Sair
Assine
Sair
Entrar

Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Linguagem

E assim foi criada a palavra e o sexto sentido

Mais do que os demais, a palavra tem peculiaridades divinas. Com a mágica de aprender ao nascer a língua da mãe, e nenhuma outra

Publicado em 29 de Novembro de 2022 às 02:00

Públicado em 

29 nov 2022 às 02:00
Paulo Bonates

Colunista

Paulo Bonates

Jesus não precisaria falar, dado ao poder divino, mas falava. Um super-herói como Capitão Marvel teria aniquilado os seus assassinos evitando a crucificação. Ele preferiu sacrificar-se para transmitir a palavra do Pai que era de amor e paz.
Poderia escolher qualquer forma para transmitir os mandamentos de Deus. Os sábios mundo afora já consideravam a palavra, o sexto sentido. Mais do que os demais, a palavra tem peculiaridades divinas. Com a mágica de aprender ao nascer a língua da mãe, e nenhuma outra. E através dela, chegar a ter ciência das “coisas do mundo”, como diz Paulinho da Viola.
Foi onisciente e cuidadoso o criador ao escolher esta maneira de formar grupos integrados, os povos. É possível transplantar um órgão de uma pessoa japonesa para uma inglesa, por exemplo. Funciona como se fosse original. Vai funcionar com a mesma eficácia. Mas falar, usar a palavra, é o mesmo “dicionário” da língua materna.
O sexto sentido, muito antes do nascimento, se apresenta nessa interação mãe-bebê que vai ser repetida como foi criada. Muitas não aprendem a falar porque não conseguiram integrar esse aparentemente aprendizado. Incorporar a língua materna não é apenas repetir as frases, é incorporar um código que envolve afeto e integração com o corpo único.
Pode-se, claro, aprender a falar outras línguas por repetição escolar, por exemplo. Mas não é a mesma, não vem integrada da afetividade e outros segredos do corpo. Essa linguagem de que vos falo, utilizando amor e paz, é a principal função de um grande amor, um casamento, etc. As pessoas se separam porque por uma razão ou outra não tiveram acesso a esse divino código natural.
O código, vou lhes contar, é ouvir e falar. Nada substitui. Sequer a atração sexual, por mais intensa que seja, foge a esta simplória regra, independentemente das modalidades de amar: homo, bi, tri, tetra, pentassexual e por aí vai.
Nenhuma outra função humana tem a capacidade de comunicar do amor ao ódio, te tocar fisicamente. Aliás , só para ilustrar, o ser humano é a única modalidade de Ser que pode amar, odiar e todos os sentimentos ou comunicação sem precisar tocar fisicamente.
Um leão, ou qualquer outro animal, tem que usar o próprio corpo como arma de ataque. O ser humano pode usar flechas e derivados e, dependendo do grau de civilização e selvageria, até arsenais atômicos em massa. E vem mais, por suposto.
Assim é que as palavras são as únicas capazes de construir metáforas por onde os sábios predizem e dizem o os talentosos fabricam o humor, sendo a construção do humor a mais fina capacidade, cujo final, onde está a eclosão do riso, não é dito, falado, é deduzido. Os considerados filósofos usavam e abusavam das citações onde em uma frase diziam tudo, ou achavam que diziam.
Tales de Mileto, que viveu entre 625 e 547 antes de Cristo, em uma era em que todos se diziam sábios e donos das idéias e religiões, proferiu sábias palavras que se eternizaram: “Conhece-te a ti mesmo“.
A imperatriz francesa Maria Antonieta – que viveu de 1755 a 1793 - diante do povo miserável que denunciava a falta de pão para a plebe rude proferiu a célebre: “Que comam brioches”.
“Como desculpa é pouco, mas como explicação é mais do que suficiente” teria sido dito por Johann Wolfgang Von Goethe. Aliás, o mais enigmático poeta alemão, autor de “Fausto”, de "Werther" e algumas outras genialidades.
Talvez o considerado mais importante matemático do mundo, Charles Bossut – 1730 a 1814 – fosse obsessivamente dedicado aos cálculos. À beira da morte, não conseguia falar nada há meses. Até entrar na alcova um companheiro de pesquisa:
- Qual é o quadrado de doze?, desafiou Bossut.
- Cento e quarenta e quatro, disse quase gritando.
E morreu.
Dorian Gray, meu cão vira-lata, anda espalhando que minha inteligência não alcança seu latir.

Paulo Bonates

É médico, psiquiatra, psicanalista, escritor, jornalista e professor da Universidade Federal do Espírito Santo. E derradeiro torcedor do América do Rio.

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Motociclista morreu ao colidir com outra moto e bater no muro em Cariacica
Motociclista morre ao bater em outra moto e se chocar contra muro em Cariacica
Ministério da Justiça abre investigação por propaganda abusiva de bet na CazéTV
Ministério da Justiça abre investigação sobre ‘publicidade abusiva’ de bets durante jogos da CazéTV
Evento Todas Elas - Elaine Silva, Maria da Penha, a jornalista Rita Batista, a juíza Thaita Trevisan (terno azul), e a secretaria Fabiana Malheiros (azul/óculos)
'Violência contra a mulher começa pelo machismo', aponta Rita Batista no ES

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados