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Crítico de cinema e colunista de cultura de A Gazeta

O que faz de "Invencível", da Amazon, a melhor série de heróis?

Já renovada para mais duas temporadas na Amazon Prime, "Invencível", ao contrário de seus pares, leva magia dos quadrinhos para as telas com trama sempre em movimento

Vitória
Publicado em 04/05/2021 às 01h09
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Série "Invencível", do Amazon Prime Video. Crédito: Amazon Prime Video/Divulgação

Quando “Invencível” foi lançada pela Amazon Prime Video, em março deste ano, escrevi sobre a série com o entusiasmo de quem havia devorado as 144 edições da HQ anos antes. Nos três episódios iniciais da primeira temporada, base utilizada para a análise inicial da série, elogiei todo o universo criado por Robert Kirkman e Cory Walker, mas critiquei algumas decisões da adaptação para a TV.

A série da Amazon inicialmente parecia se levar a sério demais, deixando de lado um pouco do humor do material original e preferindo se aprofundar na violência para se aproximar dos fãs de sucessos como “The Boys”. Essa impressão inicial felizmente se esvaiu à medida que a série foi se desenvolvendo com episódios semanais e se tornando de longe o melhor texto sobre super-heróis do momento, superando, em muito, sucessos como “Falcão e o Soldado Invernal”, “WandaVision” ou a já citada “The Boys”.

Já renovada para mais duas temporadas, “Invencível” tem muito espaço para seu desenvolvimento. Os oito primeiros episódios foram bem fiéis às HQs mesmo tendo adaptado um ou outro conteúdo e alterado a ordem cronológica de alguns acontecimentos para oferecer mais peso à narrativa. Apenas porque avisar nunca é demais, o texto contém pequenos spoilers da primeira temporada a partir deste ponto.

“Invencível” tem muito material a ser explorado na jornada de Mark e faz um ótimo trabalho na primeira temporada. Em contrapartida, o texto deixou de fora mais explicações sobre Nolan, ou Omni-man, guardando revelações para o último episódio, mas ainda deixando material a ser explorado nos próximos arcos. Na HQ, as motivações do viltrumita para ter defendido a Terra durante tanto tempo são bem mais claras e explicadas com muito mais calma, o que talvez não funcionasse na urgência de um episódio final de temporada.

Provavelmente também por efeitos dramáticos, a série aborda pouco o quanto o tempo na Terra afetou o Omni-man - apenas a sequência de Mark jogando baseball entrou na narrativa, mas será o suficiente?

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Série "Invencível", do Amazon Prime Video. Crédito: Amazon Prime Video/Divulgação

Enquanto os fãs dos quadrinhos podem ter dado falta dessas explicações, quem nunca tinha ouvido falar de “Invencível” antes da série da Amazon com certeza se deliciou com a temporada inteira. Aos poucos, a violência foi ganhando outros contornos e acabou utilizada pelo roteiro para demonstrar o desprezo de Omni-man em relação à Terra e a superioridade de seu poder se comparado a qualquer outro herói… Ou algo do tipo.

Por mais que pareça um exagero, e realmente parece, a violência do episódio final de “Invencível” é fundamental para construir a humanidade de Mark em oposição ao desprezo sentido por seu pai, quase um deus definindo os rumos da humanidade. Os efeitos colaterais da batalha final são duros e nada amenizados, reforçando o lado humano da história. Essa característica é ainda mais sentido quando acompanhamos Debbie, mãe do protagonista, nos acontecimentos durante e pós-batalha.

Toda essa violência contrasta também com o senso de esperança que a série traz. Ao fim do oitavo episódio, o clima é respiro, alívio, otimismo pela batalha vencida - nem o rápido recorte mostrando todos os problemas que Mark deve enfrentar nos próximos anos são o suficiente para estragar o momento que ele divide com um Allen, um personagem que ainda vai crescer muito.

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Série "Invencível", do Amazon Prime Video. Crédito: Amazon Prime Video/Divulgação

Novamente ao contrário de “The Boys”, “Invencível” é uma série sempre em movimento, com seu protagonista em evolução constante e ganhando profundidade a cada combate vencido ou perdido. As marcas constroem Mark Grayson e o levam para outro ponto de desenvolvimento. Se opondo à outra violenta atração de heróis da Amazon, a animação usa a violência em função da narrativa e não apenas como um fetiche, um estilo.

A primeira temporada de “Invencível” cobre as 23 primeiras edições da HQ com algumas mudanças, mas sem nenhum comprometimento à sua essência. A animação possibilita que “Invencível” se assuma uma história em quadrinhos, fugindo, assim, dos problemas que afetam obras como “The Boys”, que sofrem com excesso de efeitos especiais ou com uma necessidade de parecer real, se distanciando, por isso, de seu material original.

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Série "Invencível", do Amazon Prime Video. Crédito: Amazon Prime Video/Divulgação

Em outra comparação, “Invencível” se destaca diante de “Falcão e o Soldado Invernal” e “WandaVision”, ambas da Marvel/Disney, justamente pela ousadia possibilitada por não carregar essas duas marcas gigantes em sua assinatura - com a única expectativa de agradar os fãs de um quadrinho nada convencional, a série ganha liberdade e possibilidades infinitas dentro de um universo muito amplo.

Em “Invencível” o que vemos em tela é o universo criado por Kirkman e Walker agora em movimento, uma obra que faz questão de lembrar o espectador da fantasia das histórias em quadrinhos, algo nem sempre lembrado pelos produtores que optam pelas fórmulas pré-estabelecidas do sucesso.

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