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Lauro Ferreira Pinto

Que tal um banho de floresta para a sua saúde?

“Tocar a grama” é um mantra que tem sido usado com intuito de frear com o uso excessivo de dispositivos eletrônicos e voltar a se reconectar à natureza

Publicado em 07 de Maio de 2026 às 04:41

Públicado em 

07 mai 2026 às 04:41
Lauro Ferreira Pinto

Colunista

Lauro Ferreira Pinto

Durante a pandemia de Covid-19, cientistas italianos documentaram e publicaram um achado interessante: em áreas mais arborizadas das cidades, o número e gravidade dos casos causados pelo coronavírus eram menores que aqueles descobertos em áreas menos arborizadas, mesmo corrigindo pela densidade populacional


Na verdade, há um número razoável de cientistas que tem desenvolvido pesquisas investigando se o tempo maior gasto em florestas e na natureza pode proteger contra infecções como pneumonias e Covid-19 e, até, de outras doenças como asma, enfisema, bronquite e mesmo de câncer. 


“Tocar a grama” é um mantra que tem sido usado com intuito de frear com o uso excessivo de dispositivos eletrônicos e voltar a se reconectar à natureza. Os antigos celtas prescreviam tempo próximo a certas plantas para aliviar doenças específicas. No Japão, existe há muitas décadas uma prática conhecida como Shinrin-yoku ou banho de floresta. 

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Shinrin-yoku é uma imersão na natureza, usando os cinco sentidos para absorver o ambiente florestal: o efeito calmante não é apenas subjetivo. Qing Li é um imunologista que lidera o laboratório de pesquisa em floresta no Nippon Medical School em Tóquio e tem conduzido pesquisas nos últimos 30 anos. 


Ele conseguiu demonstrar redução de cortisol e adrenalina, da frequência cardíaca e pressão arterial em pessoas que fizeram uma imersão na natureza. Os cientistas japoneses entendem que os aromas da floresta são consequência de “fitoncidas”, compostos químicos que protegem as plantas de insetos, bactérias e fungos.  


Seus principais componentes seriam terpenos, que são compostos orgânicos voláteis que teriam ações benéficas para os mamíferos também. A concentração de terpenos na atmosfera nas florestas teria um pico na primavera, quando os “banhos de floresta” seriam mais benéficos para os seres humanos.

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As florestas são mais úmidas e com temperatura mais amenas que as cidades, graças ao vapor d´água liberado pelas plantas na fotossíntese. As altas temperaturas das cidades, combinadas com a poluição do ar, formam um smog que piora stress respiratório.


A Coreia do Sul também opera cerca de 76 “florestas terapêuticas”. A terapia florestal – caminhadas guiadas em ritmo lento e meditação em florestas –está integrada ao Serviço Nacional de Seguro Saúde coreano


Esses estudos, obviamente, têm fatores de confundimento (como os cientistas chamam o viés) fáceis de entender. As pessoas que procuram mais atividades ao ar livre junto à natureza tendem a se exercitar mais e ter menos uso de cigarro ou álcool. 


Mas, enfim, mais contato com natureza, mesmo “banho de floresta”, seguramente deve fazer mais bem do que ficar mergulhado em equipamentos eletrônicos.

Lauro Ferreira Pinto

Doutor em Doencas Infecciosas pela Ufes e professor da Emescam. Neste espaco quer refletir sobre saude e qualidade de vida na pandemia.

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