Aos cinco anos de idade, todos os garotos da minha geração já escovavam os dentes sozinhos, já sabiam que o pai era mais bravo do que a mãe e já tinham aprendido a amarrar os sapatos. Graças à competência dos professores de casa. Estes professores sem vencimentos que, se por um lado premiavam seus rebentos com doces e carinhos, quando mereciam, por outro, eram impiedosos quando decretavam o castigo que os mantinham sentados no canto da parede do quarto, sem direito à voz. Uma decisão irrecorrível da mãe/juíza. Uma cruel estratégia, mas que lhe garantia breves momentos de sossego.
Mas a geração que nasceu após o ano dois mil passou a aperfeiçoar seus conhecimentos fora do ninho materno. Sem se preocupar com o que poderiam falar, como cantava Carmem Miranda (“dizem que voltei americanizada...”), eles deram de ombros e americanizaram daqui mesmo. Todos agora só respondem as perguntas que lhe são feitas com um sonoro “sim”. Nosso plagiado “yes" agora se veste de verde e amarelo. Quando perguntados se gostam, por exemplo, de picolé de coco, eles nunca mais responderão da forma brasileira usual: “eu gosto”. Todas as perguntas do tipo agora ganham de volta um sonoro e econômico “sim”. Já repararam? Yes or no?
Será que a garotada deixou de lado a tagarelice? Qual o quê... Numa casa de família ninguém matraqueia mais do que eles. Mas a turminha ganhou um novo professor particular: o telefone celular. Um gênio que não reprova ninguém.
Dentro das salas de aula, professores fazem o que podem. E, ao que parece, é deles a descoberta da nova técnica de segurar o lápis. Lápis, o novo bandido do filme. E então a garotada parte para a porrada. Ou melhor, para o estrangulamento. Repare só nos telejornais. Quase toda semana os noticiários mostram nossos jovens guerreiros estrangulando o lápis. Como todos sabemos é de pequenino que se torce o pepino. E neste caso, torceram muito mal. A nova prática lembra um golpe de MMA no pescoço do lápis. Olhe bem: o aluno, ao invés de prender o lápis usando o indicador e o polegar estendidos, agora parte pra briga. Repare só: o indicador dá um mata leão na cintura do lápis com a ajuda do polegar. E é assim, com força, que os lápis e esferográficas são levados brutalmente a cumprir os seus papéis. Culpa, é claro, da má torcida do pepino.
Por outro lado, os pais – muito mais do que as mães – torcem o pepino pensando mais em seu conforto pessoal. Não vejo pais se dando conta de que Vitória é uma ilha cercada de mangues por todos os lados. Levam os moleques aos shoppings, mas tiraram do currículo a catada do caranguejo. Ainda dá tempo, gente fina! A garotada vai adorar pisar na lama. Antes que eles fiquem adultos achando que caranguejo nasce no Triângulo, ali na Praia do Canto .
Agora, pecado mortal mesmo é vestir a molecada com o uniforme do Flamengo. Eita pepino mal torcido! E o pior: saem por aí exibindo a família como se fossem os reis da cocada vermelho e preta. Se ainda vestissem os meninos com o uniforme do Botafogo...