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Religião

Ver, julgar, agir e amar: o papel de todos os filhos de Deus

O papa Francisco me parece de extrema inteligência e bondade. Bem, o homem é amigo íntimo de Deus. Mas me impressiona sua capacidade de entender o próximo e suas dores

Publicado em 25 de Outubro de 2022 às 00:30

Públicado em 

25 out 2022 às 00:30
Paulo Bonates

Colunista

Paulo Bonates Paulo Bonates
O papa Francisco celebra a oração do Angelus da Basílica de São Pedro, no Vaticano, neste   domingo (21).    21/02/202
O papa Francisco celebra a oração do Angelus da Basílica de São Pedro, no Vaticano, neste domingo (21). 21/02/202 Crédito: VAT - VATICANO/PAPA - INTERNACIONAL
Sentindo o momento de expectativa que vivemos, sinto minha memória voltar-se para o tempo em que fui menino de JEC, Juventude Estudantil Católica, cujo modo de integrar-se no plano de Deus era “Ver, Julgar e Agir”. Era o método de legislarmos sobre nossas consciências a respeito dos problemas que pensávamos ser da nossa conta.
Em breve, a maioria de nós, o povo, vai ver, julgar e agir. Tenho uma afeição especial pelo papa Francisco e o modo como olha as leis de Deus e, portanto, os mandamentos da Igreja, no caso a católica e, assim, os mandamentos e seus correspondentes pecados, além da capacidade intrínseca de perdão para todos, desde que se insira o arrependimento e as bondades.
O papa Francisco me parece de extrema inteligência e bondade. Bem, o homem é amigo íntimo de Deus. Mas me impressiona sua capacidade de entender o próximo, e suas dores. As escolhas humanas, assim como as qualificações, deixam espaço para toda a humanidade, independente dos sentimentos e pesares. Somos todos iguais perante Francisco. Político por vocação, usa o amor como representação do partido, de país, e o que mais houver no mundo.
Outro dia li um texto seu sobre a igualdade. Dizia assim, em uma referência, penso eu, à fé, à saúde e à paz: “Os pobres são a única dúvida que paira na América Latina”.
Sobre as individualidades escreveu : “Uma mãe ama seus filhos como eles são”.
Ensinou ainda : “Guerra nunca, assim como o ódio e a intolerância”.
Todo santo dia dou uma espiada em uma caderneta de anotações onde estão as palavras que a fé pode tornar divinas. Minha senhora, todos os países estão preparados o suficiente para guerrear. Mas reservas para necessidades súbitas em hospitais, alimentação, habitação, transporte, remédios, não habitam o imaginário dos povos.
Diz Francisco: “Faço um apelo a todos que empunham injustamente as armas deste mundo: deponham estes instrumentos de morte, armem-se com a justiça, o amor e a misericórdia, garantias de autêntica paz. Pelo bem e por Deus não se deve permitir que as crenças religiosas sejam utilizadas para justificar a violência e os conflitos”.
Preocupa-se com o ataque à natureza e critica a nós todos: “A agressão climática é um problema que não podemos deixar para as gerações futuras. No que diz respeito ao nosso chão, estamos em um momento crítico”.
Outro dia li uma declaração de Francisco incentivando o trabalho de todos para que não mais se repitam os crimes na Igreja. “A Igreja somos todos nós”.
Refere-se a uma certa carta aos discípulos e à sua consciência universal, esclarecendo que o papel de todos os filhos de Deus é no mundo todo defender a liberdade de todos os irmãos em Cristo.
Ver, julgar e agir
Dorian Gray, meu cão vira-lata, late em latim.

Paulo Bonates

Paulo Bonates Paulo Bonates

É médico, psiquiatra, psicanalista, escritor, jornalista e professor da Universidade Federal do Espírito Santo. E derradeiro torcedor do América do Rio.

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