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Mariana Reis é administradora de empresas e educadora física. É pós-graduada em Gestão Estratégica com Pessoas e em Prescrição do Exercício Físico para Saúde. Atua como consultora em acessibilidade e gestora na construção e efetivação das políticas públicas para a pessoa com deficiência em Vitória

Paralimpíadas: orgulho que devemos ter

O esporte é um instrumento poderoso de superação e integração que modifica por completo o perfil dos atletas, fazendo com que eles, a todo o momento, superem seus próprios limites

Publicado em 27/07/2021 às 13h38
Daniel Dias
Daniel Dias é um dos grandes nomes na natação. Crédito: Reprodução @danieldias88

Os Jogos Olímpicos começaram e daqui a pouco vamos seguir na torcida por nossos atletas paralímpicos. A coluna de hoje é inspirado no artigo publicado pelo amigo e professor Rodrigo Luiz Avancini - Professor/Pesquisador da UFES em Envelhecimento, Saúde e Qualidade de Vda. Idealizador da MoveAge – Envelhecimento Ativo

Quando a atividade física faz parte da vida de uma pessoa, nada mais fica igual. A prática esportiva aliada à vontade de vencer é transformadora. Eu sou um pouco suspeita para falar dessa importância. O esporte é um instrumento poderoso de superação e integração que modifica por completo o perfil dos atletas, fazendo com que eles, a todo o momento, superem seus próprios limites. Pessoas com deficiência que praticam exercícios físicos e atividades esportivas regulares podem ter a oportunidade de tornarem-se atletas recreativos e/ou elite.

Sabe como tudo começou?

Em 1960 ocorreu a primeira edição dos Jogos Paralímpicos na cidade italiana de Roma. O evento chegou a reunir quatrocentos atletas, de vinte e três países diferentes para disputar as competições. Desde então, o esporte adaptado vem ganhando a profissionalização. Ele deixou de ser um esporte amador e de reabilitação para atingir o alto nível.

Os jogos consistem em um evento desportivo, com competições entre atletas com algum tipo de deficiência de alto rendimento, sejam elas sensoriais ou físicas. Em poucas palavras, trata-se dos Jogos Olímpicos tradicionais, cuja disputa é feita apenas com esportes adaptados. E os esportes são: atletismo, basquetebol, bocha, ciclismo, esgrima, futebol de 5, dutebol de 7, goalball, halterofilismo, hipismo, judô, natação, remo, rugby de cadeira de rodas e tênis de mesa. Além dessas modalidades, também pertencem à competição o tênis em cadeira de rodas, o tiro com arco, o tiro esportivo, vela e o voleibol sentado.

Vale lembrar que, ao começar a sua carreira como atleta profissional, deve-se passar por uma avaliação condicional que o classificará em alguma das categorias estipuladas pelo Movimento Paralímpico Internacional.

Será que temos respostas para os melhores resultados?

Quando falamos de esporte adaptado, não falamos apenas do peso em carregar medalhas, falamos também de levar as pessoas que estão ao nosso lado no peito e a nossa história na mente. Vencer é a satisfação de superar nossos medos e nossas limitações.

No esporte de alto nível, principalmente no Brasil, atletas apresentam melhor desempenho nos Jogos Paralímpicos de Verão em comparação com aqueles sem deficiência. Isso é motivo de grande orgulho para todos, mas por que isso acontece?

O artigo do professor Rodrigo Luiz Avancini nos traz os dados. Ele observou que, nos últimos quatro Jogos Paralímpicos de Verão (Atenas-2004, Pequim-2008, Londres-2012 e Rio-2016), o Brasil alcançou posição de destaque no quadro geral de medalhas (14º, 9º, 7º e 8º lugar no geral, respectivamente). Muito à frente dos atletas brasileiros participantes dos Jogos Olímpicos de Verão (16ª, 23ª, 22ª e 13º lugar no quadro geral de medalhas, respectivamente).

O paradesporto estabeleceu novos rumos para as pessoas com deficiência, e o seu significado nos leva a rever de outras maneiras a corporeidade. Num mundo que ainda se mostra influenciado e marcado pelo desporto e cientificismo cartesiano, entender para além do corpo talvez seja um facho de luz para clarear algumas respostas.

Força, coragem e superação. “Citius, Altius e Fortius”

Esta é a motivação que nos deixa encantados e fascinados por todas as pessoas e seus exemplos de superação e coragem. Os atletas paralímpicos são fonte de inspiração para todos nós. Além de encarar a falta de equidade que atravessa os tempos, também têm que driblar, como qualquer atleta profissional, a falta de apoio e incentivo ao esporte no Brasil. Não é mole.

Apesar do aumento de novos atletas a uma modalidade esportiva, é muito importante – eu diria, necessário – que as instituições responsáveis pela popularização do paradesporto se esforcem para atingir mais pessoas de maneira que as Paralimpíadas façam parte do sonho de todos os esportistas. Esse movimento precisa ser estimulado.

Por fim, nossos agradecimentos aos atletas paralímpicos e a todas as pessoas e profissionais que trabalham, treinam e dão oportunidades para “sair das sombras” e superar barreiras e preconceitos. Que continuem fonte de orgulho e inspiração para todos nós. Nos vemos em Tóquio 2021 com a certeza de que o esporte nos torna pessoas melhores.

Agradecimento: Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (FAPES). Adaptado do artigo do nosso grupo de pesquisa: de Lira CA et al. Brazilian Paralympic athletes arouse pride, but reveal important social problems in Brazil. J Sports Med Phys Fitness. 2020 Oct;60(10):1410-1411.

Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta.

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