“Com muita paciência o rapaz me ofereceu / Um carro todo velho que por lá apareceu / Enquanto o Cadillac consertava, eu usava / O Calhambeque, bi-bi / Quero buzinar o Calhambeque/ Saí da oficina um pouquinho desolado / Confesso que estava até um pouco envergonhado / Olhando para o lado com cara de malvado / O Calhambeque, bi-bi / Buzinei assim o Calhambeque” (“O Calhambeque”, Erasmo Carlos, John Loudermilk, Gwen Loudermilk)
Lembro de quando nossos carros eram manuais, tanto no câmbio, como no acionamento dos vidros. Ar-condicionado era algo impensável, o jeito era deixar as janelas bem abertas ao sabor do ruído e da fumaça e poeira que inundavam o interior e seus ocupantes. Ah, e quanto à sonorização: rádios AM / FM, com leitores de fita K7 que costumavam ser furtados, razão pela qual surgiram modelos que permitiam que a gente desconectasse o aparelho do veículo e o levássemos conosco.
É claro que ainda há automóveis com câmbio manual rodando por aí, mas cada vez se vê menos.
Em 2025, foram quase 2 milhões de novos automóveis emplacados no Brasil e as projeções para este ano são estimadas em cerca de 2,5 milhões de carros vendidos que encherão nossas ruas e estradas.
Muitas estradas continuam esburacadas, com traçado antigo e sinuoso, pistas simples, itens que as deixam perigosas, aumentando o risco de acidentes graves. Aqui no Espírito Santo, por exemplo, a BR 101 sob concessão privada, possui apenas algumas partes duplicadas, apesar do anúncio recente de que novos trechos serão entregues nos próximos anos.
Já a BR 262 vai demorar ainda mais, pois a licitação visando as obras de duplicação dos vários trechos que compõem a rodovia ainda está para ocorrer. E, se tudo correr bem na licitação (caso não haja problema jurídico, recursos, etc.), já se sabe que a duplicação será algo demorado, considerando a dificuldade da obra numa região montanhosa e cheia de curvas.
E no caso das vias urbanas, tanto há aquelas com boa qualidade de pavimento (asfalto ou intertravado, e às vezes até concreto), assim como existem as que sequer possuem algum tipo de pavimentação, como é comum na periferia de muitas cidades Brasil afora.
Nossos veículos melhoraram muito, e não só os automóveis, pois mesmo os caminhões são hoje de extrema potência e com grande capacidade para o transporte de mercadorias, de tal modo que muitas vezes é até difícil ultrapassá-los numa rodovia, dado a velocidade e comprimento deles.
No caso específico dos carros, estamos vendo o aumento da frota de automóveis híbridos e elétricos, algo positivo para a poluição do ar e, consequentemente, para minimizar os efeitos do aquecimento global, sem falar na economia no bolso dos motoristas, afinal encher o tanque com gasolina não tá fácil.
O design também é algo a ser destacado, com linhas que fazem pensar que tais veículos saíram de filmes futuristas.
Além disso, os carros agora possuem computador de bordo informando o condutor sobre a situação do veículo e do percurso, facilitando enormemente o dia a dia do motorista. Câmeras de ré e até 360°, sensores de estacionamento, telas de central multimídia imensas, e uma série de outras facilidades fazem parte do pacote que equipam muitos dos carros circulando nas vias brasileiras.
Com tudo isso, deveria ser mais fácil trafegar pelas ruas urbanas e estradas que cortam o nosso imenso território. Mas não é o que ocorre.
As cidades estão cada vez mais engarrafadas, ao ponto de muitos motoristas gastarem boa parte do dia que deveria ser dedicado ao trabalho, ao estudo e até no lazer, no trânsito. E os congestionamentos não prejudicam apenas a rotina dos condutores, pois quem faz uso do transporte público coletivo também se vê preso no mesmo problema.
Muitas das obras recentes realizadas na Região Metropolitana da Grande Vitória apenas incentivaram que mais carros fossem pras ruas, numa falácia de que elas melhorariam a fluidez do trânsito.
Nenhum automóvel, por mais tecnologia que possua, consegue furar vias entaladas de veículos. Daí, o melhor a fazer é relaxar, montar uma boa playlist e ficar cantarolando enquanto espera a fila de carros adiante começar a andar.
Que tal começar pelo rei Roberto Carlos, já que ele tá vindo aí pra cantar na sua terra natal?