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Pandemia

Carnaval no ES pode ser perigoso sem máscara

Neste carnaval, a ordem é viver e se manter vivo. E isso só depende de você, de suas atitudes, comportamentos e modo de se relacionar

Publicado em 16 de Fevereiro de 2021 às 02:00

Públicado em 

16 fev 2021 às 02:00
Paulo Brandão

Colunista

Paulo Brandão

2021: o ano sem Carnaval de Vitória
2021: o ano em que não houve o Carnaval de Vitória Crédito: Vitor Jubini
E chegou o carnaval. É hoje seu dia oficial. O popular sempre foi curtir o feriadão, quatro dias de muita folia, com ocupação das ruas e praças, blocos, multidões levadas ao som de trio elétrico, marchinhas, diversão, festa e muita alegria. O oficial eram os desfiles de escola de samba, camarotes, autoridades, celebridades e rei momo. Carnaval sempre foi sinônimo de diversão e muita animação.
Mas existe uma outra visão da festa, como uma ameaça. É o que fala David Almirac no livro "Carnaval e filosofia". Para ele, a ameaça carnavalesca se dá no nível simbólico, quando as elites religiosas e políticas não conseguem tolerar o ritmo da folia, por ser provocativo demais. E o outro aspecto é quando beira a desordem pública. As fantasias e máscaras reforçam o anonimato, o que em muitos casos, as autoridades usam da força policial para enquadrar ou limitar o desenrolar da festa. Quando tem excesso, as vezes é necessário.
Este é um olhar do carnaval como algo potencialmente perigoso. Para David, as mesmas autoridades que o reprimem, muitas vezes toleram e até promovem o carnaval. Neste sentido, o teor ora subversivo, ora conservador, do carnaval não é apenas o resultado do seu caráter contraditório. É também consequência de uma luta constante pelo controle dos rumos sempre incertos da festa, da ocupação do espaço público e dos seus significados.
Mas este ano o perigo pode ser outro, não mais simbólico, mas real. O que exige, acima de tudo, cuidado, responsabilidade e proteção. Afinal é a primeira vez, nas ultimas décadas, que o carnaval, a maior festa cultural capixaba, se passa em uma pandemia que já ultrapassa 6 mil mortos no Estado. Então, para o bem de todos, sua saúde e da família, nada de rua, o negócio é brincar em casa mesmo.
O que era momento de liberação geral, entrega radical aos prazeres de dançar, beber e pular na avenida. Uma “segunda vida”, escreve Mikhail Bakhtin, na qual o indivíduo pode “tecer relações novas, propriamente humanas, com quem está próximo”. Com a pandemia, muitos que já pegaram o vírus têm a oportunidade de viver uma segunda vida também. Por isso, melhor cair na real e valorizar a vida. Ela vale muito e seu comportamento pode fazer toda diferença para quem você ama e para toda sociedade.
Este ano, mais do que qualquer outro, a folga do carnaval será o encontro em família e amigos próximos. Esta experiência acena para outras possibilidades de viver a vida. Como diz o dito popular, “carnaval tem todo ano, eu quero é viver com alegria, todo dia”. Por isso, agora o significado desta festa maravilhosa para muitos que perderam entes queridos será de regeneração, de renascimento e de cuidado. Para que assim possamos garantir um retorno seguro à normalidade social.
Em pronunciamento, o governador do Espírito SantoRenato Casagrande, não deu uma ordem, não impediu as pessoas de se divertirem. Ele pediu que todos tivessem juízo, evitassem aglomerações e mostrou que o Estado trabalha dia e noite para conter o avanço do vírus. Como líder, sabe que se cada um fizer sua parte, tudo pode mudar. Por isso, apelou para a consciência de que a vida de todos é importante.
Mas cabe a cada capixaba colocar a vida em primeiro lugar. Esta ordem quem dá é você. É a sua vida que está em jogo, como a dos demais. E neste carnaval, a ordem é viver e se manter vivo. E isso só depende de você, de suas atitudes, comportamentos e modo de se relacionar. De fato, é no carnaval que usamos máscaras e fantasias. E isso dá o sentido do que é pular carnaval. Nesta folia em casa, o sentido de nossa vida será dado, sim pela máscara, que não podemos deixar de usar. Bom carnaval e muita saúde para todos.
Os artigos assinados não traduzem necessariamente a opinião de A Gazeta.

Paulo Brandão

É bacharel em Filosofia. Com um olhar sempre atento para as ruas, reflete sobre as perspectivas de cidadania diante dos problemas mais visíveis da Grande Vitória

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