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Mariana Reis é administradora de empresas e educadora física. É pós-graduada em Gestão Estratégica com Pessoas e em Prescrição do Exercício Físico para Saúde. Atua como consultora em acessibilidade e gestora na construção e efetivação das políticas públicas para a pessoa com deficiência em Vitória

Que não nos falte coragem

Sempre lidei com o medo e com uma dose a mais de coragem. No trabalho, quando tinha que exigir coragem da atleta. E na vida, que por algumas vezes diante de um centro cirúrgico tive que aliar-me a ela.

Publicado em 25/08/2020 às 14h59
Atualizado em 25/08/2020 às 14h59
Pessoa com máscara contra a Covid-19
Essa saída me demandou pensamentos corajosos, além do kit antivírus. . Crédito: Divulgação/Governo de SC

Quero falar dessa coragem que todos nós experimentamos quando somos colocados para saltar do alto de um precipício. Dessa coragem que nos impõe a vida: “ou sobe ladeira a cima, ou escorrega ladeira abaixo". Sempre lidei com o medo e com uma dose a mais de coragem. No trabalho, quando tinha que exigir coragem da atleta para fazer uma acrobacia numa trave de 10 centímetros de largura. E na vida, que por algumas vezes diante de um centro cirúrgico tive que aliar-me a ela. Coragem para todos os fins, temos.

Não podemos vê-la. Mas em sua invisibilidade somos confrontados por situações reais, concretas, que nos exige esforço. Falo dessa coragem que nos faz suspirar como recompensa. Que flui. Depois de cinco meses em isolamento devido à covid-19, fiz minha primeira saída. Confesso precisei me preparar para aquilo que antes parecia óbvio mas que agora me exigia um único pensamento: coragem para ir além de resolver questões burocráticas da vida.

ABRACE O RISCO COM SEGURANÇA 

Essa saída me demandou pensamentos corajosos, além do kit antivírus. Com álcool 70, máscara N95 e óculos de proteção – sim, fico numa posição em que posso ser atingida facilmente por um jato de cuspe bípede. “O seguro morreu de velho”, já dizia minha mãe. Então, lá fui eu que, apesar do risco e da inevitável saída, mantive uma calma típica de um monge servindo chá.

Pelo caminho me entreguei ao que via pela janela do táxi. Observava o mar, sentia o vento levantar meus cabelos, via o movimento dos carros e pessoas passando e isso me deixava ainda mais concentrada e a insegurança ia perdendo espaço. Naquele momento, me vi capaz de colocar os pensamentos em ordem e compreendi que para realizar algo, seja em quais circunstâncias for, precisamos de doses extras para tolerar os riscos. E ali estava o maior e mais conscientes deles: o de me infectar.

PENSAR NO FUTURO EXIGE CORAGEM 

Durante o trajeto, pensei muito nos profissionais e trabalhadores que necessitam sair e dominar os riscos da sobrevivência e o de salvar vidas. A todos minha admiração e gratidão. Nosso futuro está encoberto pelos muitos riscos que enfrentamos hoje, não é mesmo? Risco de vida, riscos físicos, riscos mentais, riscos morais, riscos sociais. A vida tem nos empurrado para tantas direções diferentes que enxergar o futuro exige lentes de longuíssimo alcance, que pela janela do táxi não dava pra ver.

Mas foi possível ventilar a alma, já que a respiração encontra ainda barreiras. O tempo passou acelerado, abri caminhos para os sentimentos. Cheguei ao meu destino. Meus sentidos estão aguçados ao máximo novamente. Proteção para o invisível, oração para fluir os caminhos.

Senha em mãos, aguardo minha vez.

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