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Luto

Na simplicidade, Casaldáliga era o bispo que pregava os direitos humanos

Seu legado é de um tamanho sem fim. As sementes que jogou nos terrenos por onde passou frutificaram e foram, e ainda serão, capazes de produzir potência de luta para uma vida em abundância para todas e todos

Públicado em 

15 ago 2020 às 05:00
Verônica Bezerra

Colunista

Verônica Bezerra

Dom Pedro Casaldáliga era bispo emérito
Dom Pedro Casaldáliga era bispo emérito Crédito: Servicios Koinonia / Divulgação
Em 8 de agosto de 2020, Dom Pedro Casaldáliga, o bispo catalão da Prelazia de São Félix do Araguaia, Mato Grosso, aos 92 anos, fez sua Páscoa, deixando milhares de pessoas em luto, mas também um legado de luta por uma vida com todos os direitos fundamentais e sociais dos pobres, à luz do Evangelho.
Natural da Espanha, após percorrer a Europa e África em missão junto aos condenados dessa terra, erradicou-se no Brasil, em 1968, precisamente na região central do Brasil, à beira do Araguaia, onde enfrentou desafios enormes como ameaça de morte, atentados, a estrutura de poder do latifúndio e econômico e ainda vários processos de expulsão.
Acompanhou a dor do seu povo e ao lado dele completou seus dias, com estilo simples e abdicando das prerrogativas de bispo. Morava em uma casa singela de chão vermelho batido cercado de natureza. Usava roupas comuns ao invés de vestes eclesiástica, sua mitra era um chapéu de palha, seu anel era de Tucum, no lugar do báculo usava um cajado indígena e calçava sandálias, símbolo de seu episcopado.
Seu jeito de ser e sua opção por seguir à risca a Teologia da Libertação fez com que enfrentasse, até mesmo na própria hierarquia da Igreja Católica, tensões e incompreensões como bem registrou Marcelo Barros no prefácio de sua biografia.
Dom Pedro era poeta, e mesmo em meio as violações de direitos humanos que combatia, conseguia ver no olhar do outro o Cristo e potencializar aqueles que desfrutaram de sua presença e ensinamentos, por meio de versos que registrava a dor do povo, mas desvelava as belezas da vida. Ensinava, como bem registrou Ana Helena Tavares em seu livro “Um bispo contra todas as cercas”, que “a alegria traz em si uma chama revolucionária em meio a um mundo no qual os poderosos se regozijam da tristeza do povo”.
Sua existência nunca foi indiferente ao mundo, uns o amavam e o seguiam, outros o odiavam e queriam sua morte. Seu legado é de um tamanho sem fim. As sementes que jogou nos terrenos por onde passou frutificaram e foram, e ainda serão, capazes de produzir potência de luta para uma vida em abundância para todas e todos. Exortava que nunca podemos esquecer das causas da vida, em poema que significa a sua opção de vida nos lembrava: “Ser o que se é/ Falar o que se crê/ Crer no que se prega/ Viver o que se proclama/ Até as últimas consequências”.

Verônica Bezerra

Advogada, coordenadora de Projetos CADH, mestre em Direitos e Garantias Fundamentais (FDV) e especialista em Direitos Humanos e Segurança Pública

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