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Tarcísio Bahia

Como resolver os congestionamentos do Centro de Vitória

Nenhuma ação será por si só suficiente enquanto permanecer aquela enorme quantidade de veículos transitando pelo Centro apenas porque não têm outra opção viária

Publicado em 13 de Agosto de 2026 às 03:40

Públicado em 

13 ago 2026 às 03:40
Tarcísio Bahia

Colunista

Tarcísio Bahia Tarcísio Bahia

No mês passado, o arquiteto José Daher Filho publicou um artigo em A Gazeta cujo título já resume bem o conteúdo do texto: “O futuro do Centro de Vitória passa por uma nova Beira-Mar”.


Logo no início ele trazia uma questão essencial: “Como retirar o trânsito de passagem da Avenida Jerônimo Monteiro?”.


De fato, hoje o corredor viário do Centro acaba sendo utilizado majoritariamente por quem transita entre a parte norte e oeste da Grande Vitória, ou seja, um movimento pendular entre a Serra e a própria cidade de Vitória, de um lado, e do outro Cariacica, Viana e até alguns bairros de Vila Velha. A Serra, com distritos industriais, atrai uma massa de trabalhadores, assim como Vitória, com diversas instituições públicas, é destino de uma população que diariamente precisa resolver coisas.

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Tal situação provoca congestionamentos que acabam desanimando quem teria como destino exclusivo o Centro da Capital, região histórica dotada de potencial turístico-cultural.


Dias após o artigo de Daher ser publicado, a Prefeitura Municipal de Vitória (PMV) anunciou um ambicioso plano para revitalizar o Centro.


Trata-se do decreto nº 27.034 que instituiu o Programa de Reabilitação da Área Central (ReAC). Tal plano está estruturado em seis eixos: Alvará Automático e Fim da Burocracia, Apoio Financeiro para Reformas, Foco na Habitação de Interesse Social, Tolerância Zero com o Abandono, Proteção da Paisagem Histórica, e, por fim, Gestão Urbana Preditiva.


Não é a primeira vez que uma administração municipal divulga um plano de revitalização para o Centro de Vitória.


É certo que algumas ações foram realizadas, enquanto outras ficaram apenas na intenção. Como no caso das diversas tentativas frustradas em relação à retirada da fiação aérea, que polui a fachada do conjunto arquitetônico histórico do Centro.


Politicamente, todo novo plano ao ser anunciado se apresenta como inovador, e espera-se que assim seja. Estamos, portanto, na torcida para que agora ele dê certo. Mas também é comum planos serem apresentados em períodos políticos sensíveis, como às vésperas de uma eleição, ainda que desta vez ela não seja municipal.


Avenida Jerônimo Monteiro, Centro de Vitória
Avenida Jerônimo Monteiro, Centro de Vitória Ricardo Medeiros

O desafio é grande, e neste ponto cabe dizer que praticamente todas as capitais estaduais brasileiras vivem com o esvaziamento e até a deterioração dos seus centros históricos.


Ao contrário das cidades europeias, cujas áreas centrais são cada vez mais valorizadas, gerando o fenômeno da gentrificação, que é a expulsão da população pregressa de menor renda, a partir dos investimentos públicos e privados que valorizam a região e acabam elevando o preço da habitação local.


O esvaziamento dos centros históricos brasileiros iniciou-se com o zoneamento urbanístico modernista que previa separar a cidade em áreas específicas para moradia, para a indústria e o comércio, para o lazer e para a administração pública. A ideia, que inicialmente parecia boa, mostrou-se com o tempo uma enorme falácia.


Hoje já se sabe que o mix urbano proporciona uma cidade mais inclusiva e com menores deslocamentos diários. Mas na época em que o zoneamento urbanístico foi idealizado não se imaginava que as cidades cresceriam tanto, nem que haveria tantos veículos circulando nelas.


Voltando à questão levantada por José Daher (e também por mim no meu primeiro artigo publicado em A Gazeta em 1999 intitulado “Um futuro para o Centro de Vitória”), ao que parece, nenhuma ação será por si só suficiente enquanto permanecer aquela enorme quantidade de veículos transitando pelo Centro apenas porque não têm outra opção viária.

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O futuro do Centro de Vitória passa por uma nova Beira-Mar

A PMV decidiu fazer um mergulhão em Jardim Camburi que tem gerado imenso debate, pois muitos, como eu, acreditam que é uma obra desnecessária, afinal, mais adiante, no cruzamento das avenidas Dante Michelini e Adalberto Simão Nader haverá nova retenção de veículos.


Melhor seria, por exemplo, que fizesse um túnel entre o Saldanha da Gama e a Vila Rubim, retirando o tráfego de passagem da região central, algo que transformaria radicalmente o acesso ao Centro para aqueles que apenas querem se dirigir para ali. Tal túnel poderia ser subterrâneo (tal como fez o Rio de Janeiro na região portuária) ou pelo maciço central (opção provavelmente mais econômica).


Trata-se, obviamente, de uma proposta que ainda demandaria estudos técnicos e econômicos, e que não exclui o plano recentemente apresentado pela PMV. Mas o receio é que se gaste muito esforço e não chegue ao ponto nevrálgico da questão.

Tarcísio Bahia

Tarcísio Bahia Tarcísio Bahia

Arquiteto, professor da Ufes e diretor do IAB/ES. Cidades, inovação e mobilidade urbana têm destaque neste espaço

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