Sair
Assine
Entrar

Tarcísio Bahia

É uma boa ideia afrouxar tanto as regras para quem dirige veículos no trânsito?

O trânsito e a mobilidade fazem parte da vida das pessoas, apenas temos que ser mais criteriosos com quem faz uso de quaisquer tipos de veículo para se locomover

Publicado em 04 de Junho de 2026 às 04:30

Públicado em 

04 jun 2026 às 04:30
Tarcísio Bahia

Colunista

Tarcísio Bahia

Os números de acidentados no trânsito brasileiro são assustadores. E têm aumentado.

Segundo dados do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), as duas principais causas dos sinistros de trânsito são a falta de atenção do condutor, seguida de velocidade incompatível.


Com relação ao tipo de sinistro, em primeiro lugar está a colisão traseira e depois a colisão lateral. Sexta-feira, sábado e domingo são os dias em que mais ocorrem acidentes, muitos deles com vítimas fatais. E a grande maioria são em dias com tempo claro, sem chuva.


Numa conclusão rápida, pode-se dizer que os motoristas causadores de acidentes sempre acham que, apesar de conduzirem de modo imprudente e desrespeitando a sinalização e leis de trânsito, nunca se envolverão numa batida.

Veja Também 

Condomínios Minha Casa Minha Vida

Casa própria ou aluguel social: qual a melhor solução para o problema da moradia?

Imagem de destaque

Quantos carros mais cabem nas nossas ruas?

Imagem de destaque

Vamos voltar a desenhar?

Para se obter a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) que dá o direito de algum cidadão dirigir um veículo, é necessário passar por prova prática e teórica, que demonstrem, respectivamente, que a pessoa possui aptidão para conduzir e tem conhecimento da legislação de trânsito.

Daí a temeridade com que o Conselho Nacional de Trânsito vem tratando o assunto da formação dos novos motoristas.


Primeiramente, decidiu deixar de exigir as aulas práticas obrigatórias nos Centros de Formação de Condutores. A argumentação é até vexatória: baixar os custos para obtenção da CNH, pois há muitos condutores sem habilitação no Brasil. Ora, se alguém, por exemplo, pode ser proprietário de um veículo, um carro ou moto, como é que não consegue arcar com as despesas necessárias para tirar a carteira de habilitação? Ou seja, tais infratores simplesmente nunca se preocuparam em estar habilitados.


Não é raro ver em cidades do interior ou bairros periféricos de grandes cidades, onde a fiscalização muitas vezes é quase inexistente, pessoas andando de carro sem o uso do cinto de segurança, de moto sem capacete, e assim por diante.


E mesmo nas áreas centrais urbanas e nas rodovias federais que cortam o país, que são mais bem fiscalizadas, as infrações excedem a razoabilidade, ao ponto de vermos a enorme quantidade de acidentes que ocorrem diariamente.


Segundo dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF) houve mais de 6 mil óbitos em 2024, somente nas rodovias federais. Já no Espírito Santo, de acordo com dados do Centro Integrado Operacional de Defesa Social (Ciodes) e Detran/ES, foram 113 mortes em 2024 e 115 em 2025, ao passo que somente em cinco dias de maio deste ano ocorreram outras 16 vítimas fatais.

Motociclista morreu após acidente na ES 487 em Itapemirim, no Sul do ES
Motociclista morreu após acidente na ES 487 em Itapemirim, no Sul do ES Montagem A Gazeta | Divulgação/Polícia Militar

Cabe dizer que a maioria dos vitimados são motociclistas e jovens, situação que provoca não apenas traumas familiares, mas também um colapso nos hospitais e até mesmo na previdência social.


E com a chegada e enorme crescimento da frota das bicicletas elétricas, a quantidade de acidentes só vem aumentando. Não seria o caso de os condutores desse tipo de veículo também serem obrigados a realizar pelo menos prova teórica sobre as regras de trânsito? 


É comum vermos ciclistas circulando ora nas faixas de rolamento, ora nas calçadas (e em velocidade incompatível com a segurança dos pedestres), na mão e na contramão, uns com capacete, outros não...


E ainda no que se refere ao conflito com os pedestres, o fato de que as bicicletas elétricas sejam silenciosas, e cada vez termos mais pessoas desatentas caminhando olhando para a tela do celular, traz ainda mais risco nesse convívio de modais.


Por fim, outra questão que vem sendo tratada com preocupação é a renovação automática da CNH sem avaliação psicológica, o que fez com que a Associação Brasileira de Psicologia de Tráfego (ABRAPSIT), em conjunto com o Fórum de Entidades Nacionais da Psicologia Brasileira (FENPB), elaborasse um manifesto contra tal proposta contida na Medida Provisória nº 1.327/2025.


O trânsito e a mobilidade fazem parte da vida das pessoas, apenas temos que ser mais criteriosos com quem faz uso de quaisquer tipos de veículo para se locomover. O Maio Amarelo acabou, mas a vida continua.

Tarcísio Bahia

Arquiteto, professor da Ufes e diretor do IAB/ES. Cidades, inovação e mobilidade urbana têm destaque neste espaço

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Teste da picape Nissan Frontier Attack
Versão Attack da Frontier cumpre bem seu papel dentro da família da picape média da Nissan
Investimentos, reforma tributária, aplicação financeira, mercado financeiro
Para ganhar do CDI, esqueça o CDI
Imagem de destaque
A guerra do Pix — e por que, de novo, a razão está do nosso lado

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados