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Mariana Reis é administradora de empresas e educadora física. É pós-graduada em Gestão Estratégica com Pessoas e em Prescrição do Exercício Físico para Saúde. Atua como consultora em acessibilidade e gestora na construção e efetivação das políticas públicas para a pessoa com deficiência em Vitória

Tóquio te espera, Jéssica

Cadeirante, triatleta da seleção brasileira, tricampeã mundial e com vaga garantida para as Paralimpíadas de Tóquio, estava pronta para vencer mais uma vez

Publicado em 20/07/2021 às 02h00
Jéssica Messali
Minha admiração pela atleta, mulher, cadeirante, só aumenta. Crédito: @Jéssicamessali

O texto de hoje é dedicado à atleta paralímpica Jéssica Messali. Cadeirante, triatleta da seleção brasileira, tricampeã mundial e com vaga garantida para as Paralimpíadas de Tóquio, estava pronta para vencer mais uma vez. No início do mês de julho, como parte de sua preparação, ela estava em Portugal para mais uma competição antes do torneio. Mas foi fora das pistas, e dentro de uma sauna, que Jéssica viu o sonho de ganhar uma medalha olímpica se distanciar: a atleta se acidentou com queimaduras de segundo e terceiro grau nos dois pés.

Quando soube da notícia em seu perfil no Instagram, confesso que não consegui tirar meu pensamento dela. Não somente pela dedicação e empenho para os jogos olímpicos que batem à porta, como também por ser cadeirante como ela. Senti-me frágil, desprotegida, impotente diante da constatação do quanto somos pequenos e finitos. E, claro, do alerta que nos deixa diante de alguns perigos que nós, pessoas com deficiência, estamos mais expostos.

Como encarar um sonho desmoronando?

Na vida há situações que não combinam com explicações. Nesse momento, para afastar os pensamentos negativos, o sorriso no rosto e a manutenção da calma foram as soluções para Jéssica encarar as notícias difíceis que vieram juntas com as queimaduras. E a mais dura de ouvir e aceitar: a amputação dos dedos.

Longe da família, isolada, e sem visitas por conta da pandemia, Jéssica passou onze dias lidando com todo esse turbilhão de coisas que atravessaram de forma tão rápida seu caminho quanto seus recordes nas provas. O que tinha por garantido, parecia não ser mais atingível. Tóquio parecia ainda mais longe.

Superação já foi tema desta coluna. Mas hoje ela reaparece aqui como um amuleto para reforçar a nossa capacidade de seguir em frente apesar do inesperado cruzar nossos caminhos. No esporte, área intensamente ligada à minha história, tenho compreensão do verdadeiro significado dessa palavra. Aliás, foi no esporte onde mais fui testada na capacidade de superar.

Entre perdas e ganhos

Correr, pedalar e nadar, o corpo pede movimento. Mas o que a mente exige quando vivenciamos tantos sentimentos é coragem. Sabemos que depois de toda luta árdua o sabor da vitória é bem mais prolongado e que arriscar é viver plenamente. Mesmo sem termos as receitas para a resolução das situações desafiadoras que enfrentamos na vida, tudo que carregamos dentro de nós, nossas experiências, nos ajudam a transformar perdas em ganhos.

Minha admiração pela atleta, mulher, cadeirante, só aumenta. E como sempre falo para ela em suas provas, estarei na torcida. Acredito na sua recuperação. E tenho certeza de que a forma como escolheu encarar essa fase, com equilíbrio, serenidade e calma, farão a diferença para ela seguir em frente. Não temos respostas para tudo e não podemos perder tempo tentando entender por que não aconteceu como programado. Um ou dois passos para trás não significam recuar, e sim impulsionar. Portanto, Jéssica, olhe para frente. É pra lá que você está indo. O escritor Augusto Branco diz: “vencer com ousadia, porque o mundo pertence a quem se atreve”. Erros e acertos fazem parte desse desafio chamado vida. Honremos nossa caminhada.

Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta.

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