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Eleições 2022

Saída de Guerino da Prefeitura de Linhares acelera corrida ao Palácio Anchieta

Para ser mesmo candidato ao governo do estado, no entanto, Guerino precisa ter desempenho  superior ao de César Colnago, também abrigado no PSD

Publicado em 01 de Abril de 2022 às 02:10

Públicado em 

01 abr 2022 às 02:10
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

Guerino Zanon discursa na Câmara de Linhares ao renunciar ao cargo de prefeito
Guerino Zanon discursa na Câmara de Linhares ao renunciar ao cargo de prefeito Crédito: Reprodução
Após bater cabeça no MDB, o prefeito de Linhares, Guerino Zanon, articula-se no PSD, onde vai disputar espaço, amigavelmente (em tese), com o ex-vice-governador Cesar Colnago, egresso do ninho tucano e recém-filiado ao partido. Os dois são pré-candidatos ao governo do Espírito Santo. Essa corrida começa, mais acirradamente, a partir desta sexta-feira (1). Nesta quinta (31), Guerino anunciou a renúncia ao cargo de prefeito, cadeira que ocupou por cinco mandatos. Por imposição da legislação, ele teria que fazer isso até o próximo dia 2 para poder concorrer ao Palácio Anchieta.
Como a coluna mostrou, desde setembro ele tem ido além dos limites de Linhares pavimentando o caminho para a corrida eleitoral.
Nesta quinta, pela manhã, o ainda prefeito inaugurou uma unidade de saúde, no bairro Aviso, cercado de aliados e de líderes comunitários. Não deixou de cumprimentar também "o palhaço Risadinha", que estava na plateia. À noite, em tom mais formal, foi à Câmara Municipal e despediu-se da cidade sem dizer exatamente o motivo da partida, "por força da legislação eleitoral".
No discurso, burocrático, falou da própria trajetória, lembrou que passou 17 anos e 3 meses à frente da prefeitura e que, na eleição de 2006, para deputado estadual, conquistou "65.704 votos, marca ainda não batida até os dias atuais".
O desafio de Guerino, além de obter votos e, antes, intenções de votos relevantes, é garantir chapas para eleger deputados federais pelo PSD, algo crucial para qualquer partido. Ele já tem se movimentado nesse sentido, com o auxílio do ex-deputado federal Lelo Coimbra.
À frente do PSD está José Carlos da Fonseca Júnior, o Zé Carlinhos, responsável por guiar a legenda em meio às turbulências da primeira eleição sem coligações entre partidos para a eleição de deputados. Neucimar Fraga, ele mesmo deputado federal e então presidente estadual do partido, debandou, foi para o PP, por uma questão de sobrevivência, ou seja, aumentar as chances de reeleição.
Foi um feito de Zé Carlinhos a atração de César Colnago ao PSD, mas isso também passou por Guerino, segundo o próprio Colnago. Ficou combinado que, mais à frente, quem tiver melhores condições, for mais competitivo, assume a cabeça de chapa, por escolha dos integrantes do PSD. Quem for preterido apoia o outro. O plano B de Colnago é o Senado.
Se der Guerino, Colnago seria um bom puxador de votos para ele na Grande Vitória, uma vez que o veterano político de Linhares é mais conhecido pelas bandas do Norte. Se der Colnago, Guerino pode agir como articulador em prol do ex-tucano e também ser um cabo eleitoral no Norte.
No MDB, comandado pela senadora Rose de Freitas no Espírito Santo, o ex-prefeito não teria vez. Ela leva o partido a apoiar a reeleição do governador Renato Casagrande (PSB) e, como contrapartida, quer apoio do socialista à própria reeleição. O MDB local, de qualquer forma, está esfacelado, não teria envergadura para bancar uma candidatura ao Executivo estadual.
Curiosamente, o motivo que levou Colnago ao PSD também foi, indiretamente, o governador Casagrande. O PSDB já sinalizou que vai subir no palanque dele, logo, não emplacaria um concorrente ao Palácio Anchieta.
Além de Colnago, que é uma espécie de amigo e rival, Guerino também vinha se articulando com o presidente da Assembleia Legislativa, Erick Musso, outro pré-candidato ao governo. Erick é do Republicanos, mesmo partido do vice de Guerino, Bruno Marianelli, agora prefeito de Linhares até o final de 2024.
O ex-prefeito tem que se mostrar competitivo e imprimir marcas, para além do famoso bigode, se quiser mostrar que, aos 65 anos e com 26 anos de vida na política, pode significar mudança, renovação.

Correção

01/04/2022 - 12:15
Inicialmente a coluna informou que Bruno Marianelli ficaria à frente da Prefeitura de Linhares até o final de 2023. Na verdade, é até o final de 2024. A informação foi corrigida.

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no site Gazeta Online/CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, tambem como repórter. Exerceu a função de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Letícia Goncalves.

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