Servidores públicos — enfermeiros e técnicos de enfermagem — foram flagrados com medicamentos ilegais usados para emagrecimento durante a Operação “Efeito Colateral”, realizada pela Polícia Civil do Espírito Santo nesta quinta-feira (28), na cidades de Serra e Vila Velha. Segundo as investigações, as chamadas “canetas emagrecedoras” eram aplicadas em clientes até dentro de postos de saúde.
A informação foi divulgada pelo superintendente de Polícia Especializada (SPE), delegado Rafael Correa, em entrevista à TV Gazeta. Ele explicou que a ação apura um esquema de contrabando, distribuição e venda clandestina de medicamentos para diabetes e obesidade.
Segundo a Polícia Civil, a suspeita é de que esses servidores não apenas integravam a rede criminosa, mas também utilizavam postos de saúde onde atuavam para aplicar as substâncias nos consumidores.
Na casa de um dos servidores, foram apreendidos dois carimbos de médicos que não são alvos da ação e atestados ainda não preenchidos. Agora, a polícia deve investigar como esse material foi parar na casa do profissional.
De acordo com o superintendente, o grupo criminoso atuava por meio das redes sociais e possuía integrantes com funções específicas. Algumas pessoas eram responsáveis pela aplicação dos medicamentos.
Tivemos uma grande apreensão desses medicamentos, inclusive na casa de servidores públicos que não deveriam estar com esses medicamentos.
Rafael Correa Delegado
Investigações
As investigações começaram há cerca de seis meses e identificaram a atuação de um homem de 36 anos, preso na Serra, apontado como um dos maiores contrabandistas desse tipo de medicamento no Espírito Santo. Segundo a polícia, ele liderava a organização criminosa e comercializava os produtos pelas redes sociais.
Ao todo, sete mandados de busca e apreensão foram cumpridos na Serra e em Vila Velha. Seis pessoas foram conduzidas à delegacia e uma prisão foi realizada por mandado judicial.
Ainda segundo a Polícia Civil, os medicamentos eram importados ilegalmente e vendidos sem qualquer controle sanitário. Parte das substâncias sequer possui autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para comercialização no Brasil.
A polícia alerta que a compra desses medicamentos fora das redes oficiais representa risco à saúde, já que não há garantia sobre armazenamento, transporte ou possíveis adulterações dos produtos.
A operação foi conduzida pela Superintendência de Polícia Especializada (SPE) e pela Delegacia Especializada de Defesa do Consumidor (Decon), em ação integrada com a Subsecretaria de Inteligência da Secretaria de Segurança Pública (Sesp). Cerca de 50 policiais participaram da operação, distribuídos em 15 viaturas.