O PSOL alcançou a cláusula de desempenho, também chamada de cláusula de barreira, e graças a isso vai continuar a ter acesso aos fundos partidário e eleitoral e tempo de exibição no horário eleitoral.
Os partidos que não atingem a cláusula correm o risco de definhar.
O resultado, em 2026, somente foi possível devido ao desempenho da sigla no Espírito Santo e ao arredondamento do percentual de votos obtidos pelo partido na disputa pela Câmara dos Deputados no estado.
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Para cumprir a regra, a legislação eleitoral exige que as siglas obtenham ao menos 2,5% dos votos válidos nacionais para a Câmara dos Deputados e garantam o percentual mínimo de 1,5% dos votos em ao menos nove unidades da federação.
Ou então têm que eleger ao menos 13 deputados federais, em pelo menos nove UFs.
O PSOL elegeu 14 deputados federais em todo o Brasil, distribuídos por 6 estados e o Distrito Federal — ou seja, sete unidades da federação.
O partido está federado com a Rede, que reelegeu André Janones em Minas Gerais, mas ainda assim a federação tem 15 deputados federais eleitos em sete unidades.
Tornou-se fundamental, portanto, ter os 2,5% dos votos nacionais e o 1,5% dos votos válidos em ao menos nove estados.
No geral, a federação PSOL/Rede obteve 4,89% dos votos válidos nacionais na disputa por vagas na Câmara dos Deputados, quase o dobro da exigência, portanto.
Mas aquele 1,5% …
A meta foi batida, de pronto, nos seguintes locais: São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Pernambuco, Minas Gerais, Ceará e Pará.
No Espírito Santo, o percentual foi de 1,4912%.
A federação PSOL/Rede poderia ter sofrido um duro revés por causa de uma filigrana matemática.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) considerou, entretanto, que o número deve ser arredondado quando o percentual apurado for acima de 1,45%, conforme norma da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas).
OS VOTOS
No Espírito Santo, a federação PSOL/Rede lançou seis candidatos a deputado federal, todos do PSOL.
Juntos, eles obtiveram 29.710 votos. A mais votada foi a vereadora de Vitória Ana Paula Rocha, com 18.141.
Nenhum foi eleito.
O resultado, numericamente, foi tímido.
Para se ter uma ideia, o deputado federal eleito com menos votos no estado foi Lucas, o federal da direita (PL), com 43.973 votos.
E ele só conseguiu uma vaga em Brasília devido ao desempenho da chapa do PL, que emplacou Lucas Polese, o deputado federal mais votado do Espírito Santo (com 419.735 votos).
O presidente estadual do PSOL, Welington Barros, porém, afirmou à coluna nesta quarta-feira (28) que considera o resultado positivo.
Nosso desempenho foi positivo, ficamos bem perto de bater a meta, isso significa que nosso projeto eleitoral foi exitoso. Temos campo para crescer enquanto partido de esquerda
Welington Barros Presidente estadual do PSOL
“Nós tivemos mais votos, por exemplo, que o PDT”, destacou.
O PDT não atingiu a cláusula de desempenho no país. No Espírito Santo, nem lançou chapa de candidatos a deputado federal.
Também não cumpriram os critérios: Agir, Mobiliza, Avante, PSTU, PCB, PRTB, DC, PCO, Democrata, UP, Missão e a federação PRD/Solidariedade, segundo o levantamento da Fundação 1º de Maio.
No Espírito Santo, o PSOL ganhou destaque mesmo na eleição para a Assembleia Legislativa.
Camila Valadão foi reeleita deputada estadual com 61.501 votos, a maior votação entre todos os concorrentes a uma vaga na Casa em 2026.
O presidente estadual da sigla diz que o partido vai fazer oposição ao governador eleito Lorenzo Pazolini (Republicanos) ou, mais precisamente, às medidas que ele tentar implementar no estado das quais a sigla discordar.
“Vamos estar atentos, fiscalizar o Executivo”, pontuou Barros.
A POSSÍVEL SAÍDA DE ERIKA HILTON
Nacionalmente, o destaque do PSOL foi a reeleição da deputada federal Erika Hilton (SP). Com 1,5 milhão de votos, ela foi a mulher mais votada da história para a Câmara.
Erika, contudo, pode sair do PSOL e migrar para o PT, o que enfraqueceria a atual sigla dela.
Welington Barros acredita que a deputada possa repensar a intenção de trocar de partido agora que o PSOL cumpriu a cláusula de desempenho.
Só que a parlamentar já expôs publicamente descontentamentos com a estratégia eleitoral do partido em 2026.
Para não incorrer em infidelidade partidária, ela precisaria da anuência do próprio PSOL para se desfiliar.