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Letícia Gonçalves

PSOL cumpriu cláusula de barreira no país graças ao ES e a um arredondamento

Partido vai manter acesso aos fundos partidário e eleitoral e o tempo de exibição na TV e no rádio. Filigrana matemática poderia ter provocado um duro revés

Publicado em 28 de Outubro de 2026 às 16:40

Públicado em 

28 out 2026 às 16:40
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves Letícia Gonçalves
Votos obtidos na disputa por vagas na Câmara dos Deputados são fundamentais para os partidos Marcos Oliveira/Agência Senado


O PSOL alcançou a cláusula de desempenho, também chamada de cláusula de barreira, e graças a isso vai continuar a ter acesso aos fundos partidário e eleitoral e tempo de exibição no horário eleitoral.


Os partidos que não atingem a cláusula correm o risco de definhar.


O resultado, em 2026, somente foi possível devido ao desempenho da sigla no Espírito Santo e ao arredondamento do percentual de votos obtidos pelo partido na disputa pela Câmara dos Deputados no estado.


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Para cumprir a regra, a legislação eleitoral exige que as siglas obtenham ao menos 2,5% dos votos válidos nacionais para a Câmara dos Deputados e garantam o percentual mínimo de 1,5% dos votos em ao menos nove unidades da federação.


Ou então têm que eleger ao menos 13 deputados federais, em pelo menos nove UFs.


O PSOL elegeu 14 deputados federais em todo o Brasil, distribuídos por 6 estados e o Distrito Federal — ou seja, sete unidades da federação.


O partido está federado com a Rede, que reelegeu André Janones em Minas Gerais, mas ainda assim a federação tem 15 deputados federais eleitos em sete unidades.


Tornou-se fundamental, portanto, ter os 2,5% dos votos nacionais e o 1,5% dos votos válidos em ao menos nove estados.


No geral, a federação PSOL/Rede obteve 4,89% dos votos válidos nacionais na disputa por vagas na Câmara dos Deputados, quase o dobro da exigência, portanto.


Mas aquele 1,5% …


A meta foi batida, de pronto, nos seguintes locais: São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Pernambuco, Minas Gerais, Ceará e Pará.


No Espírito Santo, o percentual foi de 1,4912%.

A federação PSOL/Rede poderia ter sofrido um duro revés por causa de uma filigrana matemática.

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O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) considerou, entretanto, que o número deve ser arredondado quando o percentual apurado for acima de 1,45%, conforme norma da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas).


OS VOTOS


No Espírito Santo, a federação PSOL/Rede lançou seis candidatos a deputado federal, todos do PSOL.


Juntos, eles obtiveram 29.710 votos. A mais votada foi a vereadora de Vitória Ana Paula Rocha, com 18.141.


Nenhum foi eleito.


O resultado, numericamente, foi tímido.


Para se ter uma ideia, o deputado federal eleito com menos votos no estado foi Lucas, o federal da direita (PL), com 43.973 votos. 


E ele só conseguiu uma vaga em Brasília devido ao desempenho da chapa do PL, que emplacou Lucas Polese, o deputado federal mais votado do Espírito Santo (com 419.735 votos).


O presidente estadual do PSOL, Welington Barros, porém, afirmou à coluna nesta quarta-feira (28) que considera o resultado positivo.

Nosso desempenho foi positivo, ficamos bem perto de bater a meta, isso significa que nosso projeto eleitoral foi exitoso. Temos campo para crescer enquanto partido de esquerda

Welington Barros Presidente estadual do PSOL

“Nós tivemos mais votos, por exemplo, que o PDT”, destacou. 


O PDT não atingiu a cláusula de desempenho no país. No Espírito Santo, nem lançou chapa de candidatos a deputado federal.


Também não cumpriram os critérios: Agir, Mobiliza, Avante, PSTU, PCB, PRTB, DC, PCO, Democrata, UP,  Missão e a federação PRD/Solidariedade, segundo o levantamento da Fundação 1º de Maio.

Camila Valadão (PSol) é eleita deputada estadual do Espírito Santo.
Camila Valadão (PSol) é eleita deputada estadual do Espírito Santo. Melina Furlan

No Espírito Santo, o PSOL ganhou destaque mesmo na eleição para a Assembleia Legislativa. 


Camila Valadão foi reeleita deputada estadual com 61.501 votos, a maior votação entre todos os concorrentes a uma vaga na Casa em 2026.


O presidente estadual da sigla diz que o partido vai fazer oposição ao governador eleito Lorenzo Pazolini (Republicanos) ou, mais precisamente, às medidas que ele tentar implementar no estado das quais a sigla discordar.


“Vamos estar atentos, fiscalizar o Executivo”, pontuou Barros.


A POSSÍVEL SAÍDA DE ERIKA HILTON


Nacionalmente, o destaque do PSOL foi a reeleição da deputada federal Erika Hilton (SP). Com 1,5 milhão de votos, ela foi a mulher mais votada da história para a Câmara.


Erika, contudo, pode sair do PSOL e migrar para o PT, o que enfraqueceria a atual sigla dela.


Welington Barros acredita que a deputada possa repensar a intenção de trocar de partido agora que o PSOL cumpriu a cláusula de desempenho.


Só que a parlamentar já expôs publicamente descontentamentos com a estratégia eleitoral do partido em 2026.


Para não incorrer em infidelidade partidária, ela precisaria da anuência do próprio PSOL para se desfiliar.

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Letícia Gonçalves

Letícia Gonçalves Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no site Gazeta Online/CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, tambem como repórter. Exerceu a função de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Letícia Goncalves.

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