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Enquanto estive longe, perdemos Gal, mas ganhamos fé no futuro

A despeito das tristezas, respiramos e seguimos. Vieram novos encontros, outras ideias, perspectivas diferentes

Públicado em 

20 nov 2022 às 02:00
Ana Laura Nahas

Colunista

Ana Laura Nahas

Andei sumida, por questões profissionais que exigiram dedicação e distância durante uns meses. Agora, missão cumprida, é hora de voltar às nossas conversas e a estes textos afetivos com um olhar particular sobre temas mais ou menos urgentes.
Como vão as coisas por aí?
No período em que estive longe, aprendemos um pouco mais sobre as paixões da política e às vezes seus horrores. O clima pesou, revelando o tamanho da fenda que nos divide e a dimensão dos desafios que estão por vir.
Por outro lado, o sorriso voltou ao rosto de gente que eu há algum tempo não via sorrir. Os insatisfeitos também mostraram os dentes, e que bom que podemos nos manifestar, favoráveis e contrários, desde que dentro dos limites dos bons modos e das leis.
Gal Costa nos deixou no período em que estive longe. O tropicalismo dela, a coragem e seu jeito leve de ser pesada, revisitados por ocasião da partida, reforçaram a importância de celebrar os afetos, a música e o bem-vindo encontro de memórias e futuros.
Gal cantava a mistura de matemática e poesia, rebeldia e lirismo, cansaço e recomeço, corpo e espírito. Com ela aprendemos que é preciso estar atento e forte, que belezas são coisas acesas por dentro, que tudo o que a gente disser deve fazer bem e nada que a gente comer deve fazer mal. Aprendemos a respeitar nossas lágrimas, mas ainda mais nossa risada.
[Inscrevo, assim, minhas palavras
Na voz de uma mulher sagrada].
No período em que estive longe, perdemos também, no Espírito Santo, a irreverência do Golias - as tardes entre os discos dele farão falta - e a boemia do Alemão - era sagrado passar pelo Calipe depois das caminhadas de domingo.
Por outro lado, retornei aos escritos de José Carlos Oliveira no período em que estive longe, sua solidão travestida de ironia, a política escondida no cotidiano, o modo fácil com que ele escrevia sobre coisas difíceis, a dor, as ausências.
A despeito das tristezas, respiramos e seguimos. Vieram novos encontros, outras ideias, perspectivas diferentes, discos para a coleção, um sofá amarelo imediatamente tomado por paz e pelos de gato.
Desconfio que, no período em que estive longe, ganhamos um pouco a mais de fé no futuro.

Ana Laura Nahas

É jornalista e escritora, com passagens pelos jornais A Gazeta e Folha de São Paulo e pelas revistas Bravo! e Vida Simples. Autora dos livros Todo Sentimento e Quase um Segundo, escreve aos domingos sobre assuntos ligados à diversidade, comunicação e cultura

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