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Apaixonada por vinhos, Nádia Alcalde é jornalista, sommelière e consultora. Escreve sobre o universo da bebida, antenada com lançamentos, tendências e notícias.

Vinhos da Campanha Gaúcha ganham Indicação de Procedência

IP foi concedida aos vinhos finos tranquilos e espumantes produzidos na região. Trata-se da sétima indicação geográfica obtida pelo setor vinícola no Brasil

Publicado em 14/08/2020 às 10h00
Atualizado em 14/08/2020 às 11h50
Região da Campanha Gaúcha
Estância Paraizo, na região da Campanha Gaúcha. Crédito: Ivo Rodrigues da Rosa

Toda vez que falamos em vinho nacional lembramos apenas do Vale dos Vinhedos, na Serra Gaúcha. Faz sentido, porque é lá que está concentrada a maior parte da produção de vinhos do país. Mas outros estados também já se consolidaram como produtores de alta qualidade e muitas áreas vinícolas podem ser encontradas no Brasil.

Até mesmo no Rio Grande do Sul existem outras regiões produtoras, como a da Campanha Gaúcha, que faz fronteira com a Argentina e o Uruguai. É uma região bastante conhecida pelos pampas, com paisagem plana e aberta.

Sua área é bem propícia para a produção vitivinícola, com um volume de chuva menor que o da Serra Gaúcha e ainda com uma ótima variação de temperatura durante o dia, com clima seco, invernos rigorosos e verões muito quentes.

É excelente para o amadurecimento das uvas, em especial as tintas. A Cabernet Sauvignon é a mais plantada por lá, e em seguida vem a Tannat, que está se tornando aos poucos o grande ícone da região.

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Em termos de comparação, pode se dizer que os tintos da Campanha são mais alcoólicos, encorpados e possuem taninos mais marcantes que os dos vinhos da Serra Gaúcha. Essas características agradam muito ao consumidor, e alguns rótulos já receberam merecido destaque com premiações pelo mundo afora.

NOVA INDICAÇÃO GEOGRÁFICA 

Em reconhecimento a essa produção de qualidade, a região da Campanha Gaúcha ganhou em junho deste ano a Indicação de Procedência (IP) para seus vinhos finos brancos, rosés, tintos e espumantes. É a sétima indicação geográfica dada ao setor vinícola no Brasil. 

A IP é válida para vinhos finos tranquilos – incluindo tintos, brancos e rosés – e espumantes produzidos sob os métodos charmat e tradicional. Além disso, os vinhos devem ser elaborados a partir das 36 variedades de videiras permitidas pelo regulamento, plantadas em sistema de condução em espaldeira e respeitando os limites máximos de produtividade por hectare e os padrões de qualidade das frutas que serão vinificadas. 

Finalmente, os vinhos precisam ser avaliados e aprovados sensorialmente às cegas por uma comissão de especialistas.

MAS AFINAL, O QUE É IP?

Para explicar o que é IP, vale até emendar a conversa. Você já deve ter visto nas garrafas outras siglas como AOC, DO, DOCG, IG...existem várias, e é normal haver confusão, porque, verdade seja dita, ler um rótulo de vinho é tarefa difícil até mesmo para os entendidos.

As siglas no geral servem para atestar a origem de um determinado produto e, claro, cada uma tem um significado e um tipo de abrangência. Para entender as diferenças entre cada uma delas é preciso relacionar com a definição que cada país adota para classificar suas denominações de origem.

Parece complexo, mas as DOs não existem só para vinhos. É comum encontrá-las em outros alimentos e tipos de bebida também, e isso é bom porque nos assegura a qualidade do produto que vamos adquirir. Para conquistar esse selo é preciso ainda produzir de acordo com determinadas normas e regulamentações.

No Brasil temos sete indicações geográficas para o vinho. Existem 6 IPs (Indicações de Procedência) e uma DO (Denominação de Origem) no Vale dos Vinhedos. A diferença de IP para DO é que IP abrange a região que se tornou conhecida como centro de produção, além de técnicas de vinificação, castas e até tipo de vinhos permitidos. Já a DO é tudo isso da IP e mais um pouco - ela possui regras ainda mais restritas de produção.

Que temos rótulos nacionais de excelente qualidade já se sabe. Falta agora explorar as diferentes regiões produtoras para conhecermos cada vez melhor os vinhos brasileiros. 

3 SUGESTÕES DE RÓTULOS DA CAMPANHA

  • ÉPICO V - Guatambu Vinhos
  • Elaborado com Tannat, Cabernet Sauvignon, Merlot e Tempranillo de diferentes safras, é o vinho-ícone da vinícola. Com grande profundidade aromática de frutos maduros, ameixas e amoras, possui ainda notas de chocolate, coco e madeira muito equilibrada. Em boca, é untuoso e apresenta taninos firmes e harmônicos. Tem final longo e persistente, sobressaindo frutos secos, avelãs e nozes. Muito elegante!
  • Quanto: R$ 188, na Seleção Terroir. (27) 98162-9011.
Épico V, vinho produzido pela vinícola Guatambu na Campanha Gaúcha
  • PERUZZO MERLOT 2012 - Peruzzo Vinhas & Vinhos
  • Um vinho intenso e que mostra já em cor os seus sete anos de idade. Complexo no nariz, com notas de frutas passas, licor e bálsamo. Possui um bom volume em boca e taninos presentes. Impressiona por sua persistência e equilíbrio.
  • Quanto: R$ 50, no site da vinícola: www.vinícolaperuzzo.com.br.
Peruzzo Merlot, vinho da vinícola Peruzzo, na Campanha Gaúcha
  • CAMPOS DE CIMA TOSQUIA (não safrado) - Vinícola Campos de Cima
  • O rótulo é lindo e retrata uma atividade muito comum na Campanha Gaúcha, a tosquia, que é o ato de cortar a lã rente ao corpo do animal. As uvas são: Tannat, Cabernet Sauvignon, Tempranillo e Malbec. Vermelho intenso com toques violáceos, possui aromas de frutas negras com notas de chocolate e especiarias. Fácil de harmonizar, vai bem com pizzas, churrascos, risotos e massas.
  • Quanto: R$ 54, na Vinhos e Vinhos.
Campos de Cima Tosquia, vinho produzido pela vinícola Campos de Cima na Campanha Gaúcha

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