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Crítico de cinema e colunista de cultura de A Gazeta

"WandaVision": série Marvel no Disney+ é esquisita e divertida

Primeira série da Marvel no Disney+, "WandaVision" é uma estranha e ousada sitcom familiar protagonizada pela Feticeira Escarlate e pelo Visão, mas há um mistério no ar

Vitória
Publicado em 14/01/2021 às 20h30
Atualizado em 14/01/2021 às 20h30
Elizabeth Olsen e Paul Bettany na série
Elizabeth Olsen e Paul Bettany na série "WandaVision", do Disney+. Crédito: Disney/Divulgação

“WandaVision”, que chega nesta sexta-feira (15) ao Disney+ com dois episódios, é diferente de tudo o que a Marvel já fez, para o bem e para o mal. A primeira série original do Universo Cinematográfico Marvel para a plataforma de streaming, como os trailers já indicavam, é estranha, com texto inteligente e misteriosamente trágica - afinal, como quem acompanha o universo bem sabe, Visão morreu ao fim de “Vingadores: Guerra Infinita”.

Situada após os acontecimentos de "Vingadores: Ultimato", o último grande filme-evento da Marvel, “WandaVision” tem ambientação inicialmente similar à da HQ “Visão”, de Tom King, mas a série é bem menos convencional do que a excelente história em quadrinhos.

Sem entrar em spoilers, “WandaVision” é quase um sitcom familiar com Visão e a Feiticeira Escarlate como protagonistas. Com cerca de 30 minutos de duração por episódio (pelo menos nos três primeiros), a série se dedica ao formato clássico que homenageia e nada se aprofunda no Universo Marvel, o que deve acontecer mais adiante na temporada.

Como manda o formato das comédias familiares americanas, os episódios são centrados em algum acontecimento doméstico que logo se torna a faísca para o humor. A diferença é que os personagens são dois dos seres mais poderosos do planeta. Cada um dos episódios liberados para a imprensa se passa em uma era e homenageia uma série americana clássica, uma escolha que confere uma dinâmica diferente, mas que também pode afastar quem não possui as referências de programas como “A Feiticeira”, “I Love Lucy” ou “A Família Brady” - uma homenagem pode rapidamente se tornar uma piada de pouca compreensão.

Elizabeth Olsen e Paul Bettany na série
Elizabeth Olsen e Paul Bettany na série "WandaVision", do Disney+. Crédito: Disney/Divulgação

O principal atrativo de “WandaVision” é, obviamente, sua ligação com o resto do universo Marvel. A série tem uma estranheza que funciona como um charme e deixa a impressão de que tudo é possível naquele ambiente. A que estamos assistindo, afinal? Mesmo sendo uma comédia, a série tem um quê de suspense na maneira como guarda seu segredo. Algumas pistas sinistras vão sendo inseridas no meio da narrativa, normalmente deixadas como gancho para o próximo episódio.

Como a Feiticeira Escalarte dos quadrinhos tem o poder de alterar a realidade (capacidade bem explorada na saga “Dinastia M”), o roteiro ganha diversas possibilidades a serem exploradas. Ela e Visão podem tanto estar presos em uma realidade alternativa, sem saber ao certo o porquê, quanto estarem em um mundo intencionalmente criado por Wanda para permanecer com seu saudoso amado.

Elizabeth Olsen e Paul Bettany na série
Elizabeth Olsen e Paul Bettany na série "WandaVision", do Disney+. Crédito: Disney/Divulgação

O início de “WandaVision” é deliciosamente esquisito e garante um frescor ao universo Marvel, que, mesmo sem nenhum novo produto nos últimos 18 meses, vinha apresentando um certo desgaste na fórmula. Os episódios iniciais não entregam muito, mas tampouco são vazios - Elizabeth Olsen e Paul Bettany estão ótimos, longe da dramaticidade de seus personagens nos filmes, compram a esquisitice da série e entram na brincadeira que ela oferece. A grande questão é saber para onde o texto vai levar os personagens e suas histórias pregressas.

É bom ver a Marvel ousando e apostando em narrativas não-formulaicas, característica que provavelmente será aproveitada por “Falcão e o Soldado Invernal”, que estreia em 19 de março também no Disney+. “WandaVision” ensaia a conexão de toda essa estranheza com os filmes dos Vingadores e cia., algo que a ainda mais estranha “Legion” (produzida pela Fox), por exemplo, nunca fez com o extinto universo dos mutantes da Fox.

Tendo visto apenas os episódios iniciais, ainda é cedo para dizer se a série é realmente tudo isso, mas tudo indica que sim. Como acontece em HQs como a já citada “Visão”, as tramas recentes mais originais envolvendo heróis são justamente as que fogem dos padrões. “WandaVision” mostra que a Marvel dos cinemas está pronta para fugir de sua bem estabelecida fórmula enquanto a DC tenta recriar a fórmula da concorrente em seus filmes.

disney Rafael Braz Marvel

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