“Eu moro numa casinha de palha / Que fica de trás da muralha daquela serra acolá / Eu moro numa casinha de palha / Que fica de trás da muralha daquela serra acolá / De longe ela nos parece arruinada / Mas de perto ela é juncada de baunilha e manacá” (“Casinha de Palha”, Beto Guedes)


No livro do Gênesis, temos a história de Caim e Abel, os irmãos filhos de Adão e Eva. Caim era agricultor, enquanto Abel era pastor. Caim, portanto, morava numa casa fixa e, deste modo, era sedentário. Já Abel, ao ter que se movimentar constantemente com seu rebanho, vivia de maneira efêmera em tendas móveis.


Ao longo da história o homem sempre deu preferência à vida estável, sedentária, domiciliada, abrigando-se numa moradia permanente. E nisso o brasileiro não difere. Daí que o sonho da “casa própria” faz parte do imaginário da maior parte da população em nosso país.


Trata-se de um conceito que percorre tanto as famílias como nossos governantes, gerando a falsa ideia que essa é a única solução para a moradia das pessoas. Por que não morarmos de modo efêmero, tal como fez Abel? Voltaremos a esse ponto mais adiante.