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Crônica

Chega! Façam um B.O.

Cidades inteiras estão tomadas de homens, mulheres, jovens vítimas da vaidade mal informada, castigados pela perturbação mental de um incógnito estilista que odeia a humanidade

Públicado em 

20 nov 2022 às 02:00
Marcos Alencar

Colunista

Marcos Alencar

Final de tarde andava eu de namoro com uma xicara de chá, pensando em nada, bestando apenas. Coisas sem a menor importância passavam pela minha mente. Tipo: por que será que o chá, quando derramado na xícara, esfria logo, logo? No bule, quando não se sente olhado, segura o calor por muito mais tempo. Mesmo que os casaquinhos de crochê, herança das avós, mães e tias, não estejam vestidos nele. Um dia vou perguntar ao Pedro, meu sobrinho-neto que vive em Londres, e é o vizinho mais próximo que conheço do chá inglês.
Não preciso falar mais nada pra você ter a certeza de que eu estava absolutamente sem ter o que fazer. Foi então que tive uma iluminação: é preciso fazer um B.O. Acabar com este estilista fajuto. Então mudei de estação e saí do chá pra calçada da Aleixo Neto. A cena é de tempos atrás. E foi a primeira vez que dei de cara com um sujeito, cara boa, apesar da sua imagem de dar dó: a calça jeans toda esburacada. Das duas uma: ou a namorada o flagrou traindo ou os pitbulls do vizinho mostraram quem mandava no pedaço. Foi então que, mais a frente, me deparei com uma moça bonita metida num jeans mais estropiado ainda.
Foi o que bastou pra eu ter a certeza de que estávamos à mercê de um lunático. Cidades inteiras tomadas de homens, mulheres, jovens vítimas da vaidade mal informada, castigados pela perturbação mental de um incógnito estilista que odeia a humanidade. E, o pior, um demente fielmente seguido por pobres, ricos e metidos “a”. Milhares de metidos “a”.
Mais uma xícara de chá e comecei a desconfiar de que este estilista dos infernos é reincidente. Ou qual outro desatinado teria decretado, nos anos setenta, o vestido balão, pra tentar acabar com a elegância das mulheres da época? Fecho meus olhos e vejo nas noitadas de Guarapari todas elas, sentindo-se airosas e belas mas, no conjunto, tal e qual uma viçosa plantação de abóboras moranga.
E as maluquices desse infeliz estilista parecem não ter fim. Espie só o que ele decretou recentemente para os homens em geral. Os menos viris e os machões com patentes. Quando a gente poderia imaginar ver um dia essa turma toda de sobrancelha feita? Todos se achando fofos. Ele mais uma vez driblou a galera. E ninguém neste mundo de fantasias toma uma providência pra tirar o grafite e a prancheta das mãos desse canalha.
Cá pra nós, acho que esse maluco é mais velho no pedaço do que a gente possa imaginar. Ou você tem dúvida de que foi ele o inventor dos suspensórios? Ainda bem que esta moda foi pro brejo. Só os palhaços de circo se amarraram. Este filho de uma égua é o mais cruel estilista do planeta.
Já as calças, assombrosamente apertadas, que espremem as partes dos cantores sertanejos, estas, pelo menos, se prestam pra ajudar as duplas em suas performances. É uma mão na roda para aqueles que escolheram cantar se espremendo e gritando. Coisa que nem todos os seres vivos merecem.
Por essas e por outras e antes que as coisas piorem, façam um B.O.! Antes que tardia.

Marcos Alencar

Marcos Alencar é colunista de A Gazeta

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