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Caixa e Câmara de Vitória não chegam a acordo sobre prédio ocupado no Centro

Caixa e Câmara de Vitória não chegam a acordo sobre prédio ocupado no Centro

De acordo com o presidente do Legislativo da capital, banco teria solicitado que, antes de mudarem a sede para Edifício Castelo Branco, vereadores providenciassem moradia para famílias que ocupam o espaço

Publicado em 2 de outubro de 2025 às 18:33

Antiga sede do TRT, em Vitória
Edifício Castelo Branco, no Centro de Vitória, pertencente à Caixa Crédito: Ricardo Medeiros

Após meses de negociação, a Câmara de Vitória e a Caixa Econômica Federal não chegaram a um acordo para a cessão de imóvel no Centro para ser a nova sede da Casa de Leis. Assim, a estrutura do Legislativo deverá ser mantida no prédio original, em Bento Ferreira, por enquanto. A informação foi dada pelo presidente do Legislativo municipal, vereador Anderson Goggi (PP). O banco disse, em nota, que não comenta negociações em andamento.

O Edifício Castelo Branco, alvo do interesse da Câmara, é o mesmo que foi ocupado por famílias do Movimento Nacional de Luta por Moradia (MNLM) no Espírito Santo, desde o dia 6 de setembro. Anderson Goggi disse que esteve em Brasília na quarta-feira (1º) para tentar fechar o acordo com a Caixa, que estava em discussão há seis meses. Mas, segundo ele, a contrapartida solicitada pelo banco seria que o Legislativo providenciasse moradia para as famílias que estão no espaço.

"É muito ruim dar moradia para quem invadiu prédio. É abrir brecha para novas invasões e uma falta de respeito com as pessoas que estão na fila, se a gente passar os invasores na frente. Eu disse que, nessas condições, não teria como negociar e, então, a Caixa disse que não teria previsão para fechar o acordo. Entendi que não querem ceder mais para a gente", afirma Goggi. 

Nesta quinta-feira (2), a Prefeitura de Vitória sancionou a lei que prevê multa de até R$ 50 mil a pessoas que invadem propriedades públicas e particulares na cidade. O projeto foi elaborado pelo Legislativo da Capital e apresentado justamente após a ocupação do prédio da União que a Casa de Leis tem interesse em usar como nova sede.

No dia 10 de setembro, a Justiça Federal havia determinado a reintegração de posse do Edifício Castelo Branco. No entanto, a desocupação foi suspensa no dia 24 do mesmo mês, em nova decisão judicial, atendendo a um pedido da própria Caixa, que alegou estar em processo de negociação com o grupo para uma desocupação voluntária e pacífica.

Plano

O presidente acreditava que a mudança pudesse ser concretizada até o final deste ano, como projetou em entrevista para a colunista Letícia Gonçalves. A ideia de ir para o Centro de Vitória era uma tentativa de revitalizar a região, que perdeu relevância com o movimento de saída de repartições públicas. 

O coordenador do Movimento Nacional de Luta por Moradia (MNLM) no Espírito Santo, Valdeni Ferraz, afirma que não sabe o motivo pelo qual a Caixa não teria entrado em acordo com a Câmara Municipal, mas não acredita que tenha relação com a ocupação. Até porque, segundo ele, a instituição também espera que as famílias desocupem o espaço de maneira voluntária.

"O fato de não ter cedido (à Câmara) não significa dizer que está entregando o prédio para a gente. A ocupação não foi para tomar o prédio, mas para pressionar o governo federal", pontua.

Questionado se o objetivo é transformar o Edifício Castelo Branco em moradia popular, Valdeni Ferraz disse que a mobilização é por garantir casa às famílias — hoje são 78 no imóvel —, não necessariamente no espaço ocupado. 

O MNLM solicitou uma audiência à Caixa, na tentativa de estabelecer uma negociação em prol dessas famílias. No entanto, Valdeni reconhece que a maioria não possui cadastro na Prefeitura de Vitória para se habilitar em programas municipais. Valdeni explica que são pessoas que trabalham em horário comercial e não têm disponibilidade nem dinheiro para fazer o deslocamento até a sede do Executivo. Por outro lado, o coordenador do movimento afirma que as famílias poderiam receber representante da administração municipal na ocupação. 

Futuro da Câmara

Goggi, que já havia pensado na possibilidade de construir uma nova sede antes de surgir a opção de cessão do prédio da Caixa, disse que essa medida não deverá ser tomada por ora, por uma questão de contenção de despesas, embora a Câmara precise de mais espaço e também ter uma estrutura que garanta acessibilidade. 

A princípio, se o impasse com a Caixa realmente não se resolver, a Câmara deverá passar por reforma pontual, já que não é possível fazer muitas modificações por se tratar de um prédio tombado. Esses são aspectos que ainda vão ser analisados pela Casa de Leis. 

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