Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Crítica

"Din e o Dragão Genial", da Netflix, é divertido e afetuoso

Animação lançada pela Netflix reinventa a história do gênio da lâmpada de maneira divertida e a leva para a China contemporânea

Publicado em 16 de Junho de 2021 às 21:12

Públicado em 

16 jun 2021 às 21:12
Rafael Braz

Colunista

Rafael Braz Rafael Braz
Filme
Filme "Din e o Dragão Genial", da Netflix Crédito: Netflix/Divulgação
A comparação é inevitável e os produtores nem fazem questão de afastá-la: “Din e o Dragão Genial” é uma atualização da clássica história de “Alladin”, personagem de “As Mil e Uma Noites” transformado em animação e, posteriormente, em live-action pela Disney. Lançado pela Netflix, a animação da Sony Pictures Animation leva a história para a China, transforma a lâmpada mágica em um bule de chá, e o gênio, em um dragão capaz de conceder os famosos três pedidos.
Na animação dirigida por Chris Appelhans, um talentosíssimo ilustrador em seu primeiro filme como diretor, Din (Jimmy Wong) é um jovem de uma família pobre que sonha se reencontrar com Li Na (Natasha Liu Bordizzo), sua amiga de infância que se mudou do bairro quando eles ainda eram crianças. O pai de Li Na construiu um império e a jovem se tornou uma modelo conhecida na cidade, reforçando ainda mais o distanciamento entre a jovem e o esforçado Din, que trabalha como entregador das sopas da mãe e ainda faz uns bicos para aumentar a renda e se tornar “digno” de encontrar Li Na novamente.
Em uma dessas entregas, Din esbarra com uma figura estranha que o paga pela sopa com um misterioso bule. Não demora e o jovem descobre que dentro do bule vive Long, um dragão milenar capaz de realizar três desejos - pode ser a única chance que Din terá de se reconectar com Li Na, mas um artefato tão poderoso obviamente também é procurado por uma turma de vilões.
“Din e o Dragão Genial” se divide em duas dinâmicas: a construção da relação de Din com Long e as sequências de ação dos capangas em busca do bule. Long não entende como seu novo mestre não deseja o mesmo de todos os outros que o despertaram, ou seja, fortunas e poderosos exércitos. Mas Din é um jovem simples, envolto em muito afeto na comunidade em que vive e disposto a ver sempre o lado bom da vida.
Filme
Filme "Din e o Dragão Genial", da Netflix Crédito: Netflix/Divulgação
O dragão não era despertado há mais de mil anos, então boa parte do humor do roteiro se sustenta nos estranhamentos com a contemporaneidade - carros, aviões, ônibus, telefones celulares, costumes… Ajuda o fato de John Cho encarar o personagem com uma pegada meio Robin Williams, que viveu o gênio no “Alladin” de 1992, com um tempo de humor impecável e se permitindo ser ridículo mesmo quando se leva a sério.
“Din e o Dragão Genial” também se sai bem em seu outro pilar de sustentação, as lutas, com sequências capazes de orgulhar Jackie Chan, um dos produtores do filme e dublador de Long na versão original. A turma de vilões, mesmo sem nenhum desenvolvimento, tem carisma. O líder, um exímio lutador que (quase) nunca tira a mão do bolso, permanece o tempo todo com um ar ameaçador e misterioso, funcionando até melhor assim do que no momento em que tem mais tempo de tela.
O filme é uma tentativa da Sony/Netflix de abraçar o mercado asiático, a plataforma de streaming já havia acenado ano passado com "A Caminho da Lua", e curiosamente encontra em outro lançamento recente, “Raya e o Último Dragão”, uma temática parecida. Ao contrário do filme da Disney, uma jornada mais de encanto e aventura, “Din e o Dragão Genial” abraça lições contemporâneas de formações familiares e prioridades afetivas além de mostrar uma China moderna mesmo guardando suas tradições.
O problema do filme dirigido por Appelhans é sua falta de frescor. A inspiração em “Alladin” oferece conforto ao espectador, uma compreensão quase imediata da história, mas também arcos de poucas novidades para a maioria. Vale ressaltar que, ao contrário do gênio da lâmpada, Long ganha profundidade, uma história que o levou até aquele ponto; assim, se torna muito mais fácil entender toda a comoção e a identificação dele com os humanos. Essa história de fundo também torna o terceiro ato mais emotivo mesmo atropelado por sequências de luta que dão um ritmo de urgência à narrativa, mas nem sempre empolgam. Apesar do bom visual e dos embates criativos, falta ao filme um antagonista mais interessante.
Visualmente, “Din e o Dragão Genial” é bem eficaz. A animação é colorida, viva, e recria Xangai em detalhes, destacando os mundos distintos de Din e Li Na. Enquanto as periferias são mais calorosas, com tons mais quentes, o mundo dos mais afortunados é frio, cheio de tons metálicos que remetem a dispositivos tecnológicos e ao distanciamento.
“Din e o Dragão Genial” mistura piadas inteligentes a outras não muito sutis, mas que devem agradar à criançada. O filme é previsível e sua virada final não surpreende, mas ele não busca ser nada diferente disso - a história sobre o que realmente importa na vida garante conforto e desperta a memória afetiva oferecendo uma jornada interessante e atrativa.
Filme
Filme "Din e o Dragão Genial", da Netflix Crédito: Netflix/Divulgação

Rafael Braz

Rafael Braz Rafael Braz

Crítico de séries e cinema, Rafael Braz é jornalista de A Gazeta desde 2008. Além disso, é colunista de cultura, comentarista da Rádio CBN Vitória e comanda semanalmente o quadro Em Cartaz

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

O médico Marcio Antonio Leite Lima foi conduzido à delegacia na viatura da Guarda Municipal de Vila Velha
Médico é preso em flagrante suspeito de apontar arma para vendedor em Vila Velha
Homem fica ferido após ser esfaqueado em bar de Cachoeiro
Briga de bar termina com homem esfaqueado em Cachoeiro
Pessoas se reuniram no local após acidente que deixou mulher ferida na cabeça em Vila Velha
Mulher é atropelada por bike elétrica em ciclovia na Praia da Costa

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados

Fale com a gente

Escolha o canal de sua preferência para assinar A Gazeta ou tirar dúvidas.