Comprar, vender ou alugar um imóvel nunca foi apenas uma transação financeira. Envolve expectativas, segurança, planejamento de vida e, muitas vezes, o maior investimento que uma família fará. Ainda que por muito tempo o mercado imobiliário tenha sido tratado como um espaço técnico, quase hermético e distante do cotidiano das pessoas, ele vem se transformando gradualmente, acompanhando as mudanças da própria sociedade.
Uma transformação que se intensifica em um momento, como o de hoje, em que mudanças econômicas, tecnológicas e sociais se cruzam de forma cada vez mais visível. Reforma tributária, digitalização de processos, novas exigências legais e alterações no perfil do consumidor pressionam o setor a se reinventar. O corretor de imóveis, figura central dessa engrenagem, deixa cada vez mais de ser apenas intermediário para assumir um papel mais estratégico, informativo e orientador.
Nesse cenário, qualificação deixa de ser diferencial e passa a ser responsabilidade. Um mercado mais complexo exige profissionais preparados para interpretar regras, antecipar riscos e traduzir informações técnicas em decisões seguras para a sociedade. Quando isso não acontece, o impacto não recai apenas sobre empresas ou contratos, mas sobre famílias, empreendimentos e cidades inteiras.
A tecnologia também acelera esse processo. Ferramentas digitais e inteligência artificial (IA) já influenciam desde a precificação até a comunicação com clientes. Mas inovação, sozinha, não resolve. Sem ética, senso crítico e preparo humano, a tecnologia pode ampliar erros em vez de soluções. O desafio está em usar esses recursos para melhorar a experiência, aumentar a transparência e fortalecer a confiança - um ativo cada vez mais raro.
Há ainda dimensões menos óbvias, mas igualmente relevantes. O mercado imobiliário dialoga com políticas públicas, ordenamento urbano e até com temas sociais sensíveis, como segurança e proteção de direitos. Ignorar essas interfaces é fechar os olhos para o impacto real que o setor exerce sobre a vida nas cidades.
Discuti-las é sinal de maturidade institucional e compromisso coletivo. É justamente nesse ambiente de transição que iniciativas de debate e formação ganham importância. O Fórum para Desenvolvimento do Mercado Imobiliário Capixaba, a ser realizado neste mês, em Vitória, surge como um espaço para refletir sobre essas mudanças, conectar diferentes visões e estimular práticas mais responsáveis. Não se trata apenas de agenda setorial, mas de pensar o mercado como parte ativa do desenvolvimento econômico e social do Espírito Santo.
Quando profissionais se reúnem para discutir temas como tributação, crédito, tecnologia e responsabilidade social, o efeito extrapola o auditório. As decisões tomadas ali influenciam negócios, orientam condutas e ajudam a construir um mercado mais equilibrado, previsível e confiável; algo que interessa a toda a sociedade, não apenas aos agentes do setor.
No fim das contas, falar de mercado imobiliário é falar de pessoas. De quem compra, de quem vende, de quem mora, de quem investe e de quem planeja o futuro. Quanto mais preparado, transparente e consciente for esse mercado, mais sólidas serão as bases sobre as quais construímos nossas cidades e nossas próprias histórias.
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