo preparada e em fase sigilosa, até meados de 2023.
No período, segundo o texto judicial, Theruinter teria passado a fornecer informações sigilosas extraídas diretamente das investigações para a advogada.
“De posse dessas informações, Natália, plenamente ciente da origem ilícita dos dados e da sua natureza sigilosa, teria transmitido a terceiros diretamente interessados”, é relatado  na decisão, acrescentando que os dados eram repassados para um dos principais alvos da investigação.
Outro ponto informado à Justiça trata de um suposto relacionamento extraconjugal entre o policial civil e a advogada quando os fatos ocorreram.
Entre o que teria sido compartilhado estaria a existência de mandados de prisão, data de realização da operação, quem eram os investigados e até como as apurações estavam evoluindo.
Ainda assim ela foi realizada e, a partir dos dados obtidos, foi possível obter mais informações que auxiliaram nas investigações, feitas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, o Gaeco Norte.

Vilmara Fernandes

É jornalista de A Gazeta desde 1996. Antes atuou em A Tribuna. Foi repórter nas editorias de Política, Cidades e Pauta. Foi Editora de Pauta e Chefe de Reportagem. Desde 2007, atua como repórter especial com foco em matérias investigativas em diversas áreas.

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