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Quarentena

Governança na pandemia: uma questão de vida ou morte no ES

O governo do Estado trabalha muito para conter o avanço do vírus. E reage com as medidas que lhe restam, diante de um presidente que virou as costas para seu povo

Publicado em 23 de Março de 2021 às 02:00

Públicado em 

23 mar 2021 às 02:00
Paulo Brandão

Colunista

Paulo Brandão Paulo Brandão
Primeiro dia de quarentena na avenida Jerônimo Monteiro no Centro da Capital
Primeiro dia de quarentena na avenida Jerônimo Monteiro, no Centro de Vitória Crédito: Vitor Jubini
Nenhum politico, em sã consciência, toma medidas contra a si mesmo e o povo. A não ser que seja “doido”! Essa é uma verdade que precisa ser dita. Ainda mais em uma pandemia, num ano que antecede as eleições. Mas a história mostra que não se pode subestimar a estupidez humana, a loucura e a ânsia pelo poder.
Sim, o governante do país, presidente Jair Bolsonaro, com seu exercito de bárbaros, age de forma deliberada para criar caos, barbárie e morte no país. É um inimigo do Estado! Suas ações prefiguram uma fuga para trás, rema na contramão da vida. E o pior, está é a sua forma de governar e fazer política. É a necropolitica. A política da morte.
E no Espírito Santo, o que faz o governador do Estado, Renato Casagrande? As suas medidas são pela vida ou pela morte? Elas são radicais, afetam a vida das pessoas, fecham comércio, limitam a circulação. Geram insatisfação, incitam opositores e despertam o debate na sociedade.
No entanto, o que é verdade é que, desde o começo, o governo do Estado trabalha muito para conter o avanço do vírus. E reage com as medidas que lhe restam, diante de um presidente que virou as costas para seu povo e nega o tempo todo a a realidade: “parece que só se morre de covid”.
Ora, está claro que existem limites na atuação política por parte dos governadores dos Estados, e aqui no Espírito Santo não é diferente. O pacto federativo exige muito dos Estados e municípios, concentra dinheiro público e poder na figura do presidente da República. Essa centralização é prejudicial e, em casos de crise como agora, deixa os Estados e seus governantes reféns do líder da nação.
Nessa gangorra de forças e tomadas de decisão, todos sofrem. A população fica confusa, mas precisa entender a gravidade da situação. Depois de um ano de condução negacionista da pandemia, não dá para dizer que o governo federal não sabia da gravidade, das mortes. A semana passada foi a mais mortal da história da pandemia. E ainda estamos com escassez de oxigênio e medicamentos.
É a maior crise de todos os tempos, e o Brasil está desgovernado. Sem rumo e com um presidente que comemora o caos e a morte. Trata os governadores como oposição, zomba e ri dos que considera adversários. “Fala em ditadores”, quando se refere aos governadores e prefeitos. Entrou com uma ação para barrar medidas restritivas nos Estados. E aglomera para comemorar seu aniversário.
É morte comemorar a ditadura, o que vai fazer no fim do mês. Um governo autoritário, que matou opositores e expulsou intelectuais e artistas do país. Perseguir quem pensa diferente e atacar a liberdade de expressão, numa democracia, é morte. Trocar ministros várias vezes, por discordar da forma científica de atuação, é claro sinal de morte.
O que resta ao governador do Estado, Renato Casagrande, diante da falta de ação, de decisão e total omissão, que criaram e aprofundaram a morte no país? Reagir e tomar medidas fortes! Porque para vencer a política da morte, implementada por um nacionalismo sanitário, que usa como método um negacionismo doentio e tem bases ideológicas fundamentalistas, não existe outra forma.
Foi falado e todos sabem, desde o começo da pandemia, que é preciso, diante do aumento de casos, ampliar a testagem e fazer um bom rastreamento de casos. É a prevenção. Criar leitos é necessário, mas é agir na consequência. As ações deveriam conter o avanço da doença. Ela não poderia acontecer dessa forma, mas com a virada de o ano a coisa piorou.
Os especialistas também falam de forma unânime que não existe estrutura e suporte em saúde para conter o avanço desta doença. Isso quer dizer que, sem mudanças de comportamento e ações radicais como lockdown, a coisa vai piorar.
Por isso é assertiva a tomada de medidas mais restritivas como das do governo do Espírito Santo. É preciso parar. Dar vacinação em massa. Garantir verba para quem fica em casa. Apoiar essas medidas é se unir em favor da vida. Só assim para vencer a morte do negacionismo. Afinal, só quem está vivo pode retornar ao trabalho.
* Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta

Paulo Brandão

Paulo Brandão Paulo Brandão

É bacharel em Filosofia. Com um olhar sempre atento para as ruas, reflete sobre as perspectivas de cidadania diante dos problemas mais visíveis da Grande Vitória

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