Sair
Assine
Sair
Entrar

Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Vidas interrompidas

Enfrentar o suicídio é uma travessia que não precisa ser solitária

Milhares de pessoas, na sua maioria jovens, interrompem a vida de forma abrupta, abdicando de sonhos, deixando um vazio e perguntas entre família e amigos, e fazendo com que os profissionais da área de saúde mental se debrucem sobre a questão

Publicado em 19 de Setembro de 2020 às 05:00

Públicado em 

19 set 2020 às 05:00
Verônica Bezerra

Colunista

Verônica Bezerra Verônica Bezerra
Jovem com sinais de depressão. Problema, se não for tratado, pode levar a atitudes extremas como o suicídio
Todos precisam estar atentos aos pequenos sinais e saber escutar os diferenciados pedidos de ajuda Crédito: Shutterstock
Quando o inverno é a estação permanente da alma. Quando a noite sem lua cheia é interminável. Quando a vontade é de não prosseguir a caminhada. Quando tudo parece estar em preto e branco. Quando nada tem mais importância. Esse é o momento em que uma rede pela vida, formada por familiares, amigos e profissionais da área de saúde mental, precisa entrar em ação antes que seja tarde demais, e uma vida seja interrompida.
Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) de 2014 indicam que, no Brasil o suicídio é considerado uma questão de saúde pública, e tem aumentado muito a sua ocorrência no meio da juventude. Pelos números trazidos pela OMS, 32 pessoas interrompem sua própria vida por dia, alocando o Brasil em 8º lugar em números de suicídios. Em 2016, contabilizou-se 6,1 suicídios por cada 100 mil habitantes, dando a média de que uma pessoa interrompe sua vida a cada 45 minutos. O Brasil é signatário do “Plano de Ação sobre Saúde Mental 2013-2020” da OMS, que tem objetivo de reduzir em 10 % a taxa de suicídio até esse ano.
Para fazer frente a esses números e cuidar dessa questão complexa e delicada da existência humana, o mês de setembro é destinado a uma campanha de prevenção. O trabalho do Setembro Amarelo foi iniciado em 2015, por iniciativa do Centro de Valorização da Vida (CVV), Conselho Federal de Medicina (CFM) e da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), considerando que desde 2003 o dia 10 de setembro é o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio.
A escolha da cor da campanha, de acordo a Associação Catarinense de Psiquiatria, teria sido adotada em alusão a história de Mike Emme, um jovem de 17 anos, do Colorado (EUA), que em 8 de setembro 1994 teria interrompido a sua vida dentro de seu Mustang amarelo.
Como alusão a essa questão, poderíamos pensar também na história de outro jovem, mas agora ficcional da canção "Dezesseis", do último álbum lançado pelo Legião Urbana, em 1996. A música narra a história de João Roberto (Johnny), o jovem de 16 anos que tem a vida interrompida durante uma “pega” em Sobradinho, enquanto dirigia seu Opala Azul.
Assim como Mike e Johnny, milhares de pessoas, na sua maioria jovens, interrompem a vida de forma abrupta, abdicando de sonhos, deixando um vazio e perguntas entre família e amigos, e fazendo com que os profissionais da área de saúde mental se debrucem sobre a questão na busca de respostas e indicando caminhos para a sua não ocorrência.
Para enfrentar essa questão, para além dos cuidados médicos e acompanhamento psicoterápico, a atenção por uma rede de proteção afetiva, composta por familiares e amigos precisa ser tecida. O cuidado com as relações, a atenção aos pequenos sinais e a escuta aos diferenciados pedidos de ajuda, é o que deve fazer aqueles que compõem essa rede. Pedir ajuda, conversar, se dispor ao acompanhamento do profissional da psicologia e psiquiatria é o movimento que a pessoa precisa se permitir, mesmo que não seja fácil e simples.
A dor da existência precisa ser lapidada sem ser destruída, com paciência e certeza de que é possível passar por ela. Essa travessia não precisa ser solitária para que se chegue aos “campos de morango para sempre”, como diz a canção de Renato Russo. E ter-se a consciência, os que estão no entorno, que “não foi o caminhão; nem a curva fatal; e nem a explosão [...]”. Prestar a atenção no outro é o caminho para reverter essa situação inerente à condição humana.

Verônica Bezerra

Verônica Bezerra Verônica Bezerra

É advogada, doutoranda em Ciências Sociais, mestre em Direitos e Garantias Fundamentais, especialista em Direitos Humanos e Segurança Pública

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Fumaça escura no Contorno do Mestre Álvaro, na Serra
Fumaça escura atrapalha motoristas no contorno do Mestre Álvaro
Incêndio no Morro São Francisco, em Vitória
Incêndio atinge área de mata em Vitória; veja as imagens
Imagem de destaque
O fazendeiro que quis abandonar o narcotráfico na Colômbia, mas não pôde

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados