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Crítico de cinema e colunista de cultura de A Gazeta

"Raya e o Último Dragão": uma encantadora aventura Disney

Animação lançada como conteúdo "premium" do Disney+, "Raya e o Último Dragão" é aventura positiva com uma princesa guerreira

Vitória
Publicado em 06/03/2021 às 21h40
Atualizado em 06/03/2021 às 21h40
Filme
Filme "Raya e o Último Dragão", do Disney+. Crédito: Disney/Divulgação

A instituição “Princesa da Disney” se transformou com o passar dos anos. Dos primórdios, com Branca de Neve, Aurora e Cinderela, passando por Pocahontas, Ariel até chegar a Mulan, Mérida, Moana ou até mesmo as irmãs Elsa e Anna, de “Frozen”, que muitos não consideram princesas por, na verdade, ocuparem o posto de rainhas. De mocinhas frágeis, esperando um amor para salvá-las, elas assumiram a ação e o controle de seus próprios destinos. No recém-lançado “Raya e o Último Dragão”, disponível no Disney+ pela bagatela de R$ 69,90, Raya representa mais uma etapa dessa evolução.

Logo em sua abertura, a animação já nos apresenta a seu universo, as lendas do sudeste asiático, terra onde antes havia Kumandra, uma grande nação de diferentes reinos que viviam em paz com os dragões, criaturas ligadas à natureza. Para salvar a humanidade de uma ameaça que transformava todos em pedra, os dragões se sacrificaram e reuniram seus poderes em uma poderosa joia - apenas Sisu sobreviveu e levou os créditos por livrar o mundo da ameaça, se tornando, assim, uma lenda.

Um dia, porém, a joia se quebra, trazendo de volta a antiga ameaça. Cabe à destemida Raya (Kelly Marie Tran) encontrar Sisu (Awkwafina), o último dragão, e juntar os fragmentos da joia para unir os reinos novamente e trazer de volta à vida aqueles que foram transformados em pedra.

Apesar da clássica jornada do herói, “Raya e o Último Dragão” faz escolhas narrativas interessantes. A primeira delas é que a protagonista já é uma ótima guerreira no momento em que a conhecemos. Assim, quando sua jornada realmente tem início, já sabemos do que ela é capaz. Isso possibilita ao roteiro não gastar tempo com as habituais sequências de treinamentos e aprendizado.

O filme dirigido por Paul Briggs e John Rippa tem uma estrutura bem definida: após trazer Sisu de volta, Raya deve se aventurar por cada um dos reinos para reunir os pedaços da joia e reestabelecer a paz entre as regiões, fazendo com que Kumandra deixe de ser uma utopia.

“Raya e o Último Dragão” tem uma mensagem de união e paz. É interessante perceber que o filme não tem um antagonista definido, não trata os diferentes como inimigos. Cada reino quer apenas o que entende ser melhor para si, inclusive o reino do Coração, o de Raya. Em cada região por que passa, a protagonista faz um novo aliado para sua aventura que tem o momento final quando Raya se depara com Namaari (Gemma Chan) em um bom clímax.

Com interpretações de atores asiáticos para todos os personagens, “Raya e o Último Dragão” é um filme sobre superar barreiras e diferenças. O roteiro, ao invés de trabalhar unicamente em função de sua mensagem, faz com que a mensagem crie a aventura. Cada reino traz uma surpresa diferente que altera a dinâmica entre os personagens e faz com que eles aprendam sobre a dor dos outros - eles não foram os únicos a sofrer quando muitos foram transformados em pedra.

A grande força do filme está justamente em seus personagens. Todos, de uma forma ou outra, são movidos pelo luto. Raya, a princípio meio turrona, ganha carisma quando encontra Sisu. A personificação do dragão quebra qualquer expectativa anteriormente criada. Sisu é divertida, apaixonada por cada descoberta que a vida proporciona e sempre confiando no lado bom das pessoas; foi a confiança, afinal, que a levou até ali. Cada aliado traz uma nova característica ao grupo de Raya e, com todos trabalhando juntos, eles são mais fortes para atingir o objetivo final.

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Filme "Raya e o Último Dragão", do Disney+. Crédito: Disney/Divulgação

“Raya e o Último Dragão” também é um primor técnico. A animação possibilita que o filme tenha a grandiosidade que falta, por exemplo, ao live-action de “Mulan”. Os combates são ótimos, os golpes têm peso e as cenas de ação transmitem ao espectador a urgência necessária, o sentimento de “tudo por acontecer” mesmo sabendo se tratar de um filme da Disney que raramente fará uma escolha muito ousada.

O filme se destaca, também, por sua criação de universo. Cada um dos reinos tem vida própria e características distintas - alguns prosperaram com o pedaço da joia enquanto outros apenas sofreram. O texto ainda trata a ameaça como um recorte do comportamento humano, ou seja, em tempos de paz entre as nações, a ameaça estaria controlada, mas quando o egoísmo e a maldade crescem, ela retorna para atormentar os reinos.

Ao fim, “Raya e o Último Dragão” é uma ótima aventura Disney, um filme positivo sobre relacionamentos, confiança e diferenças. Raya é uma personagem forte e com a qual as crianças podem se identificar. A escolha de lançá-lo como conteúdo pago (“premium”) dentro do Disney+, no entanto, é questionável e pode até afastar o grande público em um primeiro momento. A boa notícia é que o filme ficará disponível gratuitamente a partir de 23 de abril.

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