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Mariana Reis é administradora de empresas e educadora física. É pós-graduada em Gestão Estratégica com Pessoas e em Prescrição do Exercício Físico para Saúde. Atua como consultora em acessibilidade e gestora na construção e efetivação das políticas públicas para a pessoa com deficiência em Vitória

Juntos e diferentes: o espírito olímpico entre nós

Durante vinte dias, trocamos o fuso horário para acompanhar, vibrar, nos emocionar e torcer por nossos atletas

Publicado em 10/08/2021 às 02h00
Rebeca com a medalha de ouro conquistada no salto
Mas foi na resiliência que o Brasil deu de lavada. Não existe capacidade que vista melhor os atletas brasileiros. Crédito: Miriam Jeske/COB

Começamos a semana com um profundo respiro de esperança deixado pelas Olimpíadas de Tóquio. Durante vinte dias, trocamos o fuso horário para acompanhar, vibrar, nos emocionar e torcer por nossos atletas. Com a pandemia, chegar ao Japão para os jogos não foi uma tarefa fácil e, com certeza, exigiu muito mais que preparo. Equilíbrio foi a palavra de ordem. A edição de Tóquio 2020, nos deixa a lição de que somos frágeis e precisamos cuidar dos nossos limites com carinho, esvaziar as gavetas das exigências e do medo, fortalecer nossos vínculos, nos humanizar. O outro lado do mundo nos revelou o encontro do atleta com o humano.

Mens sana in corpore sano

Uma mente sã em um corpo são, frase de autoria do poeta romano Juvenal, nunca esteve tão evidente. Não se pode seguir no esporte apenas com o físico. Mente e corpo não se separam. Aliás nem no esporte e nem na vida, não é mesmo?

O equilíbrio entre preservar a vida e disputar medalhas nas finais da ginástica artística, certamente foi uma acrobacia inédita nos jogos, e que levará o nome para sempre na história: Simone Biles. Tão impactante, mas que não deveria ser, foi saber o motivo pelo qual decidiu não disputar as provas: “temos que preservar nossas mentes e corpos e não sair fazendo o que os outros esperam que façamos”.

O desempenho de um atleta, além de físico, deve vir acompanhado de sua saúde afetiva. Eis o que a pandemia nos trouxe e que as Olimpíadas escancararam. Reconhecer e acolher as emoções são parte essencial para a na vida de uma atleta. Deve fazer parte do planejamento dos treinos descobrir e trabalhar o equilíbrio dessas emoções.

Paixão ou pressão para chegar ao pódio?

Talvez o problema esteja no grau da pressão para se atingir um resultado. Quando o assunto é alto rendimento, lidar com pressões faz parte do espírito de atleta. Dosar muitas vezes é difícil. E quando tudo fica pesado, próximo ao insuportável, quando exigem muito mais do que se pode dar, a diversão escapa.

O skate, primeira vez como esporte olímpico, alcançou resultados imensuráveis bem além das medalhas. Elas vieram para o Brasil e trouxeram também uma prova baseada na diversão entre os atletas. Aprendemos uma forma diferente, leve e saudável de competir e torcer pelo adversário. Alegria de dominar as manobras e conseguir fazer a volta sem cair eram comemoradas entre todos os competidores. Lições do skate em Tóquio: felicidade, leveza e diversão. Não foi um vale tudo em que um aniquila o outro. Podemos torcer juntos e comemorar a vitória um com o outro. E até dançar enquanto espera sua vez, como fez a nossa fadinha Rayssa Leal. Uma alegria que se espalhou pelo mundo.

De braçada na esperança

Muitas lições foram deixadas pelas Olimpíadas. Mas foi na resiliência que o Brasil deu de lavada. Não existe capacidade que vista melhor os atletas brasileiros. Foram muitas vitórias e subimos no quadro de medalhas. A coragem em superar todas as dificuldades e conseguir evoluir nos resultados, e ainda honrar suas histórias, faz o orgulho de ser brasileira reacender. Os resultados do Brasil foram excelentes mesmo com fortes cortes nos investimentos e falta de políticas públicas de incentivo ao esporte. Encarar a falta de apoio é uma forma de resistência. É um treino árduo.

Da lista das lições: a valorização das diferenças

As Olimpíadas sempre despertam na gente muitas reflexões, sentimentos e emoções, mas especialmente na de Tóquio, o combate ao preconceito e a diversidade parecem ser legados que ficarão para sempre. Além disso, vimos mais mulheres competindo, modalidades em equipes mistas e gêneros não binários e ativistas. E o que falar das mulheres atletas e cientistas nesta edição dos jogos?

As Olimpíadas acabaram e os aprendizados foram muitos. Como sugestão para que ela seja o espelho das mudanças que desejamos, gostaria de fazer uma pequena mudança no lema olímpico, que ficaria assim: “O mais rápido, o mais alto, o mais forte, juntos e diferentes”. O espírito olímpico da superação continua ativo e é hora de torcer e acompanhar nossos paratletas. Mesmo enfrentando inúmeras dificuldades em meio à pandemia, tenho certeza de que vão conseguir seus melhores resultados e bater recordes. O nosso Espírito Santo estará representado por lá. E que, baseados no lema olímpico possam ter uma postura à altura, segurança física e emocional e muito sucesso. Arigato.

Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta.

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