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Mariana Reis é administradora de empresas e educadora física. É pós-graduada em Gestão Estratégica com Pessoas e em Prescrição do Exercício Físico para Saúde. Atua como consultora em acessibilidade e gestora na construção e efetivação das políticas públicas para a pessoa com deficiência em Vitória

Setembro Amarelo: por que precisamos falar sobre suicídio?

Com o lema “falar é a melhor solução", este mês faz um convite mais que necessário, pois temos que buscar um caminho para entender que dor tamanha é essa

Publicado em 08/09/2020 às 13h37
Atualizado em 09/09/2020 às 18h07
Jovem com sinais de depressão. Problema, se não for tratado, pode levar a atitudes extremas como o suicídio
Jovem com sinais de depressão. Problema, se não for tratado, pode levar a atitudes extremas como o suicídio. Crédito: Shutterstock

O mês de setembro nos alerta a pensar nas dores do outro. Uma dor que só é sentida por quem, em silêncio, tenta arquitetar a sua própria morte. No Brasil, são 12 mil suicídios por ano, segundo a Associação Brasileira de Psiquiatria. Um assunto que ninguém quer tratar ou falar. Um tabu, seja por questões religiosas, seja pelo medo, que ao falar, pode incitar pessoas que sofrem a pensarem no assunto. É sobre essa dor afetiva, psíquica que deveríamos lidar com todo cuidado.

Sofrer é natural, mas parece ser “proibido”

Cada um carrega suas peculiaridades dentro desse universo chamado vida e diante da qual pairam muitas dúvidas, culpas e tantas outras perturbações e sofrimentos que ninguém sabe como melhorar. É como se tivéssemos que ser felizes desenfreadamente a todo instante. Não podemos ficar tristes porque isso significa que estamos doentes e se essa tristeza vier com um sentimento de introspecção, aí você está frito e vira alvo de preocupação e pena. Se não for por um acontecimento trágico a tristeza não é permitida. É como se fôssemos obrigados a passar por cima de situações “pequenas” como rompimentos, perdas, angústias existenciais, carreira, fracassos, decepções. Devemos fingir que nada disso tem importância e sair sorrindo e fazendo sinal de paz e amor. Na correria louca do dia a dia não há espaço para sofrimentos.

Atenção, não se iluda

Quem frequenta redes sociais sabe o quanto somos bombardeados por uma fábrica de ostentação da felicidade. Foto de casais perfeitos, gente animada, que demonstra superação e compartilha frases de sucesso. Ninguém sofre e todos têm o emprego dos sonhos. Sem contar com os casamentos perfeitos. Fico imaginando o quanto de angústia deve ter por trás daquelas fotos de festas, restaurantes e tanto consumo. Quantas lágrimas correrão nos olhos depois daquelas noites rodeadas de pessoas lindas e escovadas. Poucos entendem que a tristeza faz parte da existência e permitir vivê-la sem julgamentos perversos também é parte do processo. Precisamos estender a mão para o outro, abrir os ouvidos, oferecer um colo, um carinho, um silêncio.

Setembro Amarelo

Com o lema “falar é a melhor solução", este mês faz um convite mais que necessário, pois temos que buscar um caminho para entender que dor tamanha é essa. O 10 de setembro entrou para o calendário como o dia mundial de prevenção ao suicídio. Pesquisas apontam que falar sobre os sinais de alerta e sobre onde buscar ajuda é essencial para diminuir o grande número de mortes. O medo e o estigma de que o suicídio é um pecado ou até mesmo um ato covarde, afasta quem está pensando nessa possibilidade de se abrir e receber ajuda.

Mariana Reis

Colunista

"Pesquisas apontam que falar sobre os sinais de alerta e sobre onde buscar ajuda é essencial para diminuir o grande número de mortes"

Os sentimentos devem ser prioridade

O mês já está aí e se vai rápido, mas a reflexão para esse tema não pode acabar. E aqui você tem um café quentinho, um ombro amigo, lágrimas para chorar juntos e até silêncio, caso precise. Eu respeito e tolero a sua dor. Suicídio é coisa séria e precisamos falar. Que tal parar e prestar atenção naquele amigo ou parente que está bem ali pertinho de nós querendo ser ouvido e não julgado, e fazer o que Caio Fernando Abreu diz: “um amigo me chamou para cuidar da dor dele, guardei a minha no bolso e fui”.

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