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Crônica

Calma que a bomba é de brinquedo

Eu pensava que uma bomba atômica como a que foi jogada em Hiroshima, Japão, no finalzinho da confusão chamada Segunda Guerra Mundial, tivesse concluído o drama. Ledo engano

Públicado em 

18 abr 2023 às 00:30
Paulo Bonates

Colunista

Paulo Bonates

Quando pensei que todas as invenções do mundo haviam sido postas à mostra, uma pessoa munida de uma machadinha demonstrou não incluir-se entre os humanos pensantes. Invadiu uma creche em Blumenau e inconscientemente matou a troco de nada quatro crianças entre três e sete anos.
Então.
Eu pensava que uma bomba atômica como a que foi jogada em Hiroshima, Japão, no finalzinho da confusão chamada Segunda Guerra Mundial, tivesse concluído o drama. Ledo engano. Estava ainda chutando areia na praia quando alguém me contou o resto da história. As razões são sempre as lógicas elaboradas pelos vencedores.
O mundo sempre está dividido em metades. Cada pedaço com a sua loucura algumas vezes forjada pelo medo e pela ganância. Desde sempre me tranquilizei achando que a divisão neutralizava a ação.
Bomba atômica em explosão nuclear
Bomba atômica em explosão nuclear Crédito: Reprodução I Pixabay
A Terra, com motivo ou sem motivo, havia produzido uma moeda de troca: a bomba atômica, dividindo as potências em lado direito, lado esquerdo e mais o que os demônios da guerra inventarem.
A brincadeira do momento era apostar quem chegava - ou ainda chega - através de foguetes à estratosfera, à Lua, à Marte e à Kripton. Dito e feito. Pra quê? Pra nada. Para valorizar a moeda sinistra?
Ucrânia e Rússia estão amedrontando o mundo com as bombas de hidrogênio, e outras, com as quais não sabem o que fazer. Minha senhora, já estamos em outra guerra mundial, que aliás nunca acabou. Nós, as torcidas, jamais tivemos a consciência do significado de nenhuma delas.
Justiça seja feita: neste instante tem quem gaste horrores para dar umas voltinhas no céu. Respeitável público, o absurdo se dilata a cada hora.
Nós os humanos nos julgamos diretores da Terra. Os insetos são muito mais poderosos, vide as epidemias e pandemias. Vírus e bactérias nem sequer precisam fazer vacinas contra o povaréu. Nós vamos perdendo a capacidade de funcionar e viver. Viver é funcionar. Me disseram isso há muito tempo.
Não fosse o esforço e a genialidade da criação lúdica inteligente, por exemplo, que refrescou as cucas das crianças e pensantes há alguns anos, a coisa estaria pior, acho eu, em confronto com o mercado atual, que reproduz o mundo adulto bélico destinado a ensinar a morte.
Os inocentes, mas funcionais carrinhos de rolimã, por exemplo, as bolinhas de gude, as peladas na rua, o pingue-pongue, ficam em segundo plano, para os pobres. Vivemos com medo.
De vez em quando aparece um Pelé.
Dorian Gray, meu cão vira-lata, é muito criativo.

Paulo Bonates

É médico, psiquiatra, psicanalista, escritor, jornalista e professor da Universidade Federal do Espírito Santo. E derradeiro torcedor do América do Rio.

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