Crítico de cinema e colunista de cultura de A Gazeta

"A Sentinela": ação e vingança em bom filme da Netflix

Com apenas 80 minutos de duração, "A Sentinela" é uma urgente trama de vingança com boas cenas de ação

Vitória
Publicado em 05/03/2021 às 21h18
Atualizado em 05/03/2021 às 21h18
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Filme "A Sentinela", da Netflix. Crédito: Netflix/Divulgação

A Operação Sentinela, lançada pelo exército francês, consiste em soldados responsáveis pela vigilância anti-terrorismo espalhados pela França. Cabe a eles prever ataques e evitar que eles aconteçam. “A Sentinela”, lançado nesta sexta (5) pela Netflix, conta a história de uma soldado desse esquadrão, mas isso é só detalhes.

Quando o filme tem início, encontramos Karla (Olga Kurilenko) no meio de um conflito. Entre tiros, poeira, carros e prédios abandonados, ela presencia fatos que mudarão sua vida. Karla volta à França, agora parte da Operação Sentinela, mas com transtorno de estresse pós-traumático e lidando com o vício em opioides pesados para manter-se calma. Um novo acontecimento, porém, a coloca em modo de alerta e em busca de vingança.

Se o parágrafo anterior parece meio vago, é intencional - “A Sentinela” é um filme melhor aproveitado sem nenhum conhecimento prévio. Se possível, não leia nem sequer a sinopse da Netflix.

“A Sentinela” não é o que parece ser em um primeiro momento. A sequência inicial, com Karla no campo de batalha, é crua e violenta. Esse tom se mantém quando ela volta para a França, mas a pegada de “filme de guerra” se esvai. Aos poucos, o filme dirigido por Julien Leclercq se transforma em uma espécie de filme de Liam Neeson, ou seja, de um homem (uma mulher, no caso) contra o mundo em busca de justiça.

O lançamento da Netflix tem boas cenas de ação e não foge da violência, mas sabe dosá-la para utilizar seu impacto ao invés de banalizá-la em cena. Olga Kurilenko surpreende nas cenas de luta e convence como uma mulher traumatizada. É na construção do transtorno de Karla, inclusive, que “A Sentinela” se sai melhor - mesmo em ambientes tranquilos ou em situações facilmente controláveis, Karla extrapola ou tem crises de ansiedade. Depois do que ela vivem em conflito, todos podem ser suspeitos. Em um filme com poucos diálogos, a atriz se sai bem expressando os sentimentos de sua personagem.

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Filme "A Sentinela", da Netflix. Crédito: Netflix/Divulgação

O problema de “A Sentinela” é ser um filme repetitivo e de poucas novidades. Em sua busca por vingança, Karla se depara com um diplomata russo e seu filho, ambos com passaportes diplomáticos, como alvos. Com a polícia de mãos atadas, ela parte para fazer justiça a seu modo. Nesse ponto, o filme de Julien Leclercq torna tudo muito fácil para a protagonista, que na maioria das vezes encontra pouca ou até mesmo nenhuma resistência para chegar a seus objetivos.

Com 80 minutos de duração “A Sentinela” é um filme breve e urgente, o que funciona a seu favor, mas confere a ele um ar de piloto de série, uma impressão que é reforçada pela cena final. É como se Karla, a partir do que viveu, passasse e ser uma sentinela de outro tipo de ameça na França.

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Filme "A Sentinela", da Netflix. Crédito: Netflix/Divulgação

Por outro lado, a curta duração faz com que o filme se afaste de outras questões e arcos. O transtorno de estresse pós-traumático acaba sendo usado apenas para imprimir profundidade à personagem, sendo deixado de lado no momento que a vingança entra em operação. A virada final do roteiro, apesar da boa cena que proporciona, também é abrupta, sem tempo para ser desenvolvida ou mais bem trabalhada. A sequência é plenamente satisfatória, mas passa a impressão de estar deslocada no resto do filme.

Ao fim, “A Sentinela” é um thriller de ação competente, violento e com boas sequências de luta, mas é também um filme genérico. Olga Kurilenko se entrega à história de vingança e protagoniza boas cenas de ação, mas o roteiro se atropela e torna tudo muito “fácil” e repentino para a protagonista.

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