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José Carlos Corrêa

Um novo futuro para o Centro de Vitória

Ao caminhar pelas ruas do centro me emociono quando percebo alguma iniciativa que procura romper o ciclo da decadência

Publicado em 31 de Julho de 2026 às 04:15

Públicado em 

31 jul 2026 às 04:15
José Carlos Corrêa

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José Carlos Corrêa José Carlos Corrêa

Como ex-morador do Centro de Vitória, guardo na memória boas lembranças da época na qual a vida social, política e econômica do Espírito Santo pulsava em torno da Praça 8 de Setembro. Ali se realizavam os grandes comícios das campanhas eleitorais. A Assembleia Legislativa abrigava os debates e as votações mais importantes que decidiam os destinos do Estado. 


O comércio mais intenso se dava na Avenida Jerônimo Monteiro, onde também estavam as agências bancárias de maior porte. O Centro do Comércio do Café, na Praça Costa Pereira, era o maior ícone da nossa economia.


Acompanhei de perto o esvaziamento progressivo do nosso centro histórico. Saíram a Assembleia, o Tribunal de Justiça, a Prefeitura, a Câmara Municipal, as faculdades, inúmeras repartições públicas, os profissionais liberais. 

Obras de requalificação da Praça Ubaldo Ramalhete, no Centro de Vitória
Obras de requalificação da Praça Ubaldo Ramalhete, no Centro de Vitória Fernando Madeira

O Parque Moscoso deixou de ser o endereço das famílias mais abastadas. Os bailes do Álvares Cabral se mudaram para Bento Ferreira. Também foi para longe boa parte do comércio e dos serviços e, com eles, os bancos. Ficaram, solitários, o Palácio Anchieta, a Catedral Metropolitana e o patrimônio histórico. Segundo a Prefeitura, o centro, que já abrigou 30% da população da capital, hoje só tem 10% dos moradores.


Ao caminhar pelas ruas do centro me emociono quando percebo alguma iniciativa que procura romper o ciclo da decadência. Aplaudo a nova academia de ginástica. O Mercado da Capixaba e o Sesc Glória reconstruídos. A restauração do Carlos Gomes. A utilização dos armazéns portuários voltados para a cultura e o turismo. A construção da ciclovia do cais do porto. 


E me entristeci quando a Câmara Municipal desistiu de se mudar para o Edifício Castelo Branco por ter a Caixa Econômica Federal recuado na desocupação do prédio recém-invadido pela organização intitulada Movimento Nacional de Luta pela Moradia (MNLM), situação, aliás, que perdura até hoje, infelizmente, sem qualquer solução.


Por isso, recebo com satisfação a notícia de que a Prefeitura Municipal de Vitória continua empenhada em dar continuidade à revitalização do centro. Tanto que, após contratar, em 2024, um plano estratégico de requalificação urbana do local, objetivando melhoria na infraestrutura, aumento da segurança, atração de investimentos, valorização e melhor qualidade de vida para os moradores, anuncia o início de implantação do Programa de Reabilitação da Área Central (ReAC).

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O programa prevê a viabilização de 11 mil novas moradias e a atração de 27,5 mil moradores e R$ 6 bilhões em investimentos. Isso ocorreria com facilidades no licenciamento de obras, transferência de potencial construtivo e estímulos para habitações sociais. 


De acordo com o programa, o proprietário que investir na preservação de um imóvel histórico no centro, além de celeridade no licenciamento, terá a possibilidade de converter 100% do potencial de construção do lote em um certificado que pode ser vendido a terceiros para uso em outras áreas. 


A Prefeitura acredita que, com as medidas, possa atrair, além de habitações populares, centro de convenções, bares, restaurantes, lojas de grifes, escritórios, startups e hotéis.


O novo programa já foi oficializado através de decreto da prefeitura publicado no dia 20. Ele se junta a obras importantes anunciadas anteriormente como a revitalização das ruas Gama Rosa e Sete de Setembro, já em andamento, e o aproveitamento dos Edifícios Getúlio Vargas (antigo IAPI) e Jerônimo Monteiro (na avenida do mesmo nome) para abrigar moradias populares


Renasce novamente em nossos corações a esperança de que o centro da cidade volte a ser presença importante na vida dos capixabas. Será?


José Carlos Corrêa

José Carlos Corrêa José Carlos Corrêa

É jornalista. Atualidades de economia e política, bem como pautas comportamentais e sociais, ganham análises neste espaço

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