Descubro que há um Dia Mundial da Arte em abril, este mesmo, que passa apressado enquanto eu, e provavelmente você também, tentamos equilibrar demandas e desejos.
A data exata: 15 de abril, a mesma em que, no longínquo 1452, nascia Leonardo Da Vinci, cientista, matemático, engenheiro, aviador, anatomista, pintor, escultor, arquiteto, botânico, escritor e músico cuja curiosidade e capacidade de invenção seguem insuperáveis, mais de cinco séculos depois.
A celebração ilumina o papel da cultura para uma existência maior, com mais liberdade, movimento e quem sabe algum sentido. Afinal, como dizia o poeta do poema maduro como o sol na garganta do futuro, a arte existe porque a vida não basta.
A arte nos faz sorrir mesmo nos dias e respectivas noites de realidade indigesta. Ela revela o mundo por perspectivas diversas. Mostra o quanto a alegria e o afeto são revolucionários. Ameniza ausências. Aponta saídas, janelas e atalhos. Acorda o coração e a imaginação.
Alguém disse, com muita propriedade, que a arte é uma negociação entre nós e o mundo. Por essas e outras, poucas experiências são mais intensas do que aquelas que experimentamos diante de um livro, uma canção, um filme, uma pintura ou poema.
Em tempos de exaustão e corações partidos, a arte nos conecta com a esperança em dias melhores. Basta ver a alegria no olhar de quem voltou recentemente ao cinema, ao teatro, a um museu ou show, dois anos de isolamento e 6 milhões de mortos depois.
É fácil entender a comoção.
A pandemia escancarou o tamanho da nossa fragilidade e mostrou o quanto a arte nos une e nos fortalece, até mesmo a distância. Voltar a vê-la de perto e no coletivo, a despeito de tudo o que passou, não deixa de ser um enorme motivo para celebrar.